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O Google Chrome OS, o HTML5, e a nova plataforma Web

Um amigo e eu discutíamos outro dia se é apropriado encarar o Google Chrome OS como uma plataforma.

Nós, na imprensa de tecnologia, costumamos usar os termos “sistema operacional” e “plataforma” de forma intercambiável, mas nem sempre são a mesma coisa. Ubuntu é um sistema operacional, por exemplo, mas não é realmente uma plataforma. A plataforma, nesse caso, é o Linux.

O Chrome OS também é baseado no kernel do Linux, mas como ambientes de usuário, ele oferece muito menos do que o Ubuntu. O Chrome OS dá boot a partir de uma versão do navegador Chrome, virtualmente indistinguível da versão do navegador para Windows ou Mac, e nada mais. O sistema operacional não suporta nenhum outro aplicativo, exceto aqueles que executados dentro do navegador.

Na prática a Google quer que troquemos nossos notebooks com Windows, Linux ou Mac OS X por máquinas sem disco rígido, permanentemente conectadas à Web e equipadas com um sistema operacional que é praticamente um navegador rodando em tela cheia. Os aplicativos viram sites web 2.0 e nossos arquivos 9de qualquer espécie) serão armazenados “na nuvem”, onde estarão sempre à disposição, desde que haja uma conexão à internet.

Isso quer dizer que o Chrome é apenas um navegador, intercambiável com todos os outros navegadores? Se sim, então não parece ser apropriado tratá-lo como uma plataforma, quando tudo que ele faz é mostrar-nos os mesmos sites e aplicações que sempre usei.

Mas talvez isso não esteja certo. Mais do que qualquer fornecedor de outro navegador, a Google vem evoluindo de forma agressiva o Chrome para incluir recursos e capacidades que o diferenciam de um navegador Web clássico. A Google está fazendo mais do que apenas o desenvolvimento de tecnologia. Está implementando uma visão. Hoje, o navegador Web – e Chrome em particular – assemelha-se a uma plataforma completa de desenvolvimento de aplicações.

Quer uma prova? Confira o novo “Field Guide to Web Applications”, publicado esta semana pela equipe de relações com os desenvolvedores do Chrome. É essencialmente um curso intensivo no mundo do desenvolvimento de aplicações Web. O que é interessante, porém, é que a definição de um aplicativo da Web do Google pode não ser bem a mesma que você julga saber de cor.

Para começar, o guia faz uma clara distinção entre Web “APPs” e “Sites”. Ao contrário de sites simples, diz o guia, aplicativos da Web têm interfaces de usuário (UI) ricas e que usam técnicas assíncronas – se você não domina AJAX, está fora. Além disso, ao contrário de sites, aplicativos Web “incentivam as pessoas a interagirem, participarem e realizarem algo, em vez de passivamente ver o conteúdo.”

Até aí tudo bem, mas o Google vai ainda mais longe. Segundo o guia, aplicações web aproveitam o tamanho das janelas do navegador disponíveis para elas. Elementos tradicionais de navegação do site são escondidos da visão do usuário, e controles do navegador, como o botão “Voltar” são desativados. Em vez disso, os aplicativos da Web usam os mesmos paradigmas dos aplicativos de desktop – botões parecem botões, caixas de diálogo parecem caixas de diálogo, e os usuários podem seguir padrões de interface de usuário tradicionais, tais como o drag-and-drop.

Há mais. Web Apps, diz o Google, seguem “principalmente” um modelo de arquitetura do lado do cliente. Isso significa que lida com a maioria da lógica da aplicação no próprio navegador, em vez de se conectar constantemente a um servidor de aplicativos. Eles também trabalha offline (que nem todos os serviços do Google são capazes de trabalhar ). Se isso não for suficientemente ambicioso, as aplicações Web usam os recursos do dispositivo onde estão sendo executadas, o que significa não apenas a tela e os dispositivos de entrada tradicionais, mas também recursos como GPS, acelerômetros, sensores ou qualquer outro que esteja disponível.

Gostou? Ainda é cedo para julgar se o Chrome OS será ou não um sucesso. Seu futuro depende de vários fatores, incluindo apoio dos fabricantes e dos desenvolvedores, além é claro, do nível de compreensão e aceitação dos usuários do modelo que propõe. O próprio sistema está em desenvolvimento e muita coisa pode mudar, mas ão acredito que a Google irá se desviar muito dos conceitos básicos que vemos hoje. Então, melhor acompanhar de perto.

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