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Operadoras celulares não suprem demanda

O surpreeendente sucesso da banda larga móvel é o motivo da ausência de modems USB e placas PCMCIA de acesso veloz à internet nas lojas das operadoras celulares em muitos pontos do País.

Ou seja, por falta de avaliação mais precisa de sua demanda, as operadoras móveis Claro e Vivo estão perdendo vendas. O assédio de interessados foi muito superior às estimativas dos departamentos de marketing das duas companhias. A Claro lançou a rede terceira geração (3G) no fim do ano passado, antes mesmo do leilão de terceira geração ocorrer, em dezembro, porque dispunha de faixa de radiofreqüência ociosa em 850 Mhz.

Mas a campanha publicitária foi ao ar este ano com maior intensidade, provocando o desequilíbrio entre oferta e demanda.

O movimento acabou beneficiando as concorrentes, inclusive a Vivo, que não lançou sua rede de terceira geração em WCDMA ainda, mas que conta com a infra-estrutura anterior, em CDMA, que já oferecia velocidades de acesso elevadas e compatíveis.com os critérios de terceiração geração. A Vivo tem 400 mil clientes em 27 municípios brasileiros, onde conecta a internet em 300 a 800 quilobits por segundo (kbps).

Também as lojas da Vivo não têm placas e modems para vender, e a operadora não gastou um tostão em campanha publicitária por enquanto, apenas vivencia os reflexos da onda de demanda provocada pela Claro. A Vivo não informa a data precisa de seu lançamento de 3G, mas ele é aguardado para este ano.

As outras operadoras, entre as quais Oi, também deverão ter 3G até o fim do ano. A demanda, segundo especialistas do setor ouvidos pela Gazeta Mercantil, deverá continuar em curva de expansão acelerada. A pane do Speedy da Telefônica dias 2 e 3 últimos pode ter reforçado a idéia do consumidor de ter um acesso em banda larga móvel como alternativa.

Fornecedores em festa

As centenas de milhares de modems encomendados por uma única operadora celular são motivo de festa para os fornecedores de modems e placas de banda larga. A chinesa Huawei abocanhou a maior parte desse mercado no Brasil. Os outros incluem ZTE, Kyocera, Growell, Yiso, Aiko e Sungil. Há empresas olhando para esse mercado em plena expansão, como a Sony Ericsson.

Também os fabricantes de equipamentos de rede estão registrando reflexos positivos da demanda reprimida. A Ericsson, por exemplo, que fornece infra-estrutura para todas as companhias, excetuando-se a Oi, está engordando a carteira de pedidos dia-a-dia. “Depois do lançamento do serviço, as companhias estão sendo surpreendidas por sua aceitação progressiva e passaram a contratar expansões”, afirmou o vice-presidente da Ericsson, Carlos Duprat.

“O governo não esperava que houvesse ágio no leilão de freqüência e houve. As companhias não esperavam tantos clientes, e estão tendo de correr atrás.”, afirmou o executivo referindo-se a uma situação de ausência de competição na telefonia fixa que justificaria a corrida. “A grande parte dos 7 a 8 milhões de clientes da banda larga fixa existentes no País utilizam velocidades relativamente baixas, inferiores a um Megabite por segundo. Com isso, a alternativa das operadoras passou a ser bem-vista, porque acrescenta mobilidade e tem preços acessíveis”, afirmou Duprat.

O movimento quase automático de aumento da velocidade.pelas operadoras fixas e de TV por assinatura, na tentativa de fidelização de seus clientes, reflete o lado oposto da mesma questão.

No resto do mundo foi igual

As operadoras móveis européias e americanas viveram o mesmo desequilíbrio entre oferta e demanda que está ocorrendo no Brasil, afirmou o presidente da Qualcomm do Brasil, Marco Aurélio Rodrigues. Fornecedora de tecnologia de terceira geração, a empresa americana acompanha a introdução e evolução desse mercado em todos os continentes. “O fenômeno foi universal. A chegada da versão mais veloz da rede 3G (HSBPA) somou-se ao aparecimento, no segundo semestre do ano passado, do modem USB, que também conecta computadores de mesa e fez a demanda explodir”. Rodrigues referia-se à versão da placa PCMCIA só servir a laptops, o que certamente restringia parte da procura.

O modem USB é mais abrangente, e a população o aceitou bem, melhor do que as próprias companhias celulares previam.

Como no resto do mundo, a exigência do usuário de internet brasileiro vai crescer de forma acelerada. “No Reino Unido, pesquisa demonstrou que a expectativa de resposta a emails está diminuindo velozmente. As pessoas começam a perder oportunidades se não respondem a seus emails em até duas horas”, afirmou.

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