Pensar em como implementar a tecnologia responsável tem se tornado crucial à medida que a tecnologia e os dados vêm se tornando cada vez mais arraigados na sociedade moderna e nas operações de negócios. A reflexão, trazida por Renan Martins, head de tecnologia da Thoughtworks, em palestra no IT Forum Trancoso, é fundamentada em uma pesquisa feita pela empresa.
O documento “Relatório: o estado da Tecnologia responsável” revelou que 73% dos entrevistados dizem que o uso responsável da tecnologia se tornará tão importante quanto os fatores comerciais ou financeiros ao tomar decisões tecnológicas.
Porém, o entendimento de tecnologia responsável pelas organizações ainda é nebuloso. “Elas ainda associam com conformidade e regulações. Mas há um número crescente de executivos que conseguem ver que vai além disso, que é uma preocupação pelas consequências não intencionais e impacto negativo independente da vigente”, explica o executivo.
De acordo com a definição da Thoughtworks, Tecnologia Responsável é a consideração ativa de valores, consequências não intencionais e impactos negativos da tecnologia. isso inclui considerar uma ampla variedade de vozes no processo de adoção e implementação, além de gerenciar e mitigar os potenciais riscos e danos de todas as comunidades afetadas pela tecnologia.
Segundo a pesquisa, no Brasil, 60% disseram que a principal motivação para buscar práticas de tecnologia responsável é melhorar a percepção de sua organização pelos consumidores/clientes. Os principais benefícios tangíveis são: melhorar percepção de marca, melhorar sustentabilidade, maior aquisição e retenção de clientes.
Entretanto, “não há consenso entre os executivos sobre quais as áreas de foco para a tecnologia responsável e vários deles entendem uma das áreas como tecnologia responsável”, alerta Renan.
Entre as principais barreiras para incorporar práticas de tecnologia responsável, 55% dos entrevistados no Brasil dizem que é a falta da conscientização da alta administração. Apesar disso, “a maioria dos entrevistados consideram a tecnologia responsável profundamente implementada em suas organizações. A gente acredita que esse entendimento pode existir porque há uma limitação do que é a tecnologia responsável ou o foco em algumas categorias e um otimismo de ver que tem algo acontecendo na organização”, diz Renan.
Entre as principais descobertas do relatório estão: a tecnologia responsável veio para ficar e as organizações estão levando isso a sério. As empresas esperam que investimentos em tecnologia responsável aumentem a reputação da marca e a retenção de clientes/funcionário; grandes empresas têm mais probabilidade de tomar a iniciativa, enquanto empresas menores reagem.
“O simples fato de a gente demonstrar comprometimento mesmo que não seja extremamente eficiente, já é algo positivo. Demonstrar transparência, ‘esses dados eu não coleto, isso é o que eu faço ou não faço, minhas estratégias se relacionam dessa forma’, já é um começo”, finaliza Renan.
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