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Open banking e a “guerra das contas”

Todos estão acompanhando a “guerra das maquininhas”. Isso não aconteceu por acaso. Um conjunto de regras criadas pelo regulador possibilitou o nascimento de vários concorrentes, levando à inevitável concorrência e consequente redução dos custos para os usuários. Estas regras foram alteradas anos atrás, demorou um pouco para observamos um grande impacto, mas este dia chegou.

Da mesma forma, começa agora um conjunto de alterações para o mercado bancário que pode, no limite, gerar também uma “guerra dos bancos” ou “guerra das contas”, dado que não é só banco que tem conta hoje em dia.
Vem aí o ‘open banking’! O titular de uma conta em uma instituição poderá compartilhar seus dados com outra.

Vamos conseguir usar nosso banco via APIs, agregando valor sobre elas, assim como agregamos valor sobre um smartphone, criando aplicativos interessantes. Isso vai abrir espaço para empresas mais qualificadas no trato do consumidor assumirem esta relação diretamente, mesmo que o dinheiro do consumidor esteja em outro banco que ele confia mais. Da mesma forma que você compra uma pizza pelo Rappi ou iFood, que não fazem pizza, quem sabe vamos conseguir comprar um CDB por meio deles no futuro?

Os grandes bancos tinham que encontrar a inovação antes que os inovadores achassem a distribuição. Pois bem: quem é distribuição poderá atuar com produtos bancários mesmo sem ser banco. Talvez a “distribuição” tenha encontrado a inovação e não os inovadores tenham encontrado a distribuição. Os varejistas e todos detentores de transações terão um ambiente dos sonhos para inovar e embarcar as transações bancárias em suas transações.
Se os varejistas poderão trabalhar com produtos dos bancos, que tal os bancos trabalharem com varejo? Talvez não seja estranho eu ver um anúncio de um smartphone na TV e o app do meu banco perguntar “quer um por apenas R$ X?”. Se eu responder sim, pronto: o produto vai chegar em casa. Tudo isso pode ser feito pelo app do banco, que atuou, na prática, como um marketplace.

Da mesma forma, aplicativos que geram QR Code para pagar não precisarão mais ficar reféns dos cartões de crédito e seus’ chargebacks’ por transações não presenciais. A carteira  destes aplicativos poderá ter contas bancárias acessíveis via API, autorizadas pelo usuário do app que também é titular da conta. Os bancos podem simplesmente oferecer limite rotativo de crédito para estes aplicativos, fazendo que uma transação de pagamento móvel com QR Code não possa ser paga pelo usuário só num dia do mês, como um cartão de crédito, mesmo com o lojista recebendo a vista. E tudo isso sem uma bandeira para viabilizar a conexão.

Para por aí? Não! Uma mudança tão grande como esta vai habilitar muitas inovações. Teremos um mar de possibilidades e pessoas criativas certamente vão criar aquilo que até então era impossível e que, na mente de muitos, vai continuar impossível pela força do hábito. O ‘open banking’ vai mudar muita coisa e vai gerar muitas oportunidades para o mercado mudar, de novo.

*Carlos Netto é CEO da Matera

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