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Vizinhos ganham terreno na prestação de serviços de TI

O Brasil ambiciona ser um dos maiores vendedores de serviços de TI do mundo. O potencial existe. O País figura em rankings que listam os mais atrativos para offshore. Mas a verdade é que, por enquanto, o mercado local se caracteriza mais como importador do que exportador de serviços.

Como provedor, o País perde terreno inclusive para países vizinhos, como Argentina, embora se destaque quando se trata de serviços de alto valor agregado que não estejam disponíveis em outras localidades. ?Mas a cada dia que passa o custo faz com que isso se reduza. Além do que, há uma forte demanda interna?, pontua Carlos Xavier, responsável pelas operações da Stefanini na Argentina.

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Sérgio Pessoa, diretor de desenvolvimento de mercados da Associação Brasileira das empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), dá uma ideia do desequilíbrio. Ele diz que enquanto o mercado brasileiro de IT BPO cresceu 44% entre 2008 e 2010, os serviços prestados a partir do Brasil (IT BPO export) cresceram apenas 9%, abaixo do potencial. O lado positivo, segundo ele, é que a força interna continua atraindo empresas e centros de desenvolvimento para o País. Além disso, ações governamentais na área da educação e de tributos, como a política industrial constante do Plano Brasil Maior geram expectativas de redução de custos e de solução para carência de mão de obra.

Enquanto isso não acontece, quem compra ou vende serviços de TI volta os olhos para o verde gramado dos vizinhos. Muitos fornecedores locais já montaram suas bases em países latino-americanos. É o caso da Stefanini e da Asyst International. Na esteira do ?nearshore?, elas enxugam custos ? até 50% menores na Argentina do que no Brasil ? e atendem a exigências de multinacionais que querem fornecedor global, com similar nível de serviço.

Os provedores contam, ainda, com o idioma espanhol como facilitador para atendimento de grande fatia do mercado nas Américas, inclusive nos Estados Unidos. E se desviam do sério desfalque de mão de obra no Brasil.

Falta gente

A dificuldade de preencher os quadros de TI no nível de qualidade necessário é fato em diversos setores no Brasil, como lembra o vice-presidente do Gartner, Cassio Dreyfuss. ?Isso tende a se agravar nos próximos anos. CIOs que nunca se interessaram pelo offshore começam a enxergar o modelo como alternativa?, acredita.

Dados da Brasscom revelam que há no Brasil carência de 70 mil a 90 mil profissionais de TI, defasagem que deverá superar 200 mil até 2013. ?Associado a fatores como custos trabalhistas e valorização do real, isso torna os serviços de fato mais caros no Brasil do que em países como Argentina, Colômbia e Chile?, diz o diretor da Brasscom.

Para Djalma Petit, diretor de mercado da Softex, além de insuficiente, a mão de obra no Brasil é inadequada. ?O profissional sai da faculdade mas não pode ser aproveitado pela empresa sem antes passar por treinamento?, frisa. Como consequência, cresce o assédio aos capacitados e a rotatividade. ?As empresas começam a ter dificuldade de entregar a tempo seus projetos, a margem cai e o País fica menos competitivo?, resume.

Na Asyst International, o vice-presidente Oswaldo Brancaglione sente na pele o problema. Ele diz que pessoas que falam outros idiomas sumiram no Brasil. ?Faz dias que procuramos, sem sucesso, quem entende de informática e fale sueco, norueguês e dinamarquês?, ressalta. Ele descarta ?importar? profissionais, entre outros motivos, pelos altos salários. ?Não compensa para o cliente?, explica. A empresa ganhou competitividade prestando serviços, em especial service desk, a partir da Argentina a um custo 30% a 50% menor que no Brasil. ?Com a diferença de preço, a demanda da Espanha que era atendida a partir do Brasil foi transferida para a Argentina?, comenta.

Brancaglione não vê diferenças técnicas entre os países e diz que o preço ainda é o critério que mais pesa nas decisões dos CIOs. Os cuidados do contratante para se proteger, como documentação de desenvolvimento de sistemas e garantias de entrega do que foi pedido, no prazo e com níveis de qualidade, independem de o parceiro estar ou não no mesmo país, avalia o executivo.

Xavier, da Stefanini, testemunha que muitas empresas brasileiras internacionalizadas buscam tirar seus centros de suporte do Brasil, fugindo do custo e atrás de boa comunicação que torne o atendimento ou desenvolvimento independentes da localização. Ele confirma que há maior disponibilidade de mão de obra em países da região, inclusive bilíngue (português, além do espanhol), e a capacitação sai mais em conta.

A partir da Argentina, a Stefanini atende aos setores brasileiros de óleo e gás, bancos e laboratórios. A competitividade já fez cliente abandonar legado no Brasil. ?A administração de data center foi transferida. O cliente já tinha amortizado os custos de equipamentos, mas a manutenção no Brasil é cara. Eles preferem investir em equipamentos novos comprados na Argentina a manter o pessoal?, revela Xavier.

Receios e barreiras

Enquanto fornecedores tecem loas ao offshore, o fato é que muitas empresas compradoras ainda enfrentam dúvidas sobre qual é o melhor país para outsourcing. É para ajudá-las que institutos como o Gartner elencam critérios a serem considerados e pontua nações.

Mas para Xavier, um dos principais receios das empresas brasileiras é a falta de contato do usuário com o desenvolvedor ou com o analista. ?Isso decorre de uma cultura de manutenção de conhecimento dentro da empresa e de algumas experiências mal sucedidas com offshore em outros continentes?, diz. Contra os receios, ele prescreve boa organização de processos, documentação bem feita e dentro de padrões como CMMI ou ITIL e adequado monitoramento e registro. Também ajuda se os fusos horários são próximos e as culturas similares.

Douglas Florêncio, gerente de soluções/integração de sistemas da Atos, também destaca como premissa básica a clara documentação dos sistemas e serviços. Quanto ao temor de que o modelo de offshore implique falta de controle das atividades que são exercidas remotamente, ele diz que é mitigado com o uso de modelo front-office/back-office de serviços. ?Assim, as empresas sempre terão o amparo dos consultores locais?, diz. A fornecedora tem observado aquecimento na demanda por fábrica de testes de software na Argentina, onde mantém operação.

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Redação
14 anos ago

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