Com seu celular, você agora é um sensor móvel, trilhando seu caminho, lendo seus e-mails, consumindo informação, enriquecendo sua jornada com recomendações oportunas, enquanto tropica em transeuntes. Toque. Deslize. Carregue. Dê zoom. Entenda o mundo.E o mundo lhe entende, pelo menos da forma que o Google organiza.
Não se assuste. Logo você não pensará o que mais você pode fazer pelo seu telefone e sim ficará maravilhado com o que ele pode fazer por você. Pelo menos essa é a promessa do Google Now.
O serviço é mais uma experiência móvel do que um aplicativo, mais um serviço de pesquisas do que uma ação de pesquisa. Pode muito bem redefinir a arena de busca móvel. Seu nome revela sua ambição.
Mas estamos nos antecipando. O Google Now ainda está aprendendo. Algumas coisas ele acerta e em outras erra enormemente. Nesse sentido, o correto seria usar Google Soon (jogo de palavras que traduzido ficaria “Google Logo” em vez de “Google Agora”) em vez de Google Now.
Google Knowledge Graph
Estou usando o Google Now há algumas semanas em um smartphone Samsung Galaxy Nexus e no tablet Google Nexus 7. O Google Now é parte do Android Jelly Bean 4.1, a mais nova versão do sistema operacional da empresa.
É potencializado com o Knowledge Graph, apresentado há algumas semanas. Como o Google explicou, o serviço cria conexão entre objetos (entidades) com base nas relações e padrões observados por meio do Google Search.
Hoje, por exemplo, quando se pesquisa por pinguins, o Google apresenta um painel na lateral direita da página mostrando a equipe de hockey com base em Pittsburgh (Estados Unidos) ou informações sobre o animal (vale lembrar que o uso do serviço foi feito nos Estados Unidos, por isso a menção ao time de hockey – N.do.T.). Uma mudança sutil, mas importante que denota o mecanismo de informação se transformando em mecanismo de conhecimento. E mais, a pesquisa por “pinguim-rei” fornece informações valiosas, incluindo nome científico, espécies, etc. O Knowledge Graph tenta fornecer a informação que acredita procurar.
Como o Google Now funciona
Há três maneiras (e meia) de acessar o Google Now diretamente: da barra de pesquisa na tela de entrada do Android, do aplicativo Google e ao deslizar da parte de baixo da tela de entrada (um pouco redundante, francamente). Alertas feitos pelo Google Now também podem ser mostrados nas notificações do Android (essa é a meia).
A interface do recurso fornece inúmeros “cartões”, todos gerados pelo que o Google aprendeu sobre você, que é o mesmo que dizer o que você permitiu que a empresa soubesse sobre sua vida – é uma experiência à sua escolha.
Isso significa que sua localização, suas pesquisas, seus hábitos de locomoção (por carro, usando Google Maps e serviços de localização; por ar, usando pesquisas de status de voos; transporte público, usando localização) e seus dados do calendário são filtrados, processados e eventualmente entendidos (seu contexto) e mapeados em peças de informação que o Google possa conhecer (o conteúdo).
Por exemplo, o serviço acompanha suas pesquisas por restaurantes, e dependendo dos lugares pelos quais você passa, ele abre sugestões com base nos horários do dia (como o horário do jantar). Ele conhece seus times preferidos de esportes e cria cartões que seguem as ações em tempo real. Há cartões para moeda (quando você está em países diferentes) e tradução de línguas.
Grande parte dessa capacidade se baseia em pesquisa e pode ao mesmo tempo vasculhar suas buscas no navegador Android nativo e também no Chrome. E já que o Chrome mantém as sessões de pesquisa entre os dispositivos, algo que você pesquise no navegador no desktop (ou em um iPad) é levado para o Google Now, no dispositivo móvel. Claro que para tudo isso é preciso estar inscrito com sua conta Google em todos os locais.
Apesar do meu constante uso do telefone Galaxy Nexus, o serviço ainda tem muito para aprender a meu respeito. Ele sabe que sou fã do Dodgers, porque busco notícias do time. Agora, ele tem um cartão permanente do time e me fornece atualizações constantes dos jogos.
Também fornece notícias do clima, mesmo conforme estou no caminho. Me dá lembretes decentes de meus compromissos, mas tenho o widget Google Calendar que faz um serviço melhor. Quando entro o endereço para um compromisso, ele me alerta de uma forma interessante: ele me diz, com base em dados de distância e tráfego, que hora devo sair do local que estou para chegar na hora exata em um compromisso. De certa forma, gostaria que essa informação fosse mais intrusiva, ou que tivesse essa opção, especialmente para os compromissos mais importantes. Mas esses dados são realmente valiosos e é uma amostra da promessa do Google Now.
Felizmente, não viajei muito durante o verão, então não tirei vantagem de informações de voos em cartões. Fiquei alguns dias trabalhando de casa, e o Google Now ficou de início confuso sobre meu local de permanência (trabalho e casa). Por padrão, o Google Now visualiza o tempo que você passa durante a semana como “trabalho” e o tempo passado à noite como “casa”. Felizmente, é possível ir até a configuração de localização e forçar o serviço a enxergar a verdade.
As pesquisas com base na localização funcionaram esporadicamente. Uma vez, realizei uma pesquisa tanto de restaurantes chineses quanto asiáticos uma hora ou pouco mais antes do horário do jantar. E então, como sabia que iria a um restaurante em particular (Pei Wei), pesquisei por ele em meu navegador. Durante minha ida ao local, o serviço me informou vários restaurantes chineses, todos a cerca de 24 quilômetros de distância (os resultados eram todos perto da minha casa), mesmo tendo restaurantes na região. De fato, apesar da minha pesquisa específica pelo restaurante Pei Mei, a notificação falhou mesmo quando passei em frente a ele.
Estou impressionado, mas não arrebatado.
O futuro da pesquisa
No momento, parece uma novidade, uma melhoria nas notificações, um acompanhamento para superar a Siri, da Apple.
Mas quanto mais pesquisas são conduzidas, em quantos mais lugares você vai, quanto mais uso você faz do seu telefone, mais inteligente o Google Now fica. Com o passar do tempo, com mais dados úteis adicionados, a promessa melhora ainda mais.
Tem que se levar em consideração que ao entrar no Google Now, você está sendo observado. Apesar de o serviço ser completamente opcional (não obtém nenhum dado a não ser que tenha permissão) há dúvidas sobre o que a empresa fará com todos esses dados. Os empregadores acessarão esses dados? E as autoridades?
Está claro que a Apple, Microsoft e Google querem construir seus ecossistemas para que os clientes tenham mais valor quando escolherem apenas um deles – para o sistema operacional, navegadores, aplicativos, nuvem e hardware. Há uma vantagem para o usuário final: a promessa de uma experiência de usuário contínua por meio dos dispositivos (notebook, tablet, telefone), e o movimento dos dados entre esses dispositivos usando a nuvem pessoal de cada uma das empresas (Google Drive, Microsoft SkyDrive, Apple iCloud). Mas as desvantagens ainda são maiores: menos liberdade de escolha e dependência do ecossistema escolhido para inovação num tempo em que há muitas mudanças excitantes. A novidade revelada em junho pelo Google será rapidamente superada pela Apple, em outubro.
Há muito a se dizer se a decisão for optar pelo Google. Apesar de ser completamente obsoleto em desktop (a não ser que se leve em conta o Chrome e o Chrome OS), é um inovador em outras áreas. Seu último lançamento, o Google Now, formece uma pesquisa significativa com base na voz. Não pesquisa apenas por palavra, mas, como a Siri da Apple, tem a habilidade de solicitar fatos em vez de só pesquisar resultados de páginas. O serviço pode ligar para um contato, dar informações de locais e responder a maioria das perguntas (apesar que quando perguntei sobre o hospital mais perto ele me mandou para um hospital veterinário; resumindo a história: sobrevivi), fornecendo a maioria dessas informações por meio de voz.
O serviço fica realmente interessante quando se considera a possibilidade de acesso de terceiros. É maravilhoso para conseguir informações de voos da rede, mas seria ainda melhor ter aplicativos de voos conectados ao Google Now. As possibilidades são infinitas.
Por outro lado, não sabemos o que a Apple esconde em suas mangas. Há rumores que a Siri estará em tudo, desde o controle remoto até a experiência em sua Apple TV. A empresa já deve superar o Google Wallet com seu serviço Passport no iOS 6 e já dá para imaginar em como ela automatizará aplicativos em uma experiência mais ágil e conveniente para o usuário. (Microsoft Windows Phone 8 incluirá o Wallet Hub, com design similar.)
Mas até lá, há o Google Now. Enquanto alguns diziam que o Google havia perdido sua herança em pesquisas, apontando sua obsessão com o Google+, o serviço oferece evidência que a inovação em pesquisa vai bem, obrigado.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini
*Texto de responsabilidade da rede de jornalismo norte-americana UBM. O IT Web traduziu e editou o conteúdo levemente. Leia o original aqui.
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