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O Big Brother vem aí. O de verdade…

Melhor qualidade, menor preço

Quanto a TV nasceu ? e eu, testemunha ocular da história que sou, acompanhei seu nascimento no Brasil durante os anos cinquenta do século passado ? a qualidade da imagem era pífia. A resolução vertical passava pouco das duzentas linhas de pontos que tremeluziam em diferentes tonalidades de cinza, piscando bravamente em um tubo de imagem de raios catódicos no comovente esforço de formar imagens em preto e branco.

Agora, são comuns os aparelhos de alta definição, tela plana, LCD ou LED, capazes de exibir alguns milhões de tonalidades de cores em 1.080 linhas de pontos absolutamente nítidos que formam imagens com qualidade extraordinária. E sempre é bom lembrar que a TV de definição “ultra alta” (“Ultra High Definition TV”, ou UHDTV), com suas 4.320 linhas de brilhantes pontos coloridos, está em pleno desenvolvimento.

O mais interessante é que, por artes do mercado, da produção em massa e da evolução tecnológica, esta imensa melhoria na qualidade da imagem não veio acompanhada de um proporcional aumento dos preços (exceto, talvez, nos meses que sucederam o lançamento desta ou daquela novidade). Pelo contrário: hoje, para comprar uma televisão colorida de alta definição, tela plana e tamanho considerável, um chefe de família gasta uma fração muito menor de seu orçamento mensal do que gastava há meio século para comprar uma TV preto e branco de baixa resolução.

Logo, é natural que dentro de algum tempo a qualidade da imagem das câmaras de segurança evolua tanto quanto evoluiu a qualidade da imagem da TV. E não há razão para esperar que esta melhoria da qualidade seja alcançada a preços elevados. Em breve câmaras de vigilância de altíssima resolução custarão tanto ou menos que as atuais.

Portanto, é só uma questão de tempo: cedo ou tarde cada palmo do espaço público (e incluo como “espaço público” os saguões de entrada dos edifícios residenciais e seus elevadores) será coberto por câmaras de vigilância de alta resolução e excelente qualidade de imagem. E com a queda dos preços e aumento da capacidade dos dispositivos de armazenamento de massa como discos rígidos e óticos, estas imagens serão armazenadas por um tempo indeterminado.

Mas não é só isto. Há também o problema da interconectividade.

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