Mais do que declarar guerra às intervenções humanas no gerenciamento da segurança cibernética e do armazenamento de dados, a Oracle tem outro alvo com o lançamento de seu banco de dados autônomo: a Amazon Web Services (AWS). E a companhia parece fazer questão de deixar muito claro quem é seu alvo no mercado de cloud computing.
Durante abertura do Oracle OpenWorld, evento anual da companhia realizado nesta semana em San Francisco (EUA) e que reúne cerca de 60 mil pessoas, Larry Ellison, cofundador e CTO da Oracle, não poupou alfinetadas direcionadas a sua grande rival de nuvem. Logo após apresentar a solução e suas vantagens – como redução de custos e ausência da necessidade de atuação humana -, veio a primeira promessa ousada: contratualmente cortar metade do preço para clientes que migrarem seus workloads da AWS para Oracle.
Mas, na verdade, a Oracle promete uma redução de custos ainda maior. De acordo com testes apresentados pela companhia, o preço da execução das mesmas cargas de trabalho custa de cinco a oito vezes mais com sistemas da Amazon. Em uma das seis comparações apresentadas, com o setor financeiro como exemplo, a AWS levaria 255 segundos para realizar o mesmo processo que a Oracle faz em 34 segundos. E, em termos de preço, a Oracle faria em US$ 0,04, enquanto na plataforma rival o valor seria de US$ 0,23.
Ellison desdenhou das promessas de elasticidade do Redshift, serviço de data warehouse da AWS, e garantiu que apenas a nova solução de armazenamento de dados da Oracle permitirá 99,995% de disponibilidade ao ano. “A Amazon é completamente manual. São custos altos com trabalho de humanos. A garantia de mais de 99% de disponibilidade da AWS não é real”, disparou.
Os “ataques” não pararam apenas em comparações das especificações das soluções. Segundo Ellison, a Amazon utilizou cerca de US$ 60 milhões em produtos Oracle no último ano. “Eles são um dos nossos maiores usuários. E todo ano isso cresce.”
A primeira “trégua” para a AWS foi apenas nos últimos minutos da apresentação, que deve duração total de uma hora. O alvo da vez foi a SAP, outra grande cliente Oracle, de acordo com Ellison. “A SAP tem três serviços SaaS e os três rodam em Oracle. Nenhum deles no Hana”, afirmou, citando a principal plataforma de banco de dados da fabricante alemã.
As cutucadas diretas entre as empresas de tecnologia são muito comuns nos EUA e acabam fazendo parte do “show” em cada conferência. Em maio deste ano, por exemplo, a própria SAP foi quem alfinetou a Oracle, durante o Sapphire, em Orlando, no Estado da Flórida.
A alemã conta com três provedores de nuvem como parceiros para oferta de suas soluções: Google, Microsoft e AWS. Questionado por jornalistas sobre a ausência da Oracle, Bernd Leukert, membro do board da SAP e líder da área de produtos e inovação, adotou o bom humor para a resposta. “Focamos apenas nos três principais. Deixamos os menores de fora”, brincou.
*O jornalista viajou a San Francisco (EUA) a convite da Oracle
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