O Open Banking tem um enorme poder de transformação, mas sua curva de adoção não será tão rápida. Essa é a opinião de Fernando Radunz, CIO do BS2 – banco digital focado em pessoas jurídicas. Segundo ele, será necessário um processo de educação muito forte e, como exemplo, há o caso do Reino Unido, que está indo para o quarto ano de implantação com um modelo bastante parecido com o brasileiro.
“Compartilhar os dados bancários pode dar um ‘gelo’ nas pessoas, mas elas precisam entender que existe um arcabouço de segurança nisso. De toda maneira, vemos com bons olhos o Open Banking, especialmente na questão do crédito, pois é onde o benefício será mais perceptível. Ao consentir abrir os dados para outro player, o cliente provavelmente terá crédito mais barato”, comenta.
Mas, para isso dar certo, as empresas precisarão ter preparo tecnológico. Segundo ele, o volume de informações será gigantesco e é essencial ter capacidade de processamento e a Inteligência Artificial. Focando nisso, o BS2 adquiriu os ativos tecnológicos da fintech israelense Weel, para trabalhar os dados e dar crédito mais acessível para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
“O know-how do processamento de dados e de conceber crédito em big data são as grandes vantagens dessa aquisição. Com o Open Banking, teremos uma grande capacidade de trazer dados para dentro de casa e, se não soubermos processá-los, não vai adiantar”, diz o executivo. Atualmente, a empresa origina operações de crédito com a plataforma e, ao mesmo tempo, trabalha na estruturação de machine learning e big data.
Tecnologia é a base do BS2
Nascido como o Banco Bonsucesso, o BS2 começou a se transformar em meados de 2016. Porém, desde 2018, começaram a construção da plataforma PJ que, hoje, é o foco da empresa. E, para ajudar na jornada dos clientes, a mudança de chave aconteceu com diversas APIs abertas para os desenvolvedores.
“Se o cliente utiliza, por exemplo, uma forma de pagamento como Pix, pode se conectar as nossas APIs. O mesmo acontece com a nossa plataforma de emissão de boletos. Dentro do universo de Open Banking, a gente tem uma parceria com o Contabilizei, onde o cliente abre a conta em nosso banco com dois cliques a mais. Isso só foi possibilitado pelo uso de APIs”, revela Radunz.
De acordo com o executivo, as APIs são bastante críticas dentro do roadmap da companhia e começaram no processo de transformação digital. “O que nós fizemos foi um passo a mais para deixar as APIs públicas com toda a segurança e regulatória para que os desenvolvedores conseguissem acessar”, complementa.
Para isso, o BS2 tem times internos especialmente dedicados para essas ofertas. Agora, do ponto de vista de infraestrutura, a empresa está no ápice da jornada para cloud. “Fechamos um acordo com o Google no fim do ano passado, o primeiro semestre foi de estruturação da arquitetura visando segurança, governança. A gente iniciou as aplicações para cloud há aproximadamente três, quatro meses, com objetivo de ganhar resiliência, performance e escalabilidade”, finaliza o CIO.
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