“RH pode ser transformador de histórias”, diz Talita Fernandes, da Motiva

Vencedora do ranking Líderes de RH do IT Forum defende liderança humana e uso estratégico de IA para exigir mais sem ampliar o esgotamento

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Talita, gerente de rh da Motiva
Imagem: divulgação

Vencedora do ranking Líderes de RH do IT Forum, Talita Siqueira Fernandes de Souza, gerente de recursos humanos da Motiva, defende que a transformação na relação entre empresas e colaboradores passa necessariamente pela cadeia de liderança.

Para a executiva, o uso da inteligência artificial (IA) deve funcionar como um recurso auxiliar, que permite exigir mais da força de trabalho sem ampliar o desgaste dos profissionais.

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Com 15 anos de atuação no mercado, Talita afirma que a pressão por otimização é uma constante na área de recursos humanos. “Trabalho há 15 anos e, todos os anos, escuto que precisamos otimizar. Agradeço pelo avanço da IA, porque ela vem como um recurso a mais — o humano já está trabalhando na potência máxima”, declara.

IA como recurso, não substituição

Segundo a executiva, a Motiva ainda prioriza formações de liderança presenciais, mesmo com cerca de 6 mil colaboradores distribuídos em 13 unidades. A companhia, no entanto, reconhece os limites de escala desse modelo e tem buscado equilibrar formatos híbridos. “Sabemos que não ganhamos escala no presencial. Então fortalecemos o pensamento crítico e o questionamento dentro do que é possível com os nossos recursos”, explica.

A empresa mantém uma jornada de letramento em IA voltada aos colaboradores, que entende a tecnologia como um recurso positivo, cuja aplicação depende do momento adequado.

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Atualização da NR-1

Sobre a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, Talita lembra que a norma já existia havia anos; o que mudou, segundo ela, foi a cobrança e a possibilidade de punição para as empresas que não cumprem as exigências.

A executiva reconhece que a Motiva ainda não está no patamar de adequação que considera ideal, mas trata o tema como parte de um processo contínuo de escuta ao colaborador, que inclui pesquisas de clima, avaliações com líderes e exames periódicos. “Sempre há como melhorar. É um caminho de análise e ajustes”, afirma.

Segundo a executiva, a empresa também não atingiu o estágio de maturidade de liderança desejado, embora acredite, com base na metodologia de avaliação adotada, que o líder seja responsável por mais de 70% do clima e da evolução do trabalho de uma equipe.

Criatividade e adaptabilidade

Ao lidar diariamente com a imprevisibilidade da gestão de pessoas, Talita defende que duas competências diferenciam os profissionais de RH bem-sucedidos: criatividade e adaptabilidade. “Se há uma coisa de que tenho certeza é que o cenário vai mudar — sempre muda. E precisamos nos adaptar constantemente”, reflete.

A executiva cita a elaboração de um plano de clima e cultura com 50 ações na Motiva e reconhece que nenhum conjunto de iniciativas é definitivo. “Sempre brinco que somos contratados por um motivo e, se formos bons o suficiente, o problema muda: resolvo um e surge outro”, afirma.

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Para Talita, a área de RH deve se aproximar cada vez mais do negócio, para compreender suas dificuldades operacionais, e do mercado, para conhecer as ferramentas disponíveis.

“Precisamos ter ferramentas suficientes, mas estar próximos o bastante do negócio para conseguir unir os dois”, diz. É assim que a executiva explica a atuação personalizada do RH, que precisa interpretar cada caso antes de indicar o tratamento adequado.

Trajetória e visão de futuro

Formada em psicologia, Talita cresceu acompanhando a rotina da mãe, empresária, o que despertou nela o interesse por gestão e impacto organizacional.

A executiva afirma que nunca imaginou atuar em um cenário de intensa interação com tecnologia e inteligência artificial. “Acho tão gostoso poder viver as surpresas que o mundo traz”, declara.

Segundo Talita, o desejo de ampliar o impacto do próprio trabalho foi o que a levou a buscar posições de liderança. Sobre a IA, a executiva demonstra entusiasmo com o potencial de liberar tempo das lideranças para atividades de maior valor. “Do mesmo jeito que a educação e o trabalho transformaram a minha história, o RH pode ser um transformador de histórias, à medida que criamos um ambiente favorável ao crescimento e ao desenvolvimento na empresa”, afirma.

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Sobre o Autor

Bruna Rocha é repórter no IT Forum. Cobre o mercado de tecnologia com foco em transformar temas complexos em informações claras e acessíveis para líderes e tomadores de decisão.

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