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Ricardo Brandão, CEO da Skyone: ‘não se sobrevive mais sem dados integrados’

A inteligência artificial subiu a régua de tecnologia para organizações de todos os tamanhos e áreas de atuação. Pequenas e médias empresas (PMEs) não são exceção. Se antes era possível  que elas “sobrevivessem” mesmo sem uma estratégia de organização de dados, hoje, essa realidade já está se transformando.

A leitura é de Ricardo Brandão, CEO da Skyone. Em conversa com o IT Forum, o executivo apontou que uma jornada de dados que inclua a integração, higienização e conexão dos dados privados é o passo essencial para uma estratégia de IA efetiva – e para a saúde de qualquer companhia que queira ser bem-sucedida nos próximos anos.

“O que nós vimos a partir de 2024 – e que deve acelerar com muita velocidade nos próximos três anos – é que a IA vai mudar o jogo”, pontua o executivo. “Sem dados organizados e sem uma estratégia orientada à tecnologia, a empresa vai ficar no meio do caminho.”

A tendência de crescimento das ferramentas de integração e inteligência de dados foi identificada também em um estudo encomendado pela SkyOne à empresa de pesquisa de mercado IDC. O relatório aponta que a taxa de crescimento anual composta dos softwares de integração de dados será de 8,4% entre os anos de 2022 e 2027. Para as ferramentas de inteligência de dados, a taxa de crescimento anual composta prevista é de 10,9% no mesmo período.

Os resultados são puxados, em parte, pela crescente conscientização, entre as empresas, de que abrir seus bancos de dados de maneira segura e implementar uma governança robusta pode preparar os dados para serem consumidos por tecnologias de machine learning (ML) e inteligência artificial (AI), possibilitando uma inovação de vanguarda.

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Lauro de Lauro, COS da Skyone, ecoa o ponto. Na sua avaliação, empresas que não tiverem seus dados “prontos” devem perder o que chamou de “a primeira grande onda da IA”, caracterizada pelo avanço da integração de agentes para avançar processos de automação, trazer melhorias operacionais e ganho de escala. Estar nessa onda, ele diz, é garantir a sobrevivência do negócio.

“Não adianta achar que, hoje, ter inteligência artificial é estar na vanguarda. Só é vanguarda porque todo mundo está começando. Mas o negócio é conseguir resolver um problema de negócio. É isso que vai dar ROI, é isso que vai dar escala e que vai fazer a empresa crescer”, indica.

Ainda este ano, continua o executivo, uma segunda onda de IA também já começará a impactar organizações, marcada pela interação entre múltiplos agentes, que resolvem problemas de forma coordenada. Diferente da primeira onda, focada em agentes independentes para automação, essa nova fase prioriza a aplicação de IA generativa em casos de uso específicos, ampliando ganhos operacionais e capacidades preditivas conforme os agentes se multiplicam e interagem.

“O momento é de especialização dos agentes e dessa multiplicidade de agentes conversando para um resultado maior ou mais eficiente”, explica. “O que vai acontecer é que cada bloco desse também vai gerar inteligência. E quando esses agentes começarem a conhecer mais o comportamento da empresa, a predição fica mais precisa”.

Estratégia em plataforma

A jornada de preparação de dados para aproveitar o avanço da IA, é claro, não é simples para PMEs. A Skyone está de olho nessa oportunidade.Fundada em 2013, a empresa brasileiro de serviços de TI voltou sua atenção para a aceleração da IA nos últimos anos e volta sua estratégia para apoiar PMEs nesse cenário turbulento da tecnologia. Em 2023, a companhia unificou sua abordagem de produtos em uma única plataforma, integrando ofertas de computação em nuvem, dados e cibersegurança. O objetivo, diz Brandão, é “traduzir” o desafio da IA para ajudar clientes a tirar valor da tecnologia.

Um dos exemplos que cita é o setor de varejo de alimentos. Com uma cadeia de suprimentos completa, que movimenta muitos produtos e capital, o segmento ainda conta com um nível baixo de maturidade tecnológica, e busca apoio para implementar uma estratégia de IA que se converta em ROI.

“Para o dono do supermercado, a IA é muito interessante. Mas se no final das contas não ajudá-lo a vender mais, reduzir custos ou a trazer mais clientes, ela vai ser uma mera brincadeira”, diz. “Não vou falar em LLM, RAG, ETL ou em data lake. O papo é: seu cliente vai entrar na loja e você terá uma hiperpersonalização”, explica.

Em novembro passado, a companhia anunciou o Skyone Studio, plataforma de low-code em nuvem que pode se conectar aos dados privados de clientes para organizá-los. A partir daí, a ferramenta permite a criação e operação de agentes de IA em múltiplas LLMs de mercado, incluindo Llama, ChatGPT e DeepSeek.

No pouco tempo desde que foi lançado, o Studio já se tornou uma das ofertas principais da estratégia da companhia. “Ele vai ter uma relevância bem grande dentro dessa jornada ao longo deste ano, impulsionando cloud, dados e segurança com esse tema de IA”, conta o CEO, que tem a meta de manter um ritmo de crescimento de 50% neste ano. Em 2024, a Skyone chegou “muito perto” dos R$ 400 milhões de receita recorrente, sendo quase um quinto dela vinda de mercados internacionais.

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