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A palavra tecnologia é feminina

Durante um TED Talk publicado no início de fevereiro desse ano, a advogada e política americana e também fundadora da organização sem fins lucrativos Girls Who Code, Reshma Saujani, disse que meninas são geralmente ‘treinadas’ para serem perfeitas, devem atingir sempre as melhores notas e se comportar bem. Os garotos, por outro lado, são encorajados a ‘se jogar’, e mesmo que se machuquem, o importante é o fato de que tentaram. Segundo Reshma, a sociedade cria meninas para serem perfeitas, e meninos para serem bravos.

No mundo da tecnologia, onde muitas vezes somos obrigados a arriscar, não é difícil perceber esse reflexo. Ainda há um número muito baixo de mulheres trabalhando no setor, e com um salário ainda menor – elas recebem 74,5% do salário dos homens, segundo um estudo do IBGE. Para se ter uma ideia, das 200 maiores empresas do Brasil, apenas três possuem mulheres no comando. Pensando nisso, nos perguntamos: por que existem tão poucas mulheres na tecnologia? Como as empresas podem fazer para empoderar as suas mulheres e, junto disso, aumentar a sua participação nos negócios?

Obviamente que o pensamento machista e até um pouco repressor de muitos setores da tecnologia precisa mudar, valores como a flexibilidade da mão-de-obra feminina, e o poder de organização e criatividade, devem ser valorizados; como no caso em que mais de uma atividade precisa ser feita ao mesmo tempo e pela mesma pessoa; as mulheres, muitas vezes devido às imposições da sociedade, criaram um forte poder de resiliência e adaptação, que são essenciais nessas situações.

Existe também o falso pressuposto de que para atuar em tecnologia é necessário conhecimento matemático; ao contrário, engana-se quem imagina que não pode trabalhar com o marketing ou, com os setores comerciais de uma companhia de TI. E até – por que não? – dentro de áreas de desenvolvimento, que pedem um toque a mais de criatividade.

Hoje, mais do que nunca, é preciso que as empresas reconheçam o valor da mulher no mercado tecnológico, por outro lado, e até mais importante, a mulher deve perceber em si o potencial para se dedicar ao setor. Existem projetos que fomentam a participação feminina na tecnologia; segundo o Staffing Industry, a empresa inglesa de recrutamento Empiric, planeja investir e atrair mais de 5 000 mulheres para a área até 2020. O Girls Who Code, de Saujani, tem como meta colocar um milhão de mulheres no mercado da computação também até 2020. E claro, essas iniciativas não acontecem apenas fora do país, no Brasil a cientista da computação Camila Achutti, fundou o blog Mulheres na Computação, para incentivar as brasileiras. E existem ainda muitas outras oportunidades para mulheres que desejam conhecer e atuar em um universo tão interessante.

No caso das empresas, a tarefa é instigar a criação de grupos de discussão sobre a atuação feminina no mercado e até dentro da própria empresa. As ações de levantar pautas e compartilhar experiências vão, sem dúvida, enriquecer não só a relação de equipe, mas também a relação com a própria empresa. Além disso, a companhia pode criar políticas específicas para a contratação de mulheres em posições estratégicas, e até aplicar em parcerias com universidades, para que haja o incentivo dessas meninas na carreira. É preciso que mais cadeiras sejam ocupadas por mulheres. É preciso que mais tempo seja dedicado a esses talentos, muitas vezes, receoso de tentar e não conseguir. Se vocês foram ensinadas a serem perfeitas, sejam então, perfeitas na bravura. Alguma de vocês já percebeu que ‘tecnologia’ se escreve no feminino?

*Antonio Loureiro e Marcelo Vianna são sócios fundadores da Conquest One, consultoria brasileira de TI com atuação em Outsourcing e Hunting.

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