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Operadoras dão a largada para migração para IPv6

O Brasil deverá concluir a migração para o IPv6 (Internet Protocol versão 6) até janeiro de 2013. A previsão é do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Nic.br), ligado ao Comitê Gestor de Internet do Brasil. O órgão vem devolvendo uma série de ações para estimular os evolvidos no desenvolvimento da web no País a habilitarem em suas redes o novo padrão. As teles se comprometeram a entregar conectividade baseada na tecnologia até o meio desse ano e também realizar testes com o usuário final.

O IPv6 é o substituto do IPv4, o principal protocolo de comunicações da Internet, que está ficando sem espaço para endereços IP. A nova versão não é compatível com a antiga, por isso as operadoras de rede e sites precisam atualizar hardware e software para suportá-lo.

As operadoras de rede podem tanto trabalhar com ambos, no que é chamado de modo dual-stack, ou fazer a “tradução” entre IPv4 e IPv6. Apesar disso, especialistas dizem que o funcionamento simultâneo poderá gerar lentidão e custos extras, exigindo a substituição do antigo padrão.

Para medir o grau de adoção do novo protocolo no Brasil, o Nic.br realizou na semana passada um teste nacional com mais de 180 websites de aproximadamente 80 organizações do País que já tinham ativado a tecnologia.

A avaliação técnica em grande escala aconteceu na Campus Party durante a “Semana IPv6”. Participaram da iniciativa provedores de acesso, empresas de conteúdo, operadoras de Telecom, fabricantes e diversas entidades. Entre os que aderiram ao movimento estavam UOL, Alog, Globo.com, iG, Telefônica, Terra, e USP.

A “Semana IPv6” foi a versão brasileira inspirada no “World IPv6 Day”, teste mundial realizado em junho do ano passado. Como um dia foi pouco para fazer as análises, o Nic.br resolveu estender o período e aproveitar o laboratório da Campus Party, que segundo os organizadores atraiu cerca de 7 mil visitantes.

“O objetivo era verificar se o IPv6 iria funcionar sem quebrar o IPv4. A conclusão é que não houve prejuízo e alcançamos a nossa meta”, conta Antonio Moreiras, coordenador do projeto IPv6.br do Nic.br. A proposta era reunir não apenas os websites, mas também os provedores e os usuários para fazermos testes mais próximos da realidade.

A experiência, segundo o especialista, estimulou internautas a navegar em cima da nova tecnologia e deu oportunidade para as empresas corrigirem falhas.

Cronogramas

Moreiras destaca que é importante que os atores da internet brasileira acelerem o processo de migração. Ele observa que o IPv4 vai completar 30 anos em janeiro de 2013 e que está saturado. Os endereços IP com esse protocolo em está esgotando em todo o mundo, como é o caso da Ásia.

No Brasil ainda há estoque, mas vai acabar. O coordenador do Nic.br não sabe estimar com exatidão a data de término de endereços de IPv4 no País. A previsão é de que isso aconteça entre junho de 2012 e junho de 2014.

O endereço IP é a identificação única de todos os aparelhos conectados a Internet. Como os dispositivos móveis estão aumentando e vão crescer mais ainda com a chegada das redes 4G, que exigirão que cada celular tenha um número IP, a rede vai precisar de uma tecnologia mais avançada para oferecer um número maior IP.

Muitos dos maiores sites e provedores de Internet do mundo se comprometeram a habilitar permanentemente o IPv6 em seus produtos e serviços a partir de 6 de junho deste ano. Empresas como AT&T, Comcast e Time Warner estão entre os 7 provedores globais que confirmaram o prazo, juntamente com Facebook, Google, Yahoo e o Bing (da Microsoft).

No Brasil, as teles começaram no ano passado a implementação do IPv6 e se comprometeram a entregar conexões baseadas na tecnologia para o mercado corporativo a partir de julho deste ano.

Empresas como Algar Telecom (CTBC), Highwinds, LANautilus, Level3 (antiga Global Crossing) e TIWS já estão oferecendo suporte ao novo protocolo. A GVT concluiu os testes de conformidade em janeiro, enquanto Oi e Telefônica prometem adequação ao padrão a partir de julho. A TIM informou que está realizando a adoção do protocolo e que a atualização será de forma gradativa.

Juntamente com a preparação dos produtos corporativos para IPv6, o Nic.br recomenda que as teles realizem testes com usuários finais ainda neste semestre. Para os provedores de conteúdo e qualquer empresa ou instituição com página na web, a sugestão do órgão é que a preparação seja feita durante o ano de 2012. A idéia é que todos cumpram o cronograma para que o Brasil comece operar com IPv6 até antes de janeiro de 2013.

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