Em 1962, os criadores dos Jetsons imaginaram um mundo 100 anos depois, em que as pessoas andavam em carros voadores, com um monte de dispositivos estilosos para economizar tempo, e todas as coisas “falando” com tudo e todos. Dê um salto rápido para o ano de 2014 e ainda temos a mesma ideia de interconexão. Em um movimento cunhado como a “Internet das Coisas” (IoT), estamos tentando conectar tudo no mundo virtual: máquinas com outras máquinas (M2M), máquinas com pessoas e pessoas com outras pessoas.
De fato, muitos fornecedores de software e organizações de tecnologia estão colocando todo o seu empenho nessa tendência e estão desenvolvendo tecnologias que pretendem conectar tudo com a Internet – de termostatos domésticos a carros, passando por estações elétricas. Estima-se que, até 2020, aproximadamente 50 bilhões de dispositivos de todos os tipos estarão interconectados.
Do ponto de vista organizacional, a crescente conectividade traz benefícios óbvios: a capacidade de proporcionar uma melhor experiência aos clientes, mais acesso à informação, maior eficiência operacional, só para citar alguns. Mas o que a era da “Internet das Coisas” realmente significa para o departamento de TI? Como esse novo ambiente influenciará a forma como as organizações gerenciam as tecnologias?
Neste admirável e conectado mundo novo, os gerentes de TI precisam adotar uma abordagem pragmática e prática para a adoção da IoT a fim de maximizar os benefícios e minimizar os riscos.
A Internet de “quase” tudo… por enquanto
Se você descontar os exageros da mídia e do marketing, na verdade ainda estamos muito longe de ter um ambiente verdadeiramente conectado e funcional. Isso é especialmente verdade para as empresas, uma vez que é muito provável que a adoção nos negócios seja muito mais lenta do que para os consumidores (se você adotar uma abordagem criteriosa para a adoção). Em sua essência, um ambiente interconectado para uma organização envolve disponibilizar as atuais operações comerciais na rede. Assim, para tornar realidade o potencial completo desse movimento, as organizações precisarão dar conta das implicações significativas relacionadas à segurança, ao compartilhamento de dados e à capacidade de rede.
Com a previsão de haver até 50 bilhões de dispositivos conectados até 2020, o gerenciamento de cada dispositivo se tornará inevitavelmente mais complexo. Os gerentes de TI precisarão monitorar e gerenciar a explosão de dispositivos, mantendo-se vigilantes em relação a qualquer problema em potencial no desempenho da rede e questões de fluxo do tráfego.
Também estamos conectando dispositivos, instalações e infraestrutura que não foram projetados para o mundo virtual. A conexão de maquinários e estruturas industriais, como centrais elétricas, já está comprovadamente acrescentando camadas de complexidade e vem levantando preocupações significativas com a segurança em relação a fatores como controle de acesso e privacidade de dados. Por exemplo, é possível a uma pessoa assumir remotamente o controle de uma estação elétrica pelo celular? Complexidades e implicações maiores ocorrem quando as pessoas têm o mesmo dispositivo móvel para uso pessoal e profissional.
E há ainda a questão da capacidade de dados, especificamente em relação ao escopo das capacidades da rede e largura de banda necessário para facilitar um ambiente interconectado. Nosso conhecimento atual sugere que, para que tudo esteja conectado, grandes volumes de dados precisarão fluir em muitas direções. O desafio para os departamentos de TI será gerenciar com eficácia esse aumento de carga nas redes de suas organizações, enquanto operam dentro das infraestruturas existentes da Internet.
Nunca é cedo demais
Vivemos em um mundo orientado para o consumidor. Como vimos com o movimento “traga seu próprio dispositivo” (BYOD), a demanda do consumidor muitas vezes supera as preocupações da empresa quando se trata de velocidade e intensidade da adoção de tecnologia no ambiente de trabalho. Ignorar as tendências ou as práticas operacionalmente “desfavoráveis” entre funcionários só vai expor a empresa a maiores riscos de segurança.
As organizações devem usar as lições aprendidas com a tendência BYOD e adotar uma abordagem mais proativa para gerenciar a era da IoT. Desenvolver uma política vigorosa é o ponto de partida mais provável: o componente mais importante de qualquer boa política de TI é ter uma necessidade comercial bem definida.
Se for ambígua ou inexistente, a necessidade de uma infraestrutura interconectada exporá a empresa a custos desnecessários, riscos e desperdício de tempo, e fará com que seja impossível para o departamento de TI projetar uma estrutura política forte a fim de gerenciar o ambiente com eficiência. Os diretores e gerentes de TI precisarão trabalhar com a equipe de negócios mais ampla não apenas para avaliar a necessidade da adoção de uma abordagem de IoT, mas também para identificar e implementar as melhorias necessárias na infraestrutura e nos novos modelos comerciais a fim de facilitar essa adoção.
É diferente, mas é igual
Do ponto de vista da gestão diária, a Internet das Coisas pode não estar tão distante das práticas existentes como você pensa. Como acontece com qualquer tecnologia emergente, é mais provável que a adoção da IoT venha acompanhada de mais desafios novos e complexos para os profissionais de TI. No entanto, se você analisar o ponto mais básico da questão, o que temos é um maior número de dispositivos (em quantidade e tipo) acessando a rede corporativa. E, como sabemos, os profissionais de TI já vêm gerenciando dispositivos há bastante tempo.
Como primeira etapa, os gerentes de TI devem garantir que têm uma estratégia de controle de acesso robusta e adequada e que implementaram as ferramentas de monitoramento relevantes, de forma semelhante ao que conseguiriam implementar para gerenciar a lógica do BYOD (traga seu próprio dispositivo). Por exemplo, uma ferramenta como o User Device Tracker da Solarwinds pode ajudar a identificar e controlar os dispositivos e usuários que estão se conectando às fontes de dados, enquanto os arquivos de log e de eventos podem dizer quais informações esses dispositivos estão acessando.
Estabelecer uma linha de base para o desempenho de rede também é essencial para a detecção de qualquer risco de segurança e anomalias de desempenho. A integração das ferramentas de monitoramento de desempenho da rede com os sistemas de gerenciamento de eventos e informações de segurança (SIEM) permitirá que os gerentes de TI correlacionem os eventos da rede com outros eventos em toda a empresa, identifiquem e analisem as principais causas de problemas no sistema e respondam rapidamente aos problemas.
Alcançar o potencial completo do ambiente interconectado sem dúvida será algo benéfico para consumidores e empresas. No entanto, seria um desserviço para todos se as empresas adotassem uma abordagem despreocupada com a adoção e com o desenvolvimento de produtos, sem avaliar cuidadosamente os riscos em potencial. Embora a Internet das Coisas traga novas camadas de complexidade e requisitos de infraestrutura para a rede corporativa, os princípios básicos das práticas recomendadas de TI (políticas robustas, monitoramento meticuloso e manutenção de registros abrangentes) permanecem os mesmos.
(*) Lawrence Garvin é gerente de marketing da SolarWinds
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