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Salário de profissionais de dados desacelera após 3 anos de crescimento

Pela primeira vez em três anos, a remuneração dos profissionais da área de dados sofreu estagnação, indica uma pesquisa realizada pela Bain & Company e pelo Data Hackers. Entre os anos de 2019 e 2021, o salário desses profissionais cresceu 40% em média. Já em 2022, a variação média de remuneração foi de 4%, menor que a inflação do mesmo período (5,9%).

Segundo o estudo, a maior variação positiva por faixa salarial se encontra na dos profissionais que ganham acima de R$ 16 mil por mês (15,1% em 2022 versus 13,0% em 2021).

O raio-x sobre os profissionais de dados no Brasil ouviu 4.270 respondentes em todo o país, entre analistas, cientistas e engenheiros em diferentes níveis de experiência. O estudo também revelou que os profissionais são mais comuns em grandes empresas, com 33,7% das empresas de até 100 funcionários não possuindo um profissional de dados. A proporção dos profissionais aumenta conforme o porte: 74,1% das empresas de mais de 3 mil funcionários possuem pelo menos 50 profissionais de dados.

Os segmentos de tecnologia, serviços financeiros e varejo lideram entre aqueles que mais possuem profissionais de dados em seus quadros de funcionários.

Mudança de emprego

O estudo alertou para o fato de que o percentual de pessoas abertas a novas oportunidades disparou, passando de 40,2% em 2021 para 64,9% no atual levantamento.

Entre os profissionais insatisfeitos com o emprego atual, os motivos mais comuns são a falta de oportunidades de crescimento (44%) e o salário não compatível com o mercado (39,2%). O motivo mais relevante em 2021, a falta de maturidade analítica da empresa, agora é apenas o terceiro mais citado, com 38,4%.

Leia também: Brasil está entre países com maior taxa de aumento salarial em trabalhos remotos

Para os profissionais satisfeitos, 13,1% estão em busca de novas oportunidades dentro e fora do Brasil e 10% procuram emprego apenas fora do país. Ainda que não estejam ativamente à procura de novas oportunidades, 41,9% dos respondentes estão abertos a propostas, com um percentual relativamente constante entre todos os níveis de cargo e maior incidência entre profissionais de nível sênior (44,2%).

Para a grande maioria dos entrevistados, a remuneração é o critério principal para considerar uma proposta de emprego, com 75,2% do total de menções. A flexibilidade em relação ao trabalho remoto é o segundo item mais mencionado (53,7%).

Representatividade

O mapeamento buscou também avaliar a diversidade entre os profissionais de dados. Ainda persiste uma considerável sub-representação da diversidade de gênero, cor/raça/etnia, e de portadores de deficiência entre os profissionais de dados do Brasil.

Em termos de gênero, as mulheres ainda são apenas 24,5% dos profissionais de dados. Pardos e pretos, representam apenas 24,5% e 6,6% dos profissionais. Por fim, pessoas autodeclaradas deficientes correspondem a apenas 1,7% da amostra. Os desafios de diversidade também impactam a remuneração dos profissionais. A pesquisa revela, por exemplo, que mulheres pardas e pretas ganham em média 23,1% menos que homens brancos em cargos de gestão.

“A pesquisa traz importantes diagnósticos e insights sobre o mercado de dados brasileiro. Há importantes avanços, como o notório crescimento desse segmento em companhias dos mais variados setores e a atração de profissionais com outras expertises. Mas identificamos também desafios para as empresas, como a retenção de talentos e o necessário avanço por mais diversidade”, avalia Lucas Brossi, sócio e head de Advanced Analytics da Bain & Company.

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