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Soberania de dados e escassez de talentos: o gargalo que decide competitividade

Por Edson Alves

Soberania de dados não é moda nem burocracia: é a base para competir. Em palavras simples, significa ter clareza sobre onde seus dados ficam, quem pode acessá-los e quais regras valem para protegê-los. Isso afeta tudo: vender para clientes exigentes, entrar em cadeias globais, passar por auditorias sem trauma e dormir mais tranquilo quando algo dá errado.

O ponto cego é que esse desenho bonito no slide só se sustenta com gente capaz de operar o bastidor. E aí está a encrenca: falta profissional qualificado no mundo inteiro. Em 2024, a ISC2 estimou um buraco de 4,8 milhões de pessoas na área de cibersegurança, um salto de 19% em um ano. Em bom português, precisamos de muito mais arquitetos de nuvem segura, especialistas em identidade e times de resposta a incidentes do que o mercado consegue formar.

Enquanto isso, o custo de errar continua alto. O IBM Costof a Data Breach 2025 calcula US$ 4,4 milhões como custo médio global de um vazamento, 9% a menos que no ano anterior, graças a empresas que identificam e contêm incidentes mais rápido. Boa notícia? Sim. Mas só para quem já transformou segurança em jeito de construir o sistema e não em lista de compras de tecnologia (IBM, 2025).

Leia também: De estagiária a VP global: a ascensão de Ana Paula Assis na IBM

A conversa sobre “escassez de talentos” precisa sair do RH e ir para a prancheta de projeto. Quando segurança vira propriedade do desenho (e não um departamento à parte), as decisões mudam. Identidade passa a ser o “novo perímetro”, os sistemas nascem com camadas de verificação e registros que se sustentam numa perícia; as aplicações são separadas de forma que um problema não derrube o resto. Isso exige escolhas que doem no curto prazo, menos atalhos, menos improviso, mas que reduzem impacto quando o imprevisto chega.

Também é hora de abandonar o mito do “herói”. Não adianta procurar a pessoa perfeita que resolve tudo. O que funciona é construir capacidade repetível: formar quem já está na casa (SREs aprendendo SecOps; analistas de dados entrando em privacidade por design), criar rotação entre produto e o time que atende incidentes, e usar automação para tirar da frente o trabalho repetitivo, deixando o julgamento humano para o que realmente importa. Sem isso, a empresa só troca gente cansada por gente nova e o problema não sai do lugar.

Soberania de dados, na prática, não é trancar tudo dentro da empresa. É governar fluxos com garantias, saber que dado é sensível, por que você tem o direito de tratá-lo, onde ele pode ir e sob quais proteções (criptografia, chaves sob sua gestão, trilhas de evidência que qualquer auditor entende). Com esse básico bem feito, compliance deixa de ser custo e vira argumento de venda e você prova que controla riscos, encurta negociações e acessa mercados que exigem esse padrão.

No fim, o que separa as empresas resilientes das que vivem em susto não é a quantidade de ferramentas, e sim a qualidade das decisões. Se cada real investido se traduz em menos tempo para detectar e conter, em menos dados expostos e em respostas mais claras para clientes e reguladores, você está na direção certa. Se não, talvez tenha comprado um painel bonito e pouco mais. Segurança que funciona é a que você embute no produto, no código e na rotina. O resto é marketing.

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