Uma pesquisa realizada pela Capgemini no Brasil mostrou que o modelo mais utilizado para entregar serviços em nuvem hoje é o software as a service (SaaS). Cerca de 92% das empresas no País adotam pelo menos uma solução nesses moldes. O cenário parece ideal para quem quer empreender com uma solução em SaaS, mas é preciso ter em mente que existem alguns fatores que devem ser considerados nesse mercado.
O primeiro são as pessoas. Deve haver uma sinergia desde os sócios até o time que irá colocar a mão na massa para ajudar a construir esse sonho. É preciso que todos tenham o mesmo comprometimento, a mesma ética e um bom relacionamento entre si. Afinal, nenhum empreendedor chega a lugar nenhum sozinho. Mas existe o outro lado desta moeda: o das pessoas que não se encaixam nas características e na cultura da empresa.
Para que o negócio cresça rápido e eficiente – o que vou dizer é duro, porém é a realidade – ao trabalhar com pessoas é preciso aprender a contratar rápido e demitir rápido. Pessoas boas e engajadas costumam mostrar para o que vieram em trinta dias, já pessoas que não possuem afinidade com a cultura organizacional da empresa não mostram resultado e engajamento. Neste caso, é preciso demitir rapidamente para não adiar um problema que é certo que vai acontecer.
O segundo fator que deve ser considerado por quem quer empreender em SaaS é que a concorrência sempre será grande. No setor, diariamente diversas pessoas têm ideias inovadoras para otimizar processos e o desejo de empreender. A questão é que só isso não segura a estrutura de uma empresa. Se destaca nesse mercado quem tem um propósito. O produto que se quer vender precisa resolver um problema real para que haja engajamento do público-alvo e, assim, uma tração nas vendas.
A partir daí, diversas etapas merecem atenção: encontrar parceiros, vender, definir canais de distribuição e estabelecer uma metodologia e processos de venda que funcionem e que garantam a escalabilidade.
Apesar de todas as empresas precisarem passar por esse ciclo, essa etapa é sempre diferente em cada uma delas. Por exemplo, dependendo do estágio do negócio, o ciclo de vendas pode ser de sessenta dias ou de seis meses ou até de um ano. Claro que cada modelo de negócio funciona diferente, mas é importante que os empreendedores façam a roda girar rapidamente e diminuam o tempo desse processo o quanto antes. Para isso, ter um produto que feche vendas diariamente com um ciclo mais curto é fundamental.
No fim das contas, com a estrutura toda alinhada, a cereja do bolo é construir um produto que as pessoas gostem. Para isso, testar, validar e melhorar de forma ágil é o segredo para sua empresa chegar lá. Esse é o principal aprendizado que tivemos na nossa história; a capacidade de testar e pivotar rapidamente para chegar em soluções que realmente melhorem a vida das pessoas.
*Cristian Aquino é CEO da Camerite
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