Todos cometemos erros, e algumas vezes eles são grandes. As empresas de tecnologia não são exceção e tiveram casos interessantes em 2012. Então porque não comemorar seus fracos com uma lista dos Top 10? Juntamos alguns dos fracassos tecnológicos mais notáveis do último ano, tendo como foco as grandes empresas e seus resultados.
Nossa seleção tem uma ampla gama de exemplos, incluindo dispositivos anunciados que nunca foram lançados, produtos que chegaram ao mercado mas não deveriam ter saído da linha de produção e serviços que não funcionaram como o prometido. Alguns desses deslizes são recuperáveis, enquanto outros podem ser um grande problema em 2013 pra o produto ou empresa envolvida.
As grandes tendências de 2012 (mídia social, serviços em nuvem, streaming e tudo o que se refere à mobilidade), estão representadas em nossas escolhas. Muitos desses desenvolvimentos ganharão ainda mais significância em 2013. Os produtos de hardware e softwares estão ?se fundindo em serviços?, escreveu o analista da Gartner Gregor Petri em uma postagem de blog. Isso aumenta o potencial de complexidade, podendo levar a grandes fracassos de empresas.
Computação em nuvem, por exemplo, apresenta um conjunto único de desafios que as empresas de tecnologia ainda estão aprendendo a lidar. ?Com a computação em nuvem quebrando rapidamente as barreiras entre os segmentos tradicionais da indústria, os tempos são confuso para os provedores do serviço?, escreveu Petri. ?Estamos acostumados a comprar hardware e software de diferentes fornecedores e conseguir suporte ? para que os dois serviços funcionem juntos ? de uma outra terceira categoria de fornecedores, essa linha de demarcação está rapidamente acabando?.
A empresa de pesquisas IDC percebe um conjunto similar de tendências em 2013, incluindo o crescimento de TI tendo como base os dispositivos móveis, serviços em nuvem, mídia social e Big Data. Prevê que as vendas de ?minitablets?, o que significa aquelas com elas menores que oito polegadas, serão um sucesso no ano que vem e contarão com até 60% das unidades comercializadas ? um crescimento dramático da porcentagem de 33% de 2012. Para provedores em nuvem, o avanço das vendas de dispositivos móveis significa um grande aumento no número de usuários de cloud ? tanto empresas quando de consumidores ? um desenvolvimento que posa com um desafio do ponto de vista da segurança, privacidade e confiabilidade.
Qual desses 10 fracassos tecnológicos você acha que é o pior? Tem outros exemplos para adicionar na lista? Deixe seu comentário.
Apple iOS 6 Maps: o fiasco da superpublicidade do iOS 6 foi a grande vergonha da Apple, que nos últimos anos parecia incapaz de cometer grandes erros. (Percalços como o serviço online Mobile Me são relativamente menores). Antes de lançar a versão do sistema operacional, a companhia declarou que o seu novo aplicativo Maps ultrapassaria as capacidades do veterano Google Maps, que estava sendo deixado de lado por causa da relação fria entre a empresa e o Google. Mas os usuários da plataforma rapidamente descobriram que o Maps era uma confusão, um aplicativo falho, com marcos faltando ou colocados no lugar errado, com direcionamentos errados e falta de informação de transportes públicos ou estações, entre outros. Isso levou o CEO da Apple, Tim Cook, a um pedido público de desculpas com a promessa de corrigir o aplicativo. Já o Google Maps fez um retorno triunfante para o iPhone em dezembro , após três meses foram da plataforma.
Google Nexus Q: chamado de “o primeiro player streaming social”, o Nexus Q teve sua curiosa estreia no tablet Nexus, do Google, em julho. Um dispositivo periférico negro, o misterioso Q foi projetado para o streaming de música, filmes e outros, por meio do Goolge Play e Youtube para sua HDTV, um receptor de áudio e vídeo ou alto-falantes. Amigos com dispositivos Android poderiam controlar o que é reproduzido em seu Nexus Q e até mesmo adicionar suas seleções na playlist do aparelho. Mas as coisas ficaram estranhas em outubro quando o Google tirou o dispositivo das prateleiras sem maiores explicações. O preço de US$ 299 era muito alto para um streamer? Apesar da breve e estranha história do Q, ele ainda tem sua página no Google Play, onde se lê: ?este dispositivo não está à venda no momento?.
Hewlett-Packard: um fracasso tecnológico digno de nota geralmente centra-se em um produto ou serviço em particular, mas a Hewlett-Packard ganhou um reconhecimento especial em 2012 por conseguir fazer quase tudo errado em 2012. Admitiu publicamente em novembro que havia pagado demais pela Autonomy, uma empresa de software que comprou há um ano por US$11,1 bilhões. Ao acusar a empresa de ter manipulado seus livros antes da aquisição, a HP teve um custo de US$8,8 bilhões após recalcular o valor de sua nova unidade de software. Como se isso não fosse o suficiente, a empresa sofreu um baque em seu ego quando a Lenovo se tornou a fabricante número um de PCs no mundo no terceiro trimestre do ano, segundo o Gartner. Afora isso, a HP ainda não ganhou espaço no mercado de dispositivos móveis, apesar de inúmeras tentativas fracassadas para construir smartphones e tablets que as pessoas realmente queiram.
Nokia Lumia 900: quando o Lumia 900, da Nokia, foi lançado no segundo semestre de 2012 na rede norte-americana AT&T, o aparelho Windows Phone tinha tudo para ser um competidor do duopólio iPhone/ Android. Suas especificações ? tela Amoled de 4,3 polegadas, LTE e lentes Car Zeiss de 8 megapixels ? eram impressionantes para um aparelho de US$ 100. Mas o dispositivo rapidamente fracassou nas suas expectativas de vendas, talvez por causa de sua resolução de tela de 800 x 480 pixels não ser páreo para seus competidores; ou talvez porque seu software Windows Phone 7.5, apesar de seus méritos, não tem apelo para compradores de smartphones. Seja qual for o motivo, o Lumia 900 não causou impacto. Ele agora custa somente um centavo com um contrato de dois anos com a AT&T, e o Lumia 920, com base no Windows Phone 8, o substituiu.
Oled TV: no começo de 2012, grandes fabricantes de televisões, como a Samsung e LG, anunciaram planos de lançar televisores de 55 polegadas com o recurso de tela organic light-emittin diode [Oled ? tecnologia criada pela Kodak em 1980, que promete telas planas muito mais finas, leves e baratas que as atuais telas de LCD; N. da T.] até o final do ano. Os televisores superfinos Oled têm cores mais vívidas, negros mais profundos e brilho e contraste superior quando comparados às plasmas e LCDs de hoje. Mas parece que as duas empresas estão reconsiderando seus planos, já que as Oled TVs se provaram caras e de difícil fabricação, segundo relatório da Digital Trends. Então, em vez de construir televisores que custarão US$ 8 mil e que poucas pessoas podem comprar, os fabricantes talvez troquem para 4K sets, que têm quase quatro vezes a resolução das TVs de hoje de 1080p. A grande questão: os consumidores estão prontos para televisores 4K? Sua banda larga provavelmente, não.
Windows 8: é muito cedo para afirmar que o Windows 8 é um fracasso; ou não? Do ponto de vista de design, é uma bagunça: as duas interfaces ? o tradicional Desktop e a nova Modern UI, voltado ao toque ? tornam a navegação excepcionalmente frustrante, particularmente para usuários Windows de longa data. Os clientes corporativos da Microsoft devem evitar a nova plataforma e se manterem com o Windows 7. A próxima jogada da empresa? Uma opção é largar a interface conjunta do Windows 8 e oferecer ou a Modern UI, que é muito boa sozinha, ou a versão Desktop, em suas futuras versões da plataforma. Se as vendas do Windows 8 comprovarem o fracasso, o Windows 9 deve surgir mais cedo do que o esperado.
Privacidade no Instagram: o Facebook tem um longo histórico de problemas de privacidade que provou a ira de seu um bilhão de usuários, mas a grande maioria não parece ofendida o suficiente para deixar o serviço. Então, talvez seja providencial que seu serviço de compartilhamento de fotos, o Instagram, pelo qual o gigante de rede social pagou US$1 bilhão nesse ano, também tenha tido sua própria gafe sobre privacidade. Após propor um novo acordo de termos de serviço que “parecia” permitir que a venda de imagens digitais de seus usuários para agências de publicidade, o Instagram rapidamente entrou no modo de controle de danos, esclarecendo em uma postagem de blog que não tinha nenhum intenção de usar as fotos de seus usuários em anúncios.
Ping: após dois anos agonizando, a rede social com foco em música da Apple recebeu a eutanásia em setembro. Anunciada com o uma ótima maneira de descobrir músicas novas no iTunes, ela nunca pegou. Durante sua breve vida ? o serviço foi lançado como parte do iTunes 10 ? o Ping não tinha integração com o Facebook, um fator essencial que limitou seu apelo e também teve problemas graves com spam e golpes. Quando licenciou o Ping, a Apple adicionou integração com o Facebook e Twitter para o iTunes, um movimento inteligente que deve chamar a atenção da mídia musical.
RIM: a Research In Motion certamente não morreu, mas sua condição é terminal? A queda da RIM, que era campeã em smartphone, foi para a única fabricante a continuar constantemente perdendo mercado para o Android e iOS. E as más notícias não param de chegar, entre elas, o crescimento da plataforma móvel revitalizada da Microsoft, incluindo a chegada de grandes aparelhos com o Windows Phone 8, como o HTC 8X. A empresa tem seus méritos, é claro, incluindo ecossistema corporativo estabelecido. E o BlackBerry 10, a próxima geração de SO de smartphone da RIM, deve chegar agora neste mês de janeiro. Mas ainda é incerto se o BB10 tem o suficiente para impedir a queda da empresa.
iCloud: maravilhoso! Um serviço em nuvem que automaticamente sincroniza e-mail, contato e calendário por meio de vários gadgets da Apple e armazena suas músicas, filmes, aplicativos e fotos recentes em servidores seguros? O tom foi atraente, mas a realidade é que o iCloud ficou aquém das expectativas ? pelo menos até o momento. Relatórios de violações de segurança, problemas de sincronia e quedas de serviço mostram que o iCloud deve definitivamente ser melhor trabalhado. E isso não é confortável para os usuários que esperam que o serviço se adeque à filosofia ?it-just-works? [simplesmente funciona] da empresa. Para ser justo, outros serviços de nuvem, como o Dropbox, tiveram seus problemas, mas as falhas do iCloud são outra indicação das dificuldades da Apple com serviços online.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini