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Para Steven Spielberg, criatividade humana seguirá central mesmo na era da IA

De um menino pedalando ao lado de um extraterrestre contra a lua cheia em E.T. – O Extraterrestre às descobertas científicas que escapam ao controle em Jurassic Park, Steven Spielberg construiu algumas das cenas mais emblemáticas do cinema moderno. No SXSW 2026, o diretor lotou a sala em que se apresentou e voltou ao presente para refletir sobre o futuro da criatividade em um mundo cada vez mais pautado pela inteligência artificial (IA).

Em Austin, nos Estados Unidos, o Spielberg refletiu sobre como o ambiente digital, marcado por redes sociais, vídeos curtos e consumo acelerado de informação, está mudando o ritmo da narrativa audiovisual e pressionando a indústria criativa.

Segundo ele, a velocidade da cultura digital tem influenciado diretamente a forma como filmes são montados e consumidos. “Os filmes hoje se movem muito rápido”, afirmou Spielberg ao comentar a transformação da linguagem audiovisual nas últimas décadas.

Para o diretor, essa aceleração começou com videoclipes e comerciais televisivos, mas se intensificou na era das plataformas digitais. “Tudo está disponível hoje no TikTok, Instagram…”, contou e afirmou que não mantém perfil em nenhuma rede social hoje.

Spielberg contou que chegou a instalar o Instagram por duas semanas, mas decidiu abandonar a plataforma ao perceber o impacto no tempo e na concentração. “Comecei a sentir ‘tempo perdido’, como se tivesse sido abduzido por alienígenas”, brincou.

Leia também: SXSW 2026 testa “futurista sintética” e expõe dilema da IA: ampliar o pensamento ou terceirizá-lo?

Criatividade ainda depende de intuição

Mesmo com a crescente presença de tecnologia no processo de produção audiovisual, Spielberg argumenta que a criação cinematográfica continua dependendo principalmente de intuição e da colaboração humana. “O melhor amigo de qualquer cineasta é a intuição”, afirmou.

Segundo ele, muitos momentos criativos surgem justamente quando o processo não está totalmente planejado. “Quando se chega ao set de manhã, existe um dia inteiro de possibilidades ainda não descobertas.” Para o diretor, essa abertura ao inesperado é uma das principais diferenças entre criatividade humana e processos automatizados.

Tecnologia e ciência continuam inspirando histórias

Se por um lado Spielberg evita o excesso de estímulos digitais no cotidiano, por outro ele reconhece que ciência e tecnologia continuam sendo motores fundamentais de suas narrativas.

O diretor citou, por exemplo, investigações recentes sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs), baseadas em registros captados por sensores militares e relatos de pilotos da Marinha dos Estados Unidos.

Segundo ele, reportagens publicadas nos últimos anos reacenderam seu interesse pelo tema e inspiraram seu novo filme, Disclosure Day. “Essa história foi fascinante para mim e reacendeu completamente meu interesse nesse assunto”, afirmou.

Spielberg também destacou que não possui informações privilegiadas sobre o fenômeno, ao contrário do que o imaginário popular alimenta. “Não tenho nenhuma informação exclusiva além do que todos vocês já leram ou viram em documentários”, disse.

Ainda assim, ele admite manter uma convicção pessoal que acompanha sua carreira desde os primeiros filmes de ficção científica. “Tenho uma forte suspeita de que não estamos sozinhos aqui na Terra agora”, afirmou.

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