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O adeus de John Chambers como CEO da Cisco

John Chambers, chairman e CEO da Cisco até 26 de julho, entrou na sala do Cisco Live, onde faria uma sessão de perguntas e repostas com jornalistas de todo o mundo, ao lado de seu sucessor, Chuck Robbins. Antes de começar, Chambers fez questão de cumprimentar todos os presentes, um por um, e trocar contatos. Robbins fez o mesmo, seguindo os passos de seu mestre. “Essa é a última vez que entrego meu cartão com o cargo atual”, brincou o líder da Cisco. 

Chambers, então, abriu uma Coca-Cola e deu início às perguntas. Quando observou que os microfones não chegavam ao lado direito, disse: “Por favor, passem mais microfones para lá”, e emendou rindo “amo ser CEO e controlar as coisas”. Mais tarde, afirmou que poderia passar as perguntas mais difíceis para Robbins, pois era a parte mais divertida de deixar a cadeira de CEO, e quando um dos jornalistas o chamou de senhor Chambers, o interrompeu: “senhor Chambers é meu pai. Você pode nos chamar aqui de John e Chuck”. 

Foi com esse jeito cativante que Chambers liderou por 20 anos a Cisco, conduzindo uma série de transformações na empresa. Sua lista de conquistas é grande: ele fez a fabricante sair de uma receita de US$ 1,2 bilhão para US$ 47,1 bilhões, sendo a número um ou dois em 16 mercados nos quais atua. Além disso, contribuiu para que a fabricante chegasse à marca de 176 aquisições até o momento e saltasse seu número de colaboradores de 4 mil para 70 mil em todo o mundo. Tudo isso porque ele assumiu riscos. “CEOs têm de assumir riscos. Empresas que não fazem isso, não serão bem-sucedidas”, sentenciou. 

Ele também fez previsões assertivas sobre o futuro da TI e telecom. Em 1998, disse que as comunicações em voz seriam gratuitas e assim são hoje, algo impossível de se imaginar na época. Há 20 anos ele também afirmou que tudo estaria conectado à internet, um realidade que chegará em breve. 

Legado
E o que Chambers quer deixar como legado depois de sua brilhante jornada na Cisco? Para responder a essa pergunta ele pediu para que levantasse a mão quem tivesse filhos. “Seus filhos são o legado de vocês. Vocês querem que eles se saiam bem na vida, conquistem tudo o que desejam, sejam felizes. Quero que a Cisco cresça como meus filhos e mantenha isso, mas que a empresa nunca perca a coragem de mudar”, assinalou.

Robbins aproveitou o momento para lembrar que Chambers liderou a companhia em meio a muitas transições, diante de todas as complexidades já conhecidas do mercado. “Mas ele nunca deixou de ajudar seu time a ter mais sucesso. Além disso, ele criou uma cultura única na Cisco de querer sempre vencer.”

Pelos corredores do Cisco Live ouviu-se muito dizer sobre a falta que Chambers fará como CEO. Na abertura do evento, quando foi aplaudido de pé, muitos se emocionaram com seu discurso e com a proximidade de sua saída, mas Robbins afirmou que da gestão de Chambers vai manter muitas coisas e acelerar a inovação. “Certamente continuarei a respeitar clientes e parceiros, estabelecendo estreito relacionamento com eles”, pontuou.

Próximos passos
Agora que terá metade do dia livre – já que a outra vai ser preenchida com tarefas do Conselho e como chairman – Chambers afirmou que seu hobby sempre foi e será a família, mas que ele também vai se dedicar mais ao golf, pesca e passará mais tempo com as universidades. Também não descartou trabalhar com startups. Além disso, ele mostrou-se animado com trabalhos sociais. 

O executivo acredita que a Cisco ficará em boas mãos. “Somos muito parecidos e sempre queremos fazer o melhor”, comparou. De acordo com Chambers, um CEO bem-sucedido precisa ter amor, visão, estratégia, habilidade de mudar, cultura e poder de comunicação, características de Robbins reúne. 

Para Robbins, o desafio é não só manter o crescimento da empresa como preparar os negócios para um novo ponto de inflexão. Chambers concorda. “Nos reinventamos. Vemos competidores com um ou dois produtos, vivendo em silos”, pontuou. Em sua visão, daqui em diante, vai ser muito mais difícil para empresas terem apenas um produtos e entregar valor com esse modelo de negócios.

Questionado sobre a próxima grande onda do mercado, Chambers afirmou que a conectividade vai, de fato, transformar todos os aspectos da nossa vida e será capaz de gerar empregos e mudar completamente a vida das pessoas. Daqui uns anos, poderemos comprovar se sua previsão se tornou realidade. 

*A jornalista viajou a San Diego (EUA) a convite da Cisco

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