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“To Bing or not to Bing” – eis a questão

Já faz muitas semanas que a Microsoft anunciou seu novo mecanismo de busca, o BING. Desde então venho utilizando, dividindo as buscas com o velho e bom Google. Nada como um largo período de testes para assimilar muitas coisas interessantes. Eu nem pensei em escrever sobre ele, mas mudei de idéia. Eu tinha pensado em chamar esta coluna de “Bing-encantos e desencantos”, mas o nome shakespeariano pareceu-me mais adequado.

Definitivamente não é um MSN Search ou Live Search que foi apenas maquiado ou ligeiramente melhorado. É um produto novo. A propósito as telas do BING alternam paisagens que são lindas. Suas grandes virtudes são as buscas relacionadas, recurso que só reparei depois que usei o buscador por várias vezes. Também ficam à mão as últimas operações que foram realizadas. Muito prático quando se deseja retornar a uma URL e nem se lembra mais como chegou nela. É como se suas buscas deixassem um “rastro” (que podem ser apagados para preservar a privacidade do usuário). Além disso, as buscas podem ser refinadas por idioma, região, país, etc.

Um dos recursos mais legais é a busca por imagens, pois organiza os arquivos localizados por tipo de foto, tamanho, estilo, objetos ou pessoas (detecta faces nas imagens). Muito original, útil e criativo. Adicionalmente quando se clica em uma imagem, esta apareceno centro da tela a todas as outras ficam à mostra em uma pequena faixa no lado esquerdo da tela para facilitar a navegação entre elas.

A Microsoft fez um ótimo trabalho, isso é fato. Mas não é fácil superar toda a experiência acumulada do Google neste segmento. Vou ilustrar isto com uma seqüência de buscas que fiz. Eu tinha escrito aqui no FORUMPCs um texto no qual eu contava alguns casos de problema com operadoras de serviços. Queria encontrá-lo. Lembrava que logo no começo do texto eu contara uma passagem muito interessante ocorrida em uma central de correios e telégrafos na Bolívia. Fiz a busca deste texto no GOOGLE e no BING. Procurei pelas palavras chaves : Xandó Telegrama Bolívia. Vejam abaixo a resposta que o Google trouxe:

O resultado foi amplamente satisfatório! Achei meu texto. Em primeiro lugar da lista por conta da relevância das palavras-chave. A propósito o texto é Abuso das Operadoras. Afinal qual é o serviço? , são três “causos” de encrencas com prestadores de serviços e a semelhança funesta entre eles.

Em seguida fiz a mesma busca no BING. Esperava um resultado muito parecido. Qual não foi minha surpresa!! O resultado foi bizarro!! Vejam por vocês mesmos!! Podem inclusive reproduzir o resultado fazendo a mesma busca.

Para meu espanto, não somente o meu texto nem apareceu (devia estar perdido no meio dos 83 resultados localizados), como os resultados que surgiram no topo da busca eram de natureza sexual e explícita. Nada contra o tema, interessante por sinal, mas não era o que eu estava procurando.

Inconformado resolvi refinar a busca inserindo a palavra FORUMPCs na pesquisa. Vejam os resultados obtidos:

Dessa vez o BING não achou nada enquanto o GOOGLE achou somente duas páginas, sendo a minha coluna a primeira delas. Certamente o BING não inclui a própria URL na busca e por isso não encontrou, ao contrário do Google.

Mas ainda fiquei muito ressabiado com o aparecimento de muitas páginas “alienígenas” na busca do BING. Resolvi abrir alguns daqueles sites. Vejam um exemplo abaixo:

Este site usa um expediente velho conhecido. A página contém um número IMENSO de palavras diversas para enganar o mecanismo de busca. Tive a paciência de copiar e colar as palavras todas em um documento de Word. São quase 85.000 palavras, diversas delas repetidas. Havia 5 vezes Bolívia, 4 Xando (sem acento-baiXANDO, piXANDO, deiXANDO e XANDO) e Telegrama uma vez. PRONTO, o documento ficou tão relevante que estes documentos esdrúxulos tomaram o lugar do documento que eu queria achar. O GOOGLE não caiu nesta armadilha!!! Porque???

Como disse antes, experiência é tudo. São anos e anos de “janela”. O sistema do BING não tem a esperteza para descobrir estes documentos forjados. Da mesma forma as pessoas que fazem sites já conhecem como lidar (seriamente) com as palavras-chave e as “meta-tags” que auxiliam os “robôs” que vasculham e indexam os sites. Será que os “Robôs” do BING não poderiam aproveitar as TAGS feitas para o GOOGLE? Seria um atalho e tanto para eles.

Tenho certeza de que os engenheiros de sistemas da Microsoft devem estar passando horas e horas, noites em claro, pesquisando a solução para este tipo de problema. Consegui reproduzir resultados bizarros usando outros conjuntos de palavras. Eu de fato gostei do BING por sua interface agradável, sua ótima busca de imagens e mesmo bons resultados nas pesquisas. Mas desde que descobri este fenômeno, quase sempre tenho feito minhas pesquisas no BING e confirmo o resultado no GOOGLE. Espero que com as críticas construtivas feitas por mim e pela imensa comunidade de usuários o BING possa evoluir este pouquinho que falta sair da versão BETA e corrigir este detalhe. Espero o dia que eu possa usar o BING sem precisar fazer a “contra-prova” no GOOGLE.

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