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Passo a passo: 7 dicas para criar uma startup

Empreender é o sonho de dois em cada três jovens brasileiros, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. Mas um desafio é comum para a maioria deles: por onde começar?

Renata Goldfarb, gerente de produtos responsável pelo curso Nanodegree Startup Founder da Udacity, estruturou um passo a passo simples sobre como escolher uma ideia, definir seu segmento de clientes, validar hipóteses, criar um produto mínimo viável, estruturar seu pitch e arrecadar fundos, além de montar a equipe ideal.

Confira as dicas:

1º passo: escolha uma ideia

Para definir seu ponto de partida, a ferramenta mais recomendada é o Canvas. Ele possui 9 componentes a serem respondidos ao longo do processo de criação da sua startup: proposta de valor, segmentos de mercado, canais, relacionamento com clientes, atividades-chave, recursos-chave, parcerias-chave, fontes de receita e estrutura de custos.

Nesse primeiro passo, comece pela proposta de valor: ela te ajudará a definir o foco do seu negócio, que deve ser disruptivo. Ela normalmente é construída em cima de uma frase inspiradora, que se inicia com um verbo e esclarece todo o objetivo do negócio.

Caso você ainda não possua uma ideia, é possível começar a pesquisar problemas existentes que você tem interesse em resolver. Também é importante saber qual é o tamanho do seu mercado, compreendendo qual será a demanda para a sua solução. Se o seu mercado total disponível não é de mais de R$ 1 bilhão, por exemplo, você provavelmente não terá uma ideia competitiva o suficiente para participar de rodadas de investimento.

2º passo: defina seu segmento de clientes

Em seguida, é preciso saber — da forma mais precisa possível — qual é o segmento de clientes em que você irá atuar. Para isso, é preciso criar a sua “persona”: um detalhamento minucioso de quem será o cliente típico que consumirá seu produto ou serviço, passando por informações como comportamento, características demográficas, motivações, objetivos, desafios e preocupações.

Em adição a isso, também é preciso se atentar ao Job to be done. Segundo o professor de Harvard Clayton Christensen, quando alguém compra um produto, sua intenção é “realizar um trabalho específico”. Ou seja, o cliente tem uma necessidade a ser resolvida que, geralmente, está ancorada em características funcionais, emocionais, pessoais ou sociais.

3º passo: valide hipóteses

Esta é uma fase de pura pesquisa, na qual você precisará ouvir empaticamente o seu potencial cliente — no ambiente dele —, entendendo também se a operação será B2C ou B2B. O objetivo é encontrar o Product market fit, ou seja, a relação e conexão entre a sua ideia e o cliente.

Existem três perguntas a serem respondidas durante esta etapa: “quais as dores que o cliente sente?”; “quais os ganhos que minha proposta de valor gera para ele?”; e “quais as tarefas necessárias para que isso aconteça?”.

Após esse levantamento, pode ser que você perceba que a sua hipótese estava parcial ou totalmente incorreta. Mas não desanime: essa descoberta é essencial para que você retome o seu Canvas e adapte-o. Quanto antes você identificar isso, mais próximo você estará do que é uma startup, segundo Steve Blank: “Startup é uma organização temporária projetada para buscar por um modelo de negócios escalável e repetível, que atua num ambiente de extrema incerteza”.

4º passo: crie o MVP (produto mínimo viável)

Criar o seu primeiro MVP também deve estar entre as prioridades de quem deseja fundar uma startup. O seu produto mínimo viável, inclusive, pode ser algo bastante simples, de baixa fidelidade, ou até mesmo uma landing page do produto. Trata-se de um protótipo que será utilizado para validar as hipóteses definidas na etapa anterior — por isso, esses dois passos devem acontecer, preferencialmente, de forma simultânea.

Aqui já é, também, o momento ideal para definir modelo de receita e estrutura de custos, de modo que você comece a entender como vai ganhar dinheiro. Importante: você já pode começar a monetizar desde o primeiro dia com o seu MVP, comprovando que o negócio é viável.

Após essa fase de validação, pode existir a necessidade de pivotar sua ideia, isto é, mudar o seu modelo de negócios a fim de adaptá-lo à necessidade do seu cliente.

5º passo: estruture seu pitch

Pitch nada mais é do que uma apresentação curta, de 3 a 5 minutos, realizada com o objetivo de despertar o interesse de quem está te ouvindo. De forma sucinta, ela explica qual problema a sua startup está disposta a resolver, qual o seu diferencial na comparação com as demais ideias e como você vai ganhar dinheiro com isso.

Em competições, apresentações e eventos, existem dois tipos mais comuns: o pitch em si, apresentado de forma verbal, e o “pitch deck” — um material mais completo, enviado para o investidor entender sozinho tudo que contempla seu negócio. Entre os tópicos mais comuns, o empreendedor pode abordar temas como problema a solucionar, vantagens do produto ou serviço, entendimento do mercado, modelo de negócio, investimento necessário, teste com usuários, etc.

6º passo: arrecade fundos

Já ouviu falar em FFF (family, friends and fools)? Uma rede composta por familiares, amigos e pessoas que acreditam na sua ideia pode te ajudar durante o processo de levantamento de capital, especialmente enquanto ainda não há investidores-anjo interessados no seu negócio.

Essa é uma etapa importante para que você passe a ganhar tração, isto é, consiga alcançar as métricas estabelecidas para medir o sucesso da sua ideia (acessos ao site, geração de leads, vendas, etc.). Em resumo, o investimento no seu negócio em algum momento se tornará imprescindível para você continuar crescendo.

Bônus: monte a equipe ideal

Em linhas gerais, um empreendedor que atua de forma individual dificilmente consegue se virar sozinho: além da criação de uma startup ser um processo bastante demandante, há diversas habilidades técnicas e comportamentais que ele provavelmente não possui, mas pode complementar a partir de um ou mais sócios. Além disso, uma equipe composta por pessoas com perfis complementares é algo muito valorizado por investidores e aceleradoras.

Para garantir essa homogeneidade da equipe e encontrar profissionais realmente bons e engajados, é válido participar de meetups e eventos, conversar com empreendedores mais experientes e até mesmo montar uma rede de mentores que podem te ajudar nesse processo — ou seja, aumentar seu networking.

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