No Brasil, nenhum aplicativo com mais de 10 milhões de downloads é pago. O dado é do estudo “O Perfil dos Aplicativos no Brasil”, encomendada pelo PayPal à BigData. Os resultados mostram que o brasileiro realmente não gosta de pagar por aplicativos para seu smartphone ou tablet (85% só fazem download de apps gratuitos). Portanto, a startup ou o desenvolvedor que deseja ter sucesso nesse mercado deverá buscar um modelo de negócios baseado em um aplicativo gratuito,que conte com formas alternativas de receitas – entre elas, a venda de parte do conteúdo ou o uso de banners.
Em volume, os games lideram com mais de 40% de participação entre os aplicativos com mais de 10 milhões de downloads, seguidos (muito de longe) pelas ferramentas de produtividade (como e-mail ou edição de texto), que batem os 10,5%. As outras categorias têm poucos “líderes”, segundo explica Thoran Rodrigues, sócio-fundador e CEO da BigData. “Olhando individualmente, os apps mais baixados são mesmo os das redes sociais e mensageiros. Por ordem, Facebook, Twitter e WhatsApp. Mas apps desse tipo exsitem poucos, contra centenas de games”, diz o executivo.
Entre os games, 21% dos mais baixados são puzzles (quebra-cabeças); 19,5%, games casuais (simples e rápidos de se aprender); e 16,5%, arcades (estilo fliperama).
Os apps de comunicação (troca de mensagens) são os que geram mais engajamento (medido por reviews divididos pelo número de downloads), o que indica um maior nível de utilização e de preocupação do usuário com esse gênero de aplicativo.
Os aplicativos gratuitos também geram muito mais engajamento entre os usuários do que os aplicativos pagos, respondendo por mais de 98% do total de reviews. Ainda de acordo com o estudo, as pessoas tendem a ser mais “generosas” quando avaliam aplicativos gratuitos, atribuindo notas mais altas a eles.
Para chegar a esses dados, a BigData processa mais de 2.5 Petabytes de dados públicos capturados na interface web das lojas de aplicativos, visitando 250 milhões de sites e 2,5 milhões de aplicativos semanalmente, por meio de robôs.
De acordo com a pesquisa, dentre os (poucos) apps pagos, os que mais despertam interesse do usuário são os que personalizam o aparelho. Os menos cotados são os de revistas e notícias. O valor mais comum cobrados por apps disponíveis na loja da Apple é de 0,99 dólares. Já na Google Play, varia de 0,99 a 1,59 dólares. “Geralmente, o grosso dos app custa mesno de 2 dólares”, comenta Thor.
Atualização
A pesquisa comparou também o ritmo de atualizações entre os apps pagos e gratuitos. “Verificamos que, na prática, os apps que alcançam sucesso comercial (via anunciantes e/ou patrocinadores) são os que são constantemente atualizados”, ressalta Thor.
E quanto menor o nível de atualização de um aplicativo, mais chance ele tem de cair no ostracismo. As empresas que atualizam frequentemente os apps – seja para a introdução de novos conteúdos, para aprimorar as versões, ou para atender às demandas dos usuários – têm apresentado um ciclo de vida mais longo.
Thor lembra que é comum a liberação de muitas atualizações no início do ciclo de vida de um aplicativo. “Mas, numa segunda fase, ele é “esquecido” pela empresa que o lançou. É importante evitar a prática, programando novas atualizações ao longo do tempo, o que demonstra o interesse da empresa em atender as demandas dos usuários”, conclui o executivo
PayPal quer ser referência
A pesquisa sobre o hábito de consumo dos brasileiros nas lojas de aplicativos é mais um passo do Pay Pal no sentido de se posicionar como parceiro e fonte de informação para empresas nascentes no universo mobile.
“Pouco se conhecia sobre o universo dos aplicativos no Brasil, um mercado fértil para startups e desenvolvedores, importantes públicos-alvo do PayPal”, comenta Paula Paschoal, diretora de Vendas e Desenvolvimento de Negócios do PayPal Brasil.
Em 2014, de todas as transações processadas pela PayPal no mundo,1 bilhão foram móveis, movimentando US$ 46 bilhões em pagamentos, um crescimento de 68% sobre 2013. Segundo o balanço da PayPal, 20% do volume líquido de pagamentos realizados em 2014 foram feitos por meio de dispositivos móveis. Portanto, há ainda muito espaço para crescer, junto com o mercado.
No Brasil, no fim do ano passado, outra pesquisa realizada pelo PayPal, esta em parceria com a da IPSOS, revelou que em cada R$ 100 gastos no e-commerce local, R$ 5 são provenientes de tablets e R$ 9 são de smartphones. Segundo esta mesma pesquisa, o mobile commerce no movimentou R$ 7,3 bilhões no país em 2014 e deverá chegar a R$ 15,1 bilhões em 2016. Estima-se que a média de crescimento do mobile commerce, de 2013 a 2016, seja de 46%. O dado contrasta com a média de crescimento de compras no e-commerce de brasileiros no mesmo período, prevista em 17%.
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