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HPE coloca a rede no centro da era agêntica e mira mercado de energia como próximo campo de batalha

Antonio Neri, presidente e CEO da Hewlett Packard Enterprise (HPE). Imagem: Pamela Sousa/Divulgação

A inteligência artificial chegou a um ponto em que a disputa por modelos mais potentes importa menos do que a capacidade de colocar esses modelos para trabalhar de forma controlada, segura e economicamente viável. Essa foi a tese central apresentada pelo presidente e CEO da Hewlett Packard Enterprise (HPE), Antonio Neri, na abertura do HPE Discover 2026, nesta terça-feira, 16, em Las Vegas, nos Estados Unidos*.

Neri não falou de IA como tecnologia emergente. Falou de IA como problema de gestão. “Em breve, você será responsável por milhares de agentes que fazem parte da força de trabalho da sua empresa, operando em todas as funções”, diz. A pergunta que organiza a estratégia da HPE não é se as empresas vão adotar agentes autônomos, mas o que acontece quando esses agentes erram, consomem dados incorretos ou operam fora de qualquer controle visível.

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O argumento mais provocador do evento não veio dos anúncios de produtos. Veio de uma constatação que Neri repete com insistência: o gargalo da próxima fase da IA não está na computação. Está na rede. “O desempenho de toda a sua arquitetura depende de cada byte, cada token, cada decisão e tudo passa pela rede”, afirma.

Para a HPE, esse diagnóstico justifica a aquisição da Juniper Networks, concluída em 2024 por US$ 14 bilhões. A empresa passou os últimos 18 meses integrando os portfólios e apresentou no Discover o resultado dessa combinação: uma arquitetura de rede que cobre desde os grandes agrupamentos de treinamento de modelos até a inferência distribuída na borda, passando pelas redes de campus e filiais.

Governança antes de escala

Se a rede é o ponto cego da infraestrutura, a governança é a lacuna da adoção. Na sessão com a imprensa, Neri é mais direto do que no palco. “Quando encontro clientes, eles me dizem: estou preocupado com governança, com custo, com segurança, com a capacidade de manter o controle.”

É essa preocupação que organiza a evolução da plataforma Private Cloud AI da HPE. A empresa ampliou a plataforma para suportar cargas de trabalho agênticas com um modelo de identidade em três camadas: verificação do usuário, governança do agente e aprovação humana para ações sensíveis. Cada agente opera em ambiente isolado, com controles sobre quais dados pode acessar e quais ações pode executar. A integração com o Zerto permite reverter o estado do ambiente caso um agente cometa erros em produção.

A lógica é de que agentes autônomos que operam em sistemas críticos sem mecanismos de reversão representam um risco operacional que a maioria das empresas ainda não mapeou. A HPE tenta transformar esse risco em argumento comercial.

Neri encerra a apresentação com um alerta que extrapola o campo tecnológico. “No núcleo, uma fábrica de IA faz uma coisa: transforma elétrons em tokens”, diz. Os Estados Unidos devem acumular um déficit de 19 gigawatts de capacidade elétrica até 2028, e os centros de dados devem responder por quase metade do consumo de eletricidade do país até 2031, segundo dados citados pela empresa.

Questionado sobre como o setor vai lidar com esse limite, Neri não minimiza o problema. “Os grandes provedores vão construir suas próprias redes. É o mesmo princípio do 5G privado: você toma uma parte do espectro para criar um ambiente isolado. Aqui é a mesma coisa, eles investem bilhões e constroem sua própria infraestrutura de energia.”

Quantum como horizonte, não como produto

Na conversa com a imprensa, Neri posiciona a computação quântica com mais cuidado do que o habitual no setor. Não fala de substituição, mas de convergência. “Assim como as GPUs hoje, o quântico vai fazer certas coisas muito bem em áreas específicas. A rede será o núcleo que conecta computação tradicional, IA e quântico”, afirma. A HPE anunciou no evento a formação da Quantum Scaling Alliance, consórcio com oito empresas voltado a desenvolver padrões para essa integração, sem produtos ou prazos definidos publicamente.

“Arquitete de forma deliberada: as escolhas que você faz hoje vão definir o seu sucesso amanhã”, diz Neri ao encerrar.

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*A jornalista viajou a convite da empresa

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Pamela Sousa
Tags: HPEHPE DiscoverHPE Discover 2026
7 minutos ago

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