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Parolin, da Cargill, explica organização global

Conversando com vários profissionais, tenho percebido que a

maioria passou (ou está passando) pela globalização de suas estruturas. Não é

um fenômeno nacional, mas uma tendência mundial, na qual as empresas tentam se

adequar para competir. Sem a pretensão de dar aula no assunto, gostaria de

compartilhar as experiências que adquiri durante os últimos anos participando

da globalização da estrutura de TI.

Ela é um desafio por vários ângulos. O mais fácil de

enxergar é o de trabalhar com várias pessoas de língua e cultura diferentes. O

mais complexo é entender as diferenças e estar preparado para as situações que

possam surgir, desde o simples “como se comportar em uma videoconferência” até

a complexidade das diferentes leis trabalhistas.

Uma das primeiras tarefas é definir o escopo. Dados os

desafios, sugiro procurar oportunidades nas quais fiquem claros os objetivos de

negócio. Defina-os bem e não menospreze a necessidade de cada individuo de

entendê-los. Sugiro começar com algo bem-definido de um tamanho razoável e que

traga benefícios rápidos para a organização.

Como diz o provérbio popular “a primeira impressão é a que

fica”. Se for boa, com certeza será mais fácil replicá-la a outras áreas sem

muita resistência. Depois, é importante definir a estrutura da organização

globalizada. Neste sentido, minha experiência foi a criação de um centro de

serviços compartilhados (CSC) e acho que esta estrutura funciona bastante bem

para várias finalidades. Esta área não somente consolida atividades similares,

mas é um passo importante para a criação de uma estrutura global com objetivos

claros e atuando como um negócio provendo serviços para os clientes internos a

custo, qualidade e tempo de resposta competitivos.  Alguns detalhes podem fazer a diferença entre

o sucesso e o fracasso. Por exemplo, dependendo da estrutura anterior será

necessário revisar as responsabilidades de cada um e, em algum grau, também os

cargos e funções. Explique a todos os colaboradores como e onde eles se

encaixam, o que significa ser parte de uma organização global e como isto pode

ajudar na carreira deles.

A convivência e a diferença de cultura entre os

colaboradores de diversos países podem causar problemas. Preocupe-se em

discutir qual é a cultura que você quer ter. Também é importante estar atento

às diferenças de perfis gerenciais entre nações.

Uma organização global requer disciplina de processos muito

grande, que deve ser suportada por um framework como o Itil. Ter ferramentas

padronizadas auxilia no processo de disseminação e treinamento dos processos. É

necessário definir claramente os níveis de serviço (SLAs) e um balanced

scorecard com métricas que estejam alinhadas com o negócio. Assim, a definição

de atendimento ou não dos objetivos de negócio ficam mais simples. Quando

possível, mantenha um SLA global e evite ao máximo personalizações locais.

Tenha também um time de líderes que gerencie o CSC de maneira coesa, objetiva e

clara e que faça parte da governança do CSC global.

A globalização pode trazer benefícios importantes para a organização,

como permitir uma maior flexibilidade, 

consistência na prestação de serviços, redução de custos ou atender a

requisitos de negócios que se tornaram globais. Uma variável, porém, é de

extrema importância para o sucesso da globalização: as pessoas. É no mínimo

difícil (se não impossível) não prestar atenção àquelas que são necessárias

para que o CSC funcione. Várias mudanças são importantes para a criação de uma

estrutura globalizada e, quanto mais flexíveis e treinadas elas forem, mais

rápido os resultados serão alcançados. Eu acredito que não se consegue atingir

os objetivos de negócio sem líderes que entendam que as pessoas fazem a

diferença em qualquer estrutura que se crie, seja ela global ou não.

*José A. Parolin é

global applications leader da Cargill. O executivo escreveu com exclusividade

para InformationWek Brasil.

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