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Office 15, da Microsoft, pode responder a touchscreen. E isso não é bom

O Windows 8 não é a única coisa que a Microsoft está preparando. Há também a nova versão do Office – e se a fabricante planeja uma melhoria para o pacote de produtividade de forma que combine com o novo sistema operacional, precisa ter em mente: a versão 8 da plataforma pode funcionar em tablets, mas o Office, em sua essência, não.

As novidades acerca do “Office 15” vieram em sua maioria  de uma postagem de blog de PJ Hough, vice-presidente corporativo de desenvolvimento do Microsoft Office. Há pistas de que será a mudança mais ambiciosa da divisão do produto, que será sincronizado a diversos outros produtos da marca.

A maior parte do alarde em torno da postagem gira em torno dos serviços Office 365, Exchange, SharePoint, cloud computing, etc. Todos esses recursos devem animar a maioria dos clientes corporativos do Office 15, que são aqueles que usam as adições que, para nós, parecem irrelevantes.

Há outra possibilidade na nova versão do pacote de produtividade. Dado ao montante de esforço que a Microsoft teve para dar à interface de usuário a tecnologia de toque no ambiente do Windows 8, quais são as chances de a próxima revisão do Office funcionar da mesma maneira?

Faz sentido. A Microsoft canaliza suas energias para lançar o Windows em tablets – e lançar os aplicativos Windows para tablets também. Isso pode significar que a próxima geração de cada app de desktop da Microsoft será, de alguma forma, lido pelo Metro, porque qual é a vantagem de um Windows touchscreen sem vários aplicativos sendo executados nele?

Há apenas um problema com essa ideia: é a falta de compreensão de mercado, tanto para o Office, quanto para tablets.Quase todo mundo que compra um tablet usa também  outro dispositivo. Quando usuários de tablets trabalham, é em um notebook ou em um desktop.

Tablets, por sua natureza, não permitem o tipo de criação de conteúdo que envolva a digitação. Quero muito acreditar que isso se deve mais à acomodação do usuário à tecnologia do que a limitação do recurso, mas continuo cético. Ano passado estava em uma conferência com meu laptop, enquanto uma mulher do meu lado usava seu iPad. Ela digitava muito bem, apesar de que notei que a tecla que mais usava era o backspace. (Havia um homem ao seu lado, usando um iPad com um teclado acoplado. Seu desempenho era bem melhor)

A suíte do Office é voltado para teclados, e até que a tecnologia ou o desempenho do usuário na digitação em tablets melhore, suspeito que os usuários não se importarão com o Office. Claro, é possível atar teclados a qualquer tablet, mas com isso cai por terra o propósito do dispositivo: por que então não usar simplesmente um notebook? A economia seria maior e você não precisaria limpar a tela das marcas de dedo o tempo todo.

Uma versão do Office centrada no toque não teria grande uso, porque a grande maioria prefere usá-lo em PCs ou notebooks. O restante – pessoas que usam Gmail em vez de Outlook, Google Docs em vez de Word e cuja criação e conteúdo consiste em sua maioria de atualizações no Twitter e Facebook – não sentirão falta do Office.

Outro problema pode ser resumido em apenas uma palavra: Metro.

Dar ao Office a interface Metro será uma ótima maneira de torna-lo inútil. Odiei o Metro na Windows 8 Community Technology Preview, não porque ele tem interface de toque, mas porque a mania da Microsoft de deixar tudo simples acabou com algumas das funcionalidades das quais eu dependia.

Se a Microsoft der ao Office um “modo Metro”, ele será só isso: um modo, uma faceta do programa. Consigo visualizar, por exemplo, a visualização de documento no Word sendo natural no Metro, ou a apresentação do Powerpoint.

Se é o que a empresa tem em mente, ótimo. Mas tornar a interface do Office centrada no Metro seria um desastre.

Claro que a Microsoft não tem opção a não ser testar a versão de toque com o Office. O Office é uma plataforma do Windows, e se a empresa descartasse a extensão seria suicídio comercial. A Microsoft só precisa ter em mente que não deve  alienar sua base de clientes que compram o Office.

E todas essas pessoas usam teclado.

Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini

 

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