A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) pode coletar dados à medida que eles seguem os fluxos em data centers operados pelo Google e o Yahoo fora dos Estados Unidos, com ajuda de cada uma das companhias e sem o impedimento de medidas de segurança.
Segundo documentos obtidos pelo ex-membro da NSA, Edward Snowden, e entrevistas com fontes do governo, o The Washington Post divulgou que a NSA “envia milhões de gravações todos os dias das redes internas do Yahoo e do Google para data warehouses da agência, no escritório em Fort Meade”.
O diretor jurídico do Google, David Drummond, afirma em nota enviada pela companhia que há muito tempo está preocupado com a possibilidade desse tipo de espionagen, o que motivou a companhia a estender a criptografia para cada vez mais serviços.
“Nós não provemos a nenhum governo, incluindo o dos Estados Unidos, o acesso a nossos sistemas”, diz Drummond. “Estamos indignados com a dimensão que isso do governo parece ter tomado no sentido de interceptar dados de nossas redes em fibra privadas, e isso ressalta a necessidade de reforma urgente”, completou.
O Yahoo, por sua vez, não respondeu aos pedidos para comentar o caso.
Quando os relatos sobre o escopo da coleta de dados da NSA começaram a aparecer em junho, Google e outras empresas de internet negaram fornecer acesso aberto a informações de clientes ou criar backdoors para permitir esse acesso. O projeto Prism, da NSA, garante à agência e outros órgãos como o FBI acessar os dados sob a lei Foreign Intelligence Surveillance Act (FISA), ou lei de vigilância inteligente estrangeira.
O método exato pelo qual a segurança de rede do Yahoo e do Google (e talvez outras empresas de internet) foi burlada permanece obscuro. Mas uma lâmina de uma apresentação da NSA chamada “Google Cloud Exploitation” inclui um rascunho indicando que a agência tem capacidade de remover e restaurar a proteção SSL a um ponto no qual os servidores do Google se conectam à internet.
A NSA apenas copia alguns dos dados no stream. Citando um report ultrassecreto datado de 9 de janeiro, o jornal norte-americano afirma que 181.280.466 novas gravações, metadados e conteúdo foram armazenados nos 30 dias precedentes ao documento. E ao menos referente a mensagens de e-mail coletadas do Yahoo, a NSA acredita que elas podem representar mais problemas do que valor: o documento divulgado por Snowden diz que “analistas têm reclamado [da existência do arquivo de e-mails do Yahoo], e a inteligência relativamente baixa que eles contém não justifica o volume de coleta”.
Em audiência preliminar ao House Intelligence Committee na última terça-feira (29/10), o general Keith Alexander disse que relatórios baseados em documentos divulgados por Snowden não representam o escopo da inteligência dos Estados Unidos. Ele insistiu que ao reunir metadados telefônicos dos Estados Unidos, em um programa separado, era legítimo às leis do país e que os aliados norte-americanos ajudaram a juntar informações de indivíduos fora do país. O diretor de inteligência nacional, James Clapper, defendeu a espionagem contra líderes estrangeiros como um objetivo comum de inteligência. Relatórios recentes indicando que os EUA espionaram diretamente em líderes europeus forçaram as autoridades do país justificarem a vasta abrangência do programa e, por consequência, ofenderam os parceiros.
Em uma publicação em seu blog, Glenn Greenwald, o jornalista que junto com Laura Poitras ajudou a trazer à tona as revelações de Snowden, caracterizou as alegações de Alexander como “dados não confirmados da NSA “, notando que nenhuma das muitas histórias divulgadas em jornais americanos sobre a espionagem dos NSA tiveram correções significativas.
“Ninguém do governo dos Estados Unidos alegou, nos últimos quatro meses, que reportagens sobre o caso estavam inexatas”, escreveu Greenwald.
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