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Resenha da Computex 2011 ? II

O Pavilhão de Nangang

Encerradas as entrevistas coletivas, findas as cerimônias de abertura e entrega de prêmios, terminados os discursos e demais blá-blá-blás, chegou a hora do batente. E, levando-se em conta o porte da Computex, bota batente nisso. Dar conta de tudo isto em três dias com onze horas de diferença de fuso horário, podem crer, não é mole. Mas bola pra frente, que se tem um trabalho bom de fazer, é este.

Decidi começar pelo pavilhão de Nangang, o maior deles, com estandes em dois imensos andares, (na foto, o interior do andar superior), divididos por setores: componentes & peças, armazenamento, computadores & sistemas, dispositivos embarcados (“embedded products“) e exibidores estrangeiros.  Então mãos à obra. Mas, antes, uma observação. Mesmo sabendo que nos demais pavilhões talvez eu encontre tabletes às mancheias, o que mais me chamou atenção neste primeiro dia de garimpagem na feira foi justamente a ausência deles no pavilhão de Nangang. Com tanto oba-oba sobre o tema, citado até no discurso do Presidente da República durante a cerimônia de abertura, eu esperava tropeçar neles em cada canto do pavilhão. Mas só havia um ou outro, das marcas mais conhecidas. Algo muito diferente da explosão dos “Tudo em um” (AIO, ou “All-In-One“) dos anos anteriores ? que, afinal, não deu em nada: este ano eles quase desapareceram. Mas, já que falamos nos tabletes, comecemos por eles.

O mais interessante dos que vi por aqui foi o ASUS Transformer mostrado na foto. Um tablete que roda o sistema operacional Android 3.0 montado em torno do microprocessador Tegra 2 de núcleo duplo e 2.1 GHz, com menos de 13 mm de espessura, pesando quase nada, equipado com câmara de vídeo e bateria de 16 horas de duração. Como disse? Pela foto o bichinho parece mais um “netbook” que um tablete?  É verdade. Mas repare novamente. Não na foto lá de cima, mas na daqui de baixo:

Essa simpática figura da foto é o Guido Alves, da ASUS Brasil que também anda por aqui. Mas não foi para a foto dele que chamei sua atenção, foi para o Transformer em sua mão esquerda. O que sobrou na direita é apenas o teclado (com uma bateria interna recarregável que aumenta significativamente a duração da bateria do conjunto quando conectada), que funciona quase que como uma “dock station” e transforma o Transformer (ora, pois não é que o nome veio daí?) em um “netbook“. Mas ele é efetivamente um tablete, de fato e de direito. Tanto que é vendido sem teclado ? que tem que ser comprado separadamente. [NOTA POSTERIOR: O Transformer me pareceu uma idéia tão interessante que eu, que havia decidido comprar um tablete, adquiri um deles na viagem de volta, com teclado e tudo o mais a que tinha direito. Por enquanto ainda estou explorando o bichinho, mas aguardem para breve uma coluna sobre ele.]

E já que estamos na ASUS, não custa mencionar o Padfone, cujo lançamento já foi assunto de uma nota anterior e por isto não vai ser discutido em detalhes. Mas, só para provar que ele existe (embora ainda no estágio de protótipo), eis na figura acima o próprio, separado em seus dois módulos, nas mãos deste que vos escreve. O bichinho me deixou a melhor das impressões e aguardo ansioso o lançamento oficial.

Mas não é só de dispositivos sofisticados que se faz uma Computex. Muito pelo contrário. Repare na foto acima, lado esquerdo, que o iPhone está encaixado em um pequeno objeto verde abacate. Trata-se de um amplificador ótimo para quem faz de seu iPhone um reprodutor musical de arquivos MP3. É um produto da Fruitshop International Co. Estive no estande e ouvi uma demonstração. E é realmente impressionante como a amplitude e a qualidade do som aumentam quando o pequeno dispositivo é encaixado. Porém o mais impressionante é que ali não há um único componente eletrônico. Nada. O amplificador é não mais que uma peça de material plástico emborrachado que custa uma merreca. Toda a melhoria do som é obtida por pura acústica. Um achado (que, por sinal, foi laureado com um dos D&I Awards deste ano).

Já a figura aí de cima mostra, do lado esquerdo, um conjunto de dissipadores e ventoinhas da Noctua e, do direito, o membro mais novo da família, um gigante silencioso e eficaz para trabalho pesado que pode ser instalado tanto sobre processadores Intel quanto AMD. Quem acompanha meus périplos regulares pelas sucessivas edições da Computex sabe que a Noctua é a empresa que transformou a tecnologia de dissipação de calor em ciência. Seus dissipadores são eficazes e suas ventoinhas praticamente inaudíveis. E a qualidade de seus produtos é tão grande que a empresa tem sido procurada para resolver problemas no mínimo inesperados. Como instalar ventoinhas em capacetes usados por médicos em certas cirurgias para proteger o rosto do cirurgião dos respingos de sangue do paciente. Ou na ventilação de cabines para acomodar tradutores simultâneos onde o isolamento acústico tem que ser total e a ventilação absolutamente silenciosa. Ou ainda para arrefecer equipamentos usados em cabinas de edição e gravação de vídeo e áudio. Quem quiser saber mais sobre a Noctua encontra informações detalhadas aqui.

Na seção do pavilhão de Nangang dedicada a componentes e peças, o que mais havia eram gabinetes. O que incluía curiosidades como os dois modelos Skeleton da Antec mostrados na foto aí de cima (mas não fique com a falsa impressão de que a Antec apenas fabrica curiosidades: seus gabinetes estão entre os melhores do mercado hoje em dia e há modelos extraordinários, como o Sonata e LanBoy). Veja também os da Gainward, na figura abaixo. Segundo fui informado pelos técnicos da Antec, seus esqueletos foram concebidos principalmente para fins de demonstração de equipamentos como placas-mãe, dissipadores de calor e coisas que tais. Mas que dá vontade de montar um treco destes na mesa de trabalho, lá isso dá…

Mas tinha também coisa séria, naturalmente. Um bom exemplo são os gigantes tradicionais e poderosos da CoolerMaster mostrados abaixo.

Outro componente que tinha a dar com pau eram memórias. De todo tipo, tamanho e capacidade. Nada de muito revolucionário, mas uma delas chamou minha atenção. Na foto abaixo, tirada no estande da GSkill, repare no cartaz acima da montagem, que mostra algumas características de memória usada: DDR3 de 2300 GHz. E a placa mãe ostenta quatro módulos de 4GB cada. Uma bagatela de 16 GB de memória de altíssimo desempenho. Um desempenho que, naturalmente, tem seu preço: repare, bem na frente do imenso dissipador de calor da UCP, aquelas pequenas ventoinhas iluminadas em azul. Elas servem para renovar o ar em torno do dissipador de calor das memórias. Haja potência…

Entre os dispositivos de armazenamento, não poderiam faltar os discos de estado sólido. Havia muitos, de diversos tipos, modelos e capacidades. Para ilustrar, vejam estes modelos da KingSpec. Note, nas carcaças abertas da parte de baixo da figura, como eles dispensam quaisquer partes móveis, já que são constituídos apenas de componentes eletrônicos. E repare nos dois formatos, o maior obedecendo ao já convencional fator de forma de 2,5″ tipicamente usados nos micros portáteis e o menor, novo, destinado principalmente para tabletes e outros fatores de forma de menores dimensões.

Mas, como já disse lá em cima, nem só de alta tecnologia se faz uma Computex. Veja os exemplos seguintes.

A figura aí embaixo mostra um dispositivo simples, porém notavelmente útil. Mas sua utilidade só pode realmente ser entendida por quem já esteve em um país distante (ou nem tanto: o Chile mesmo, ali pertinho de vocês, com suas tomadas de três pinos, costuma provocar este martírio) precisando desesperadamente usar seu celular ? ou seja lá qual for o dispositivo que carregue usando uma porta USB ? e descobriu não somente que a bateria está descarregada como também que o carregador que levou do Brasil não encaixa nas tomadas locais. Pois bem: o carregador da Huntkey mostrado na figura encaixa. Nela e em qualquer outra de praticamente todos os países do mundo, E faz isto de uma forma muito simples: trocando os pinos de contato. Ele é vendido com um conjunto de pinos intercambiáveis que resolve o problema esteja-se onde se estiver. Até mesmo no Brasil, com seu novo padrão de tomada.

Outro dispositivo simples que entrou nesta relação mais pela curiosidade é o mostrado na Figura abaixo, um MiniGPS. Que, sinal dos tempos, não apenas substitui a velha e tradicional bússola magnética mostrando de que lado fica o norte como também dá as coordenadas exatas de onde se está. É verdade que eu nunca vi uma bússola deixar de funcionar por falta de bateria, mas enfim, tecnologia é isso mesmo…

Finalmente mais um dispositivo simples, porém tão engenhoso que foi um dos ganhadores do D&I Award: o Ring Mouse da Genius. É um dispositivo sem fio que se encaixa no dedo indicador como um anel e se comunica com um acessório de formato semelhante ao de um “pen drive” encaixado em uma porta USB do micro. Meio grandalhão, é verdade, mas anel. O quadrado vermelho escuro no centro da superfície plana é sensível ao toque. Deslizando a ponta do polegar sobre ele movimenta-se o ponteiro na tela. Os dois botões, também acionados com o polegar, funcionam como os botões convencionais do mause.

A idéia é interessante, mas para usar como mause me pareceu um tanto extravagante. Aquele treco encaixado no dedo deve atrapalhar um bocado na hora de se digitar. E, caso seja preciso usar a mão para qualquer outra atividade enquanto se está usando o micro, certamente o mause será um estorvo. Mas para usar como comando remoto para controlar apresentações desenvolvidas em PowerPoint, o negócio é um achado.

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