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Pandemia eleva expectativas sobre futuro do trabalho, aponta estudo da Salesforce

A expectativa a respeito do futuro do trabalho mudou com a pandemia da covid-19 no mundo todo. É o que mostra um recente estudo realizado pela Salesforce. A companhia especializada em soluções de CRM levantou a opinião de mais de 20 mil pessoas em 11 países, entre eles Alemanha, Estados Unidos, Canadá, França, Japão, Índia e Brasil. No País, 2 mil pessoas foram entrevistadas.

O estudo “Série Global Stakeholder – O Futuro do Trabalho, Agora”, identificou altas expectativas dos funcionários em relação às empresas. Desde a possibilidade do home office no pós-pandemia à requalificação das habilidades para um mundo digital. Daqueles ouvidos no Brasil, 82% afirmam confiar nas empresas para construir um futuro melhor e para 70% deles, deveria ser prioridade das organizações tomar medidas para diminuir desigualdades globais. Além disso, 76% dos entrevistados dizem que é crucial que seu empregador retribua à comunidade. Em contrapartida, o nível de confiança dos entrevistados no setor público não segue a mesma régua: 55% deles afirmam não confiar nos governos para construir um futuro melhor.

Home office como diferencial na contratação

Se antes da pandemia, o home office parecia ser uma possibilidade distante para a maioria das organizações, a modalidade se tornou padrão quase que da noite para o dia, com esforços que exigiram dos times e lideranças de tecnologia. Agora, o que era alternativa pode ser um diferencial na contratação de talentos. Segundo o estudo da Salesforce, 52% dos entrevistados dizem que trocariam de emprego se isso significasse que poderiam trabalhar remotamente. Entretanto, 71% dos brasileiros ouvidos acreditam que o trabalho remoto é viável apenas para uma parcela da população e 57% dos trabalhadores presenciais afirmam que conseguiriam desempenhar suas tarefas à distância caso a empresa oferecesse uma tecnologia melhor.

Em coletiva de imprensa realizada nessa segunda-feira (05/10), Fábio Costa, Vice-presidente Sênior General Manager da Salesforce Brasil, lembrou entretanto que o home office dos últimos meses está longe do ser o “modelo ideal”. Afinal, o isolamento social cobrado pela pandemia colocou famílias inteiras para coexistirem sem muita saída.

“As pessoas não têm mais o medo de serem julgadas ao trabalhar remotamente”, pontuou Costa ao divulgar os dados da pesquisa. “O trabalho remoto passa a ser uma alternativa a ponto de querer se trocar de trabalho. Mas não falamos do trabalho remoto de hoje, onde há várias restrições sociais no dia a dia”, complementou.

Funcionários cobram protagonismo das empresas no reskilling

A pandemia da covid-19 expôs a necessidade de os profissionais mundo afora atualizarem suas habilidades digitais. Afinal, grande parte das atividades presenciais tiveram de ser suspensas durante o período da quarentena. Quase um terço dos entrevistados pela pesquisa diz não ter as habilidades técnicas exigidas pelo mercado e 57% dos brasileiros estão considerando obter outra formação.

O interesse no aprendizado e treinamento online é expressivo, com 71% afirmando que estão mais interessados nessa modalidade de ensino desde o início do isolamento social. Entretanto, esse tipo de ensino esbarra em questões como acesso à internet e a um computador, além dos custos de se arcar com um curso.

Nesse contexto, para 75% dos entrevistados o desenvolvimento da força de trabalho deve ser uma prioridade das empresas e 77% deles dizem que a tecnologia deve desempenhar um papel essencial nesse processo.

Os brasileiros entrevistados também reconhecem a importância, nos próximos seis meses, de algumas habilidades técnicas. Conhecimentos em análise de dados (93%), codificação/desenvolvimento de aplicativos (92%) e ciência de dados (91%) foram destacados ao lado de habilidades como adaptabilidade e colaboração, ambas apontadas por 96% dos entrevistados.

Costa lembra que a recapacitação dos funcionários em direção ao futuro do trabalho – cada vez mais digital – se mostra como diferencial competitivo para as organizações. “Não tem como ser uma empresa competitiva se não se investir em talentos. A capacitação é chave para o crescimento e superação. As empresas que enfrentaram melhor o processo de isolamento social, prepararam suas equipes para lidar com um novo contexto, ferramentas e processos digitais. Sem novas habilidades, não há perspectiva positiva”.

Para o executivo, o compromisso das organizações em relação ao reskilling deve ser assumido, sobretudo, pelas lideranças. “O responsável por fazer isso acontecer é a liderança. Está no C-Level. Não é uma iniciativa somente do RH. O RH cuida das competências para a empresa performar melhor, mas não é uma iniciativa isolada, senão não funciona. É muito mais uma conscientização do topo para baixo para acontecer”.

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