Uma em quatro empresas não tem áreas dedicadas a dados
Gabriel Marostegam, head de dados da CI&T, comenta principais resultados de pesquisa sobre analytics feita pelo IDC pela empresa de Campinas

Análise de dados é considerada extremamente importante para 60% das empresas – ainda que 26,7% das organizações ainda não tenham uma área responsável e dedicada ao tema. Essas foram conclusões de uma pesquisa feita pela IDC Brasil e encomendada pela CI&T.
Em 46,7% dos respondentes, a área de Tecnologia da Informação (TI) é responsável por gerir essa tecnologia nos projetos. Além disso, para 23,3% há células de analytics distribuídas em diversas áreas e 3,3% afirmaram que a tecnologia é gerida pelas áreas de Market Intelligence ou Business Intelligence (BI).
Gabriel Marostegam, head de dados da CI&T, explica que as empresas não precisam, necessariamente, criar uma área para o data analytics. Ao falar sobre a transformação digital como um todo, três elementos são essenciais: capability, tecnologia e plataforma. Dados é mais um ingrediente com essas mesmas características.
“É preciso começar encontrando a conexão desses três elementos para fazer isso de maneira fluida. O reflexo da empresa criar uma área é para suprir uma deficiência de uma capability, provavelmente. Todo mundo quer ter inteligência artificial, todo mundo quer ter um centro de analytics, mas muitos não estão preparados”, diz o executivo em primeira mão ao IT Forum.
Ele exemplifica dizendo que existem empresas que investiram em uma área e não teve sucesso porque não têm esses três elementos na jornada. Por isso, a pergunta do “por que eu quero fazer análise de dados?” é fundamental.
Leia também: Análise de dados é desafio – e diferencial – no varejo global
“Construir um prédio para as pessoas morarem sem imaginar o que elas querem, eu só vou criar um cômodo em cima do outro. O desafio é conectar os três elementos com uma visão de estratégia. Eu tenho a área de negócios querendo consumir, desenhando suas estratégias e elas querem consumir os dados que apenas uma área é responsável. Essa informação fica no balde – não tem o cano para a área que está o consumindo”, resume.
O estudo também apontou que a área mais beneficiada com a tecnologia é a de vendas, com um percentual de 76,7%. Em seguida, ficaram as áreas de TI (50%), BI e marketing, cada uma com 46,7%. Para 16,7% das empresas, são outras áreas que mais se beneficiam com o analytics, entre elas estão Recursos Humanos, Controladoria, Financeiro e Contábil, Industriais, Operacional e Logística.
Segundo Gabriel, vendas tem protagonismo pois é o setor mais fácil de medir e entender. “É mais fácil de falar de estratégia quando falamos de vendas do que, por exemplo, experiência do cliente que é intangível. Por isso, é a área que tem mais sede e é mais fácil de implementar”.
Para somente 26,7% das empresas consideraram a atração e retenção de clientes como os principais destinos da utilização do analytics. Para 56,7%, o maior uso da tecnologia se dá na estratégia de negócios e, para 46,7%, no monitoramento do mercado. Eficiência de custos (43,3%), automatização de processos (36,7%) e melhorar desempenho financeiro (30%) também figuram na lista de prioridades.
Outro ponto levantado pela pesquisa é o motivo pelo qual as empresas estão contratando os serviços de analytics. Um pouco mais da metade (53,3%), colocou como a principal razão é estratégica. Ou seja, para competir de forma mais eficiente e melhorar a produtividade. Já para 20% dos entrevistados, a questão tática – resolver problemas específicos com soluções individuais – foi mais relevante. Além desses, também foi considerada a questão transformacional (10%), para entrar em novos mercados, e a questão exploratória (16,7%), que envolve testes e projetos piloto.
Entre os setores que mais usam a análise de dados, Gabriel dá sua percepção orientada ao mundo de transformação digital. “Os bancos e as empresas financeiras têm mais maturidade, até porque o business é sobre dinheiro e é mais fácil de mensurar. As telecom estão se preparando e têm muita informação. A gente vê um movimento de empresas de agro não tão maduros, mas um movimento acelerado porque é um mercado importante na nossa estrutura econômica e quando a gente começa a conectar elementos de IoT, isso dá mais informação para um produtor”.
A pandemia foi, inclusive, um dos grandes impulsionadores para todas as empresas. “O único recurso que a gente tinha para tomar decisão foram os dados. Quando a gente foi para a vida totalmente remota, o que tínhamos eram os dados. Por isso que, agora, as empresas passam a investir em data analytics em geral. As empresas mais estruturadas conseguiram reagir bem, mudar suas estratégias mais rapidamente e as que não tinham, evoluíram muito rapidamente. A pandemia acelerou algumas décadas da capacidade de análise de dados”, comenta Gabriel.
E mesmo as pequenas e médias empresas entenderam a importância da análise de dados. Nesse cenário, o desafio é recurso, principalmente de talentos. Nos últimos anos, os recursos tecnológicos evoluíram rapidamente em recursos tecnológicos para maior volume de processamento de informação, com custo mais barato, e ficou mais fácil para o microempreendedor.
Investimentos e contratações
Para os próximos 12 meses, 37,5% das organizações afirmaram que vão aumentar o orçamento (sendo que metade dessas companhias esperam crescer mais de 26% no mesmo período). Outros 37,5% manterão o orçamento e 12,5% afirmaram que diminuirão.
O serviço mais contratado em analytics, segundo a pesquisa, é a análise avançada e preditiva de dados, com 73,3% (visto que, para 60% dos entrevistados, esse item deve estar na composição do escopo de todas as ofertas). Outros serviços que lideram as contratações são o desenvolvimento e construção de relatórios (60%) e a gestão de segurança dos ambientes de dados (60%).
Conforme o informado pelos participantes da pesquisa, entre os principais motivadores para a contratação de analytics está o fortalecimento da cultura de dados internamente (50%), ter uma empresa qualificada para avaliar o ambiente de dados (36,7%), obter um suporte nas tomadas de decisão e poder entrar em contato com alguém especializado em caso de dificuldades (33,3%). Já sobre os inibidores, para 70% a questão principal é a preocupação com segurança. Além deste, estão entre as principais questões o custo dos serviços (53,3%), a falta de confiança nas prestadoras de serviço (53,3%) e a falta de orçamento alocado (40%).