Recentemente, uma “explosão digital, exponencial e combinatória”, definição cunhada por Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee no livro “The Second Machine Age” (A Segunda Era das Máquinas), tornou realidade tecnologias até então concebidas apenas como ficção científica: de carros elétricos sem motorista a aplicativos que conversam com humanos em qualquer idioma, de sofisticadas ferramentas de big-data a viagens espaciais para pessoas comuns. A onda causada por essa explosão trouxe consigo a reinvenção da nossa relação com o dinheiro, tornando quase impossível estar imune à força transformadora da tecnologia.
No Brasil, nos últimos 20 anos, a internet foi responsável por diversas mudanças na maneira de comprar e pagar dos consumidores. O investimento considerável em tecnologia da informação, realizado pelas Instituições de Pagamento online, permitiu a construção de uma relação de confiança entre compradores e vendedores no mundo virtual.
A ‘Explosão Digital’ do conceito de e-Wallet já é uma realidade por aqui com a adesão rápida dos e-consumidores ao pagamento móvel. Uma solução tecnológica, representação virtual da tradicional carteira de cartões e dinheiro em espécie, guarda nossas informações pessoais de pagamento no smartphone para que possam ser usadas de maneira rápida e prática nas transações do dia a dia. Em um futuro próximo, essas transações estarão conectadas a novos formatos de criptografia viablockchains (bancos de dados seguros descentralizados), transformando nosso dinheiro em algo totalmente proprietário e imune a esquemas maliciosos.
Em relação aos processos financeiros, a ‘explosão exponencial’ é o chamado peer-to-peer (P2P), o envio de dinheiro entre pessoas, de qualquer lugar do planeta, através de seus celulares. Com um toque na tela do smartphone, colegas e amigos podem transferir ou receber dinheiro com total segurança. A identificação já é feita por biometria e a transação é realizada na conta oferecida por uma instituição de pagamento online. No Brasil isso é realidade e tem um potencial enorme de crescimento, especialmente se considerarmos que, segundo o IBGE, cerca de 40% da população economicamente ativa do país não têm conta bancária, mas possuem um celular.
Grande parte dos Milleniuns, pessoas nascidas entre 1980 e 2000, já não vê necessidade de interagir com instituições offline. É possível pagar contas, enviar dinheiro, remeter moeda estrangeira, solicitar cartões e até obter empréstimo pessoal ou empresarial sem a necessidade de ser “bancarizado”. As chamadas FinTechs – Financial Technology Businesses -, ou empresas de tecnologia financeira, oferecem essa ‘explosão combinatória’ com soluções no formato favorito das novas gerações: a partir de um aplicativo mobile. O acesso é instantâneo e pode ser feito por qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer hora e de forma totalmente segura.
O acesso aos meios virtuais de pagamento também disseminou no ambiente da economia o conceito de OmniChannel. O consumidor pode iniciar uma compra no notebook e finalizá-la no celular, ou até mesmo presencialmente, se a mercadoria for retirada na loja, por exemplo. Não há barreiras entre os diversos canais de acesso online e os Mobile POS, as chamadas “maquininhas de cartão” do mundo offline. Todos estão unificados na nuvem por aplicações totalmente criptografadas e permitem melhores índices de conversão nas transações comerciais, atendendo às demandas de consumidores e vendedores.
O que dizer então do dinheiro diante desses que são apenas os primeiros efeitos da “explosão digital, exponencial e combinatória”, pela qual ainda estamos passando? Seguramente não será o seu fim, mas nossa relação com ele será cada vez mais fluida e pautada em um mero meio de troca invisível e imperceptível.
*Marcelo Coelho é diretor geral do MercadoPago.com e vice-presidente da câmara.e-net-Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico
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