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Profissional desconectado ainda existe no mundo real

Executivos pouco ligados à tecnologia são raridade hoje em dia. Mas é possível encontrá-los. Renata Bernhöeft, sócia-líder de uma consultoria de transição de gerações, só tem celular corporativo, não dorme com o aparelho ligado e adora fazer anotações em blocos de papel. “Não preciso da tecnologia para viver”, diz.

Renata, de 42 anos, pode ser considerada uma exceção à regra, já que teria o perfil típico de quem se apoia na tecnologia para cumprir seus compromissos profissionais e pessoais.

“Podemos dizer que 60% dos profissionais estão sim conectados e procuram cada vez mais a tecnologia para facilitar seu dia a dia de trabalho – principalmente por meio de smartphones e tablets. Entretanto, outros 40% estão se adequando a nova realidade, ainda que muito lentamente. E os motivos são idade avançada, falta de familiaridade com o computador, resistência ao novo e comportamento repetitivo”, afirma Marcela Buttazzi, sócia da MB Coaching.

Ainda segundo ela, executivos que atuam em empresas ou segmentos de mercado em que a tecnologia é escassa ou influencia muito pouco a rotina do dia a dia podem dispensar o uso de smartphones e tablets em sua profissão, embora acredite que um líder desconectado possa influenciar negativamente sua equipe.

“Geralmente o profissional desconectado é mais lento em suas tarefas em comparação ao conectado. Em contrapartida, pode ser mais detalhista que o conectado”, pondera Marcela.

E é justamente essa característica que atrai Renata. “Nenhuma tecnologia, até hoje, conseguiu substituir o contato pessoal e a possibilidade de ler o que está nas entrelinhas das conversar. Nem mesmo ferramentas de videoconferência”, ressalta a sócia da consultoria höft – bernhoeft & teixeira.

Contudo, é preciso organização e disciplina caso tenha feito essa opção. Renata, por exemplo, prefere agenda de papel à eletrônica. Mas, para mantê-la atualizada, checa de três e três dias a agenda de compromissos no computador do escritório, atualizada pela sua secretária.

Caso queira incluir uma consulta médica ou outro compromisso precisa ligar para sua assistente para que faça a inclusão.

Outra vantagem apontada por ela em ser desconectada é estar mais próxima de amigos e familiares. Em aniversários e datas comemorativas ela prefere telefonar ao invés de enviar uma mensagem por meio de redes sociais.

“Não tenho perfil no Facebook. Se quiser que meus pais vejam as fotos da minha filha enviarei somente para eles ou para um grupo familiar, via e-mail. Também acho que o fato de estar disponível a todos os meus contatos ao mesmo tempo afasta o contato pessoal. Com uma única pessoa”, destaca Renata, que chegou a comprar um tablet, mas não conseguiu usar e acabou dando à filha.

Desvantagens

A sócia da MB Coaching não vê vantagens em um profissional ser desconectado. “A não ser que o indivíduo tenha 80 anos ou mais e leve outro ritmo de vida, por opção. Mas todos nós sabemos que a tecnologia também auxilia a terceira idade, inclusive, em possuir um celular sempre à mão, se manter atualizado na internet, novos passatempos no computador, entre outros.”

Marcelo Cuellar, headhunter da consultoria em recursos humanos Michael Page é menos radical. “Quem não usa e-mail, smartphones ou tablets precisa se organizar de outro jeito. Acredito muito que a maneira que traz mais efetividade à conduta do profissional é a ideal, mesmo que isso signifique ser desconectado”, afirma o especialista.

 

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