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Ter processadores de múltiplos núcleos nos dispositivos móveis faz diferença?

A CES exibe este ano vários processadores de múltiplos núcleos para tablets e smartphones, apresentados pela Nvidia, ARM, Qualcomm e outros fabricantes. Mas alguns observadores do setor questionam o valor destes componentes em dispositivos móveis.

Alguns dos mais recentes sistemas operacionais para dispositivos móveis, tais como o Windows Phone 7.5 (Mango), não foram concebidos para suportar processadores dual core, dizem vários analistas. Ao mesmo tempo, a maioria das aplicações de smartphones e tablet não pode se beneficiar do poder de processamento a partir de chips de dois ou quatro núcleos, com excepção de algumas aplicações de vídeo e jogos.

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A Microsoft e sua parceira Nokia praticamente prescindiram dos smartphones com dois núcleos desenvolvidos por vários fabricantes, incluindo a Samsung e a HTC. Para reforçar a ideia, a Microsoft estabeleceu um desafio na CES, onde Ben Randolph, responsável da empresa, apostava 100 dólares em como o seu Windows Phone (um Titan HTC) funcionaria mais rapidamente do que qualquer outro smartphone na execução de aplicações, em buscas na Web e em outras funções.

Randolph afirma que em cerca de 20 situações, perdeu apenas uma vez, contra um iPhone 4S, no envio de uma mensagem para o Twitter.

“Os processadores de duplo núcleo são muito menos críticos em um telefone, e a maioria dos usuários de novos smartphones não consegue explicar o que eles fazem “, diz Greg Sullivan, gestor senior de produto da Microsoft. “Existe software para aproveitar os componentes? A questão é essa”.

No entanto, o o próprio Sullivan reconhece ser inevitável que o Windows Phone e outros sistemas operacionais de mobilidade avancem para processadores dual nos próximos anos, assim como muitos tablets deverão ser equipados com chips de quatro núcleos, até para suportar recursos como o reconhecimento de voz, de toque e até a biometria.

E vários bloggers e e especialistas, como JR Raphael, do Computerworld nos Estdao Unidos, consideram que o processador de quatro núcleos faz diferença no Asus Transformer, por possibilitar um melhor desempenho na execução simultânea de várias aplicações. Ainda assim, Sullivan admite que os processadores de dois e quatro núcleos, até agora, serão apelativos apenas para membros do setor das TIC e entusiastas de dispositivos móveis.

“É como os donos de carros que colocam motores mais potentes do que o normal. Mas nos smartphones, os usuários não conseguem definir o que é o processamento de um chip de dois núcleos”.

Nos tablets, alguns exemplares introduzidos no mercado tiram partido de processadores de dois núcleos, como o BlackBerry PlayBook, executando muito rapidamente aplicações e downloads, diz o analista Kevin Burden ABI.

“O processamento com quatro núcleos nos tablets não é importante neste momento, mas a questão é a direcção para onde caminha a tecnologia” argumenta Burden. Apesar de todos os seus outros problemas, o PlayBook é “ágil” no desempenho, acrescentou.

Muitos núcleos, consumo elevado

O maior inconveniente de ter processadores mais rápidos em smartphones e tablets será a rapidez com que eles consomem a energia da bateria, aspecto ainda desconhecido nos tablets. “Haverá a necessidade de escolher entre ter processadores mais rápidos, e ter menos de bateria”, disse Burden.

Jack Gold, analista da J. Gold Associates, considera que a maioria das aplicações hoje em dia não precisa de um processador de dois núcleos em um smartphone ou de um processador de quatro núcleos em um tablet. Mas prevê que dentro de um ano, a comunidade de programadores estará criando aplicações capazes de aproveitar velocidades de processamento oferecidas pelo uso desses componentes.

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cristina.deluca
14 anos ago

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