Os projetos Apache operam independentemente, mas têm padrões de
comportamento comuns, conhecidos coletivamente como “O Modo
Apache”. Esses padrões são normalmente adotados (e às vezes adaptados)
por novos projetos de código aberto e fundações que buscam reproduzir o
sucesso da Apache. Mas só a Apache Software Foundation pode se gabar de 17 anos de experiência do “Modo Apache”.
O primeiro lançamento do Apache OpenOffice
na Incubadora Apache é iminente. A Incubadora Apache é onde todo o
código entra na fundação, e onde uma nova comunidade aprende o “Modo
Apache”. A graduação da Incubadora é o reconhecimento como um verdadeiro
projeto Apache, digno de levar a marca Apache.
Acho que seria útil observar os processos
comuns da Apache no contexto do OpenOffice. O objetivo é duplo.
Primeiro, ele vai ajudar a entender como funciona o trabalho em um
projeto Apache. Em segundo lugar, vai ajudar a avaliar o quão perto da
graduação o projeto está.
Abaixo estão discriminados a maioria dos processos mais comuns
encontrados em todos os projetos na Apache. Também está a minha opinião
de como o OpenOffice está fazendo em cada caso. Eu sou um mentor no
OpenOffice, mas estas são as minhas opiniões pessoais, não
necessariamente as mesmas dos outros mentores.
Um Comitê de Gerenciamento de Projeto (Project Management Committee –
PMC) supervisiona cada projeto em nome de seus usuários, colaboradores,
publicadores (committers) e da própria fundação. Ao entrar em
incubação, o PMC é conduzido pelos mentores da fundação. Após a
graduação, os mentores se retiram, ou se tornam membros equivalentes no
PMC. O PMC do Apache OpenOffice já está em funcionamento,
independentemente dos seus mentores.
Novos publicadores e membros do PMC são eleitos pelo próprio PMC com
base no mérito. No último trimestre, o OpenOffice votou em uma média de
dois publicadores por mês, em reconhecimento das suas contribuições para
o projeto.
Todas as decisões, com exceção das relativas aos indivíduos (votos
por exemplo, para novos publicadores) acontecem na lista de discussão
pública, as discussões na lista privada são mantidas a um mínimo. Não há
discussão inadequadamente tornada privada no OpenOffice.
“Se não aconteceu na lista dev, não aconteceu”, significando que
nenhuma decisão sobre o projeto pode ser feita fora da lista pública do
desenvolvimento. As propostas podem ser elaboradas em outros lugares,
mas as decisões ocorrem na lista pública. O Apache OpenOffice está
começando a planejar as tarefas principais de integração do código
apropriado do Lotus Symphony. É gratificante ver que isso está sendo
tratado de forma delicada e transparente nas listas públicas.
Sempre que possível, as decisões são tomadas por consenso através do
diálogo. Existem regras de votação, mas nós preferimos não ter que
votar. Um projeto grande, como o OpenOffice, seria difícil de esperar em
encontrar um consenso, e certamente este foi o caso nos primeiros seis
meses de incubação. No entanto, agora o projeto está em muito boa forma,
com a discussão cada vez mais saudável, levando a um amplo consenso
dentro da comunidade do projeto.
As versões são criadas de acordo com as exigências da licença da AFS.
O Apache OpenOffice 3.4 está em fase de congelamento de código por
quase um mês, para permitir uma auditoria completa do estado de IP do
projeto. OpenOffice 3,4 será a primeira edição do OpenOffice.org sob a
licença Apache. As versões futuras serão muito mais simples, graças ao
árduo trabalho para este primeiro lançamento.
As marcas e logotipos utilizados por projetos da ASF pertencem a ASF.
Todas as marcas e logotipos apropriados relativos ao OpenOffice.org
foram assinadas pela Apache Software Foundation.
Os projetos Apache são gerenciadas por um grupo diversificado de
pessoas, cada uma representando os seus interesses próprios dentro do
projeto. As decisões da Apache fazem que os processos evitem “voto em
bloco”, que controlam o processo, garantindo que cada voz tenha o mesmo
nível das outras. Este último ponto vale a pena tratar logo adiante em
mais detalhe.
Quando o projeto Apache OpenOffice veio para a fundação, muitos
críticos afirmaram que seria um projeto somente da IBM. Eu me inscrevi
como um mentor, em parte, porque estava preocupado com essa
possibilidade. Eu não queria uma única empresa controlando o sistema. Eu
queria garantir que o “Modo Apache” seria seguido ao pé da letra, para
que todos os participantes tivessem a oportunidade de se expressar. No
entanto, as minhas preocupações eram, em grande parte, infundadas.
Embora existam uma série de grandes personalidades no projeto, são de
diversas origens, o que é suficiente para que o projeto possa operar de
forma saudável, através da adoção do “Modo Apache”. Eu já não tenho
quaisquer preocupações a este respeito.
Em preparação para este post, fiz uma enquete rápida entre os
publicadores do projeto perguntando por que eles estavam lá. Eu queria
dar uma sensação da verdadeira diversidade da sua qualidade profissional
e habilidades representadas. É impossível enumerar exatamente de onde
os contribuintes vêm, porque projetos Apache não se preocupam com a
situação de emprego. No entanto, cerca de 25% de todos os publicadores
respondeu ao meu pedido. Esta amostra representa pelo menos 21
diferentes empresas.
Aqui está uma seleção das respostas à questão sobre o que fazem:
– Construir um ecossistema ODF
– Polinização cruzada de projetos Incentivo e adoção de padrões
– Portabilidade para plataformas específicas
– Ferramentas para o desenvolvimento de Extensões
– Hospedagem de extensões (obrigado Sourceforge)
– Desenvolvimento de extensões
– Traduções
– Desenvolvimento da comunidade regional
– Apoio educacional para OpenOffice
– Criação de opções de escolha e conscientização
– Acessibilidade
– Suporte ao usuário
– Documentação
– Suporte à migração da Oracle (embora ainda temos participação ativa da Oracle, apesar da migração estar completa)
– Auto-educação / formação
– Diversão
O projeto OpenOffice provou que pode fazer o “Modo Apache” trabalhar a
seu favor. O lançamento do próximo OpenOffice não é apenas o último
grande obstáculo antes da graduação, mas também será o dia em que o
ecossistema do Open Document Format – ODF – receberá um conjunto de
ferramentas permissivamente licenciado sobre o qual poderá inovar.
Há momentos emocionantes pela frente.
(*) Ross é um publicador (committer) e membro dos PMC de uma série de
projetos Apache, campeão e mentor em projetos de incubação, incluindo o
OpenOffice.org, e vice-presidente do projeto de desenvolvimento
comunitário. É também um dos fundadores da OpenDirective, empresa
especializada em fazer as conexões entre o setor de pesquisa acadêmica, o
produto comercial e o setor de prestação de serviços. Texto traduzido por Claudio F. Filho.
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