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Novos modelos de compra de TI ainda desafiam CIOs

SaaS, PaaS, IaaS. Essas são apenas algumas das siglas que surgiram nos últimos anos para designar a compra de alguma tecnologia como serviço. Atualmente, tem se tornado mais comum ver EaaS, do inglês everthing as a service, ou, tudo como serviço. Essas novas formas de comprar TI têm mexido e muito com a rotina dos CIOs, que ganham novas preocupações quando negociam com fornecedores, mas, também, recebem, como bônus, na maior parte dos casos, a facilidade de implantação, o barateamento do custo e a liberação para tocar questões mais estratégicas.

Esse debate vem em alta há algum tempo e tem ganhado cada vez mais força, sobretudo, com a popularização da computação em nuvem, onde você terceiriza storage, servidores e até testes de aplicativos. Assim, o assunto recebeu destaque durante o IT Fórum+ 2011, que acontece na Praia do Forte (BA), com um Intercâmbio de Ideias destinado a este tema.

Para apresentar cases do gênero, a IT Mídia convidou Eduardo Lucas Pinto, CIO do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo, e Eduardo Kondo, CIO da Galderma. O primeiro apresentou um projeto para levar o correio para nuvem e, o segundo, a modernização da ferramenta para a força de vendas com adoção do iPad, contratado como serviço.

Lucas Pinto lembra que, em seu caso, um projeto de troca de e-mail, que pode ser simplista para muita gente, ganhou diferentes contornos quando a decisão foi levá-lo para a nuvem. ?Para nós foi um problema, porque tem o lado pedagógico, e, hoje, os e-mails dos alunos duram para sempre, a não ser que eles cancelem. Hoje são quatro mil alunos?, contextualiza.

Foram três os principais desafios: questão de marketing (se gostariam ou não de se vincular a determinado fornecedor e como personalizar a interface); contábil (o colégio precisa investir em Capex e cloud ou qualquer modalidade como serviço entraria em Opex); e, por fim, a territorialidade (as informações precisariam estar em um data center no Brasil e não indefinido como previa o contrato oferecido pelo fornecedor). O contrato tinha problemas ainda relacionados ao SLA e, também, relativos à segurança da informação.

Contribuindo para o debate, o CIO do Banco BBM, Alexandre Cabral, lembrou que a instituição contratou um serviço vinculado à nuvem que utiliza da Microsoft que impede o cliente de apagar informações, deixando, assim, o contrato com nível mais elevado. Essa questão de territorialidade suscitou muitas discussões durante a apresentação por envolver aspectos legais, sobretudo, para segmentos mais fiscalizados, como financeiro, aéreo e farmacêutico.

Se a Receita Federal vai fiscalizar a companhia, ela quer verificar as máquinas onde as informações estão armazenadas, sendo que a regra é que isso seja no Brasil. Quando se fala em nuvem, os dados podem estar numa estrutura nos Estados Unidos, na Europa ou em algum país da Ásia. A partir disso, outro questionamento surgiu: nessa nova onda, precisariam os CIOs entender mais de contabilidade e de legislação? O grupo se dividiu. Alguns defendem um conhecimento, não profundo, mas, ao menos, para debater os pontos principais. Já outros, acreditam que não seja o caso, uma vez que o departamento pode contar com um escritório de advocacia especializado em tecnologia.

iPad como serviço

De um lado, o dilema era contábil e a localização da informação, do outro, dar mais facilidade e dinamismo ao trabalho da força de vendas, usando a premissa da terceirização que já é rotina no departamento. Para Eduardo Kondo, da Galderma, trabalhar com o tema é algo certamente do dia a dia. A TI na companhia especializada em produtos dermatológicos é bastante enxuta e cuida, basicamente, de gerenciar os contratos dos fornecedores e pensar estratégias e soluções para suportar o crescimento da empresa.

Kondo lembra que toda a infraestrutura é contratada como serviço, bem como a gestão da telefonia, onde o prestador verifica, inclusive, erros de cobrança nas faturas mensais, Mas o principal case levado pelo executivo ao encontro foi o iPad para melhorar o trabalho da força de vendas. ?Escolhemos este tablet pela facilidade de uso, apresentação e agilidade para inicialização. Usamos ainda para pesquisa e os dados são enviados de forma segura para a base de dados da Galderma. Precisamos entender a mudança de nosso consumidor, e o médico já está conectado, não está mais preso no passado. Como área de TI, precisamos também ter essa sensibilidade. O aplicativo de iPad aumentou o interesse do médico por nossas visitas.?

Adquirido como serviço junto à Computeasy, Kondo calcula que o equipamento certamente saiu mais caro do que se tivesse feito a compra numa loja, mas lembra que, por outro lado, o pacote veio acompanhado de help desk, transporte, seguro contra roubo, entre outros pontos que, em uma eventual aquisição, seriam preocupações da equipe da Galderma. Hoje, o executivo pensa em trocar o iOS por algum dispositivo com Android e a ideia é manter o regime de contratação como serviço.

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