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Presidente da Procergs fala sobre redes sociais

Me considero um daqueles poucos privilegiados que, seja pelo forte interesse no assunto, seja porque eventualmente consigo encaixar na agenda, tem podido acompanhar – muito menos do que gostaria – discussões sobre inovação aqui no Brasil. Principalmente quando relacionadas à TI na esfera pública, minha área de atuação. Confesso que alguns desses debates têm me preocupado.

Há mais de dez anos, as redes sociais vêm despertando curiosidade crescente no cenário corporativo. Inicialmente, falando de mercado brasileiro, me lembro que o ICQ fez sucesso. Foi o primeiro instant messenger que de fato “viralizou” dentro das empresas. Uma das primeiras ferramentas que fomentaram a colaboração. Na sequência, veio o MSN, que está aí até hoje, cada vez mais forte, e outros similares.

Aos poucos as ferramentas sociais foram agregando uma funcionalidade nova aqui, outra ali. Recordo da febre do Skype, que permitia, além da troca de texto, que você enxergasse a pessoa que estava do outro lado da “linha”. Explodiram as vendas de webcams. Era possível conversar com internautas em qualquer parte do mundo sem ter de pagar uma ligação. As operadoras de telefonia entraram em pânico, mas, ao longo do tempo, foram percebendo as oportunidades.

O Orkut foi a primeira oportunidade online das pessoas falarem mais de si mesmas, mostrarem preferências, personalidades, criarem grupos de afinidade. Foi a revolução da autoexpressão na internet. Junto vieram os blogs, Facebook, Twitter e outras centenas de ferramentas. Confesso minha surpresa quando soube que o YouTube completou cinco anos de vida em maio. A experiência com essas plataformas é tão intensa que a gente nem se lembra mais de como era a vida antes delas.

Conto essa história, porque não consigo deixar de me impressionar quando ainda ouço, nos dias de hoje, alguns empresários e executivos de empresas de TI dizerem que “estão avaliando” a possibilidade de participar das redes sociais. Compreendo que vivemos um momento de explosão deste assunto na mídia. Virou moda e é tema de dez entre dez eventos de tendências em TI no mundo inteiro.

Mas ouso dizer que o momento de avaliar já passou. As redes sociais não são mais uma opção corporativa. Elas já estão lá, quer queiram, quer não. Se não seus funcionários, seus clientes ou a própria comunidade que estão falando da sua empresa na internet. Acredite, isto ocorre. A sua decisão agora é se você quer ou não participar destas discussões.

A missão das estatais de TI hoje é de impulsionar o uso destas ferramentas na gestão dos governos, protagonizar o processo de (re)aproximação do ente público com o cidadão, que já está nas redes sociais há muito tempo. Discussões sobre segurança são legítimas sempre, mas não como fator decisor sobre participar ou não das redes, e sim como torná-las mais seguras dentro dos ambientes corporativos. Integrar esse processo é uma necessidade estratégica. Compre mais banda e vá em frente.

*Ademir Piccoli é presidente da Procergs. O executivo escreveu com exclusividade para InformationWeek Brasil.

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