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O RH finalmente se prova estratégico ao negócio

Por muito tempo, a área de recursos humanos foi vista como algo periférico ao negócio e que não tinha grande impacto na operação em si. Graças à tecnologia, os profissionais da área têm demonstrado cada vez mais sua importância para o bom desempenho da empresa e conquistado cadeira cativa nas tomadas de decisões estratégicas.

Na pesquisa Talent Trends, realizada em 2018 pela Randstad, 90% dos entrevistados brasileiros afirmaram que a tecnologia está auxiliando efetivamente na melhor tomada de decisão de recrutamento, enquanto 94% acreditam que ela é responsável pelo aumento da atração, engajamento e retenção de talentos.

Na etapa dos processos seletivos, o uso da tecnologia proporciona maior produtividade ao permitir uma busca mais assertiva, além de maior agilidade na contratação. Também é por meio dela que um problema antigo tem sido resolvido: os candidatos começam a receber feedbacks e conseguem acompanhar o andamento do processo praticamente em tempo real.

A inteligência artificial (IA) está transformando a dinâmica das etapas, com leitura de emoções em entrevistas por vídeos. Por exemplo, e desenvolvimento de jogos personalizados para os valores organizacionais que afinam o perfil do candidato com a empresa. Isso permite não apenas mais agilidade e melhor gestão do processo, como diversificação dos contratados – afinal, seria complicado para um candidato de Belo Horizonte se deslocar para São Paulo para diferentes entrevistas.

Mas não é só essa ponta do RH que a tecnologia está transformando. A gestão interna de recursos humanos das empresas também tem experimentado bons resultados. Ao assumir tarefas burocráticas e processuais do dia a dia, ela permite que os funcionários foquem no planejamento e na gestão estratégica. Otimização de tempo, automatização de tarefas, mensuração de resultados e aceleração nos processos são só alguns dos benefícios que o uso da tecnologia traz para as empresas. A mesma pesquisa mostra que 72% dos empregadores esperam que funcionários com maior conhecimento fiquem livres para desempenhar trabalhos mais complexos.

Felizmente, o Brasil tem ótimo aceitamento da tecnologia no RH e vem dando passos importantes para a implementação de novas ferramentas. O País ganhou nove pontos na nota que mede a disponibilidade de adotar tecnologias em processos de RH, avançando seis posições na comparação com outros mercados. Quando medida a taxa de adesão, a nota cresceu em menor velocidade, com um total de quatro pontos a mais, mas ainda é um ótimo indicador, posicionando o País no mesmo nível de mercados com mais maturidade – ponto positivo para nós!

Nesse caminho de desenvolvimento tecnológico, vale redobrar o cuidado no fechamento completo do ciclo de gestão de dados – análises confiáveis e comunicação entre ferramentas são essenciais! – e estar pronto para abrir mão do conservadorismo. Ganha essa corrida pela eficiência na gestão de dados do RH quem assumir a responsabilidade de mudar o modo de operação tradicional, ao invés de esperar para copiar o modelo que der certo.

Mas atenção! Quem acredita que a tecnologia ocupará completamente o lugar do humano no trabalho está errado. Ainda que a tecnologia adiante etapas, o olhar humano é indispensável, tanto no recrutamento quanto na gestão do talento. A exemplo, a pesquisa aponta que a checagem das referências do candidato e a seleção via entrevista de vídeo são as tarefas que todos preferem manter sob a responsabilidade humana.

*Diogo Forghieri é diretor da unidade de negócios Randstad Sourceright

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