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Qual o significado da entrada da Microsoft para a Linux Foundation?

Se há uma coisa que podemos falar sobre 2016, é que é um ano cheio de surpresas. Quando li que a Microsoft tinha entrado para a Linux Foundation, não acreditei logo de cara. Há muitas novidades interessantes para desenvolvedores com essa parceria, mas nem tanto para os usuários desktop do Linux.

Comecei a usar o Linux no final dos anos 1990, começo dos anos 2000, quando Steve Ballmer assumiu o cargo de CEO da Microsoft. Naquela época, a empresa de Redmond era notoriamente hostil ao Linux e qualquer outro sistema.

Avance 15 anos, e a Microsoft está se aproximando da mesma plataforma que Ballmer costumava difamar. Sob o comando de Satya Nadella, a Microsoft abraçou o segmento open source.

Apesar de ter me surpreendido, essa não deveria a notícia menos esperada do mundo. Isso porque a linha de produtos da Microsoft vem ficando mais e mais amigável ao Linux nos últimos anos. Você pode rodar uma máquina virtual Linux na plataforma Azure, assim como pode fazer o mesmo com uma imagem do IIS, da também da Microsoft. Há alguns meses, a Microsoft fez uma parceria com a Canonical (a empresa por trás do Ubuntu) para criar o Windows Subsystem for Linux. A Microsoft também está planejando lançar sua base de dados SQL Server para Linux.

Nada disso afeta realmente os usuários comuns do Linux, mas o que vai fazer a diferença no curto prazo é o dinheiro que a Microsoft vai injetar na Linux Foundation. A empresa de Redmond entrou para a fundação como um membro Platinum, o que significa que Satya Nadella e companhia vão despejar pelo menos 500 mil dólares por ano.

Esse dinheiro pode ajudar a financiar projetos da Linux Foundation, a maioria dos quais (como o Node.js) não são voltados para os usuários. No entanto, um dos grandes recipientes desse dinheiro todo será o kernel do Linux. Por isso, mais recursos e tempo de desenvolvimento poderão ser gastos para melhorar o desempenho, a segurança e o suporte para hardware da plataforma. Além do kernel, o projeto para consumidores da Linux Foundation que mais deverá ser beneficiado é o sistema móvel Tizen que a Samsung (outro membro da fundação) quer usar em seus smartphones no lugar do Android. 

(Veja aqui uma lista com todos os membros da Linux Foundation)

Como acontece com a maioria dos patrocínios corporativos no mundo do open-source, a maior parte do dinheiro vai para projetos de infraestrutura e tecnologias web dos quais essas companhias dependem. Projetos que criam software que os usuários de desktop utilizam no dia-a-dia (como GNOME ou LibreOffice) não devem ver muito, se é que verão algum, do dinheiro da Microsoft. Também é razoavelmente improvável que os aplicativos desktop da Microsoft de repente comecem a rodar no Linux ou fiquem mais compatíveis, a não ser que a Microsoft comece a pagar algumas pessoas para trabalharem no WINE em tempo integral.

Ser um membro da Linux Foundation não assegura nem que um patrocinador vai continuar com seu suporte anterior ao sistema. Pegue a Adobe, por exemplo: a empresa paga 20 mil dólares por ano como membro Silver da Linux Foundation. A Adobe também parou de lançar updates do Flash para o Linux há quatro anos – a empresa voltou a suportar o sistema recentemente. Ainda não há uma versão do Creative Suite para Linux, o que significa que você ainda precisa do Windows (ou Mac OS) para rodar programas como Lightroom, Photoshop e outros do tipo. E o Acrobat Reader para Linux, na minha experiência, sempre foi muito, muito ruim.

Levando em conta a abordagem da Adobe para o Linux, não esperaria grandes coisas da Microsoft para o Linux desktop. Caso a empresa de Redmond anunciasse o lançamento do DirectX para Linux, poderia talvez tornar 2016 muito melhor, mas não vou ficar esperando por isso.

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