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Revolução da Electrolux começa na TI

Um pouco antes de iniciar suas atividades como vice-presidente de TI da América Latina da Electrolux, Anderson de Moraes teve uma oportunidade singular. Em conversa com Leandro Jasiocha, atual presidente para a região, o futuro executivo recebeu uma folha em branco e, com ela, a pergunta: “Se você tivesse que desenhar a sua área do zero hoje, como ela seria?”

O questionamento instigou o VP a pensar de maneira inovadora e o inspirou para os meses seguintes. Com a missão de reduzir 30% dos custos operacionais, Moraes colocou em prática uma ideia antiga: transformar a TI em área estratégica ao reorganizar os times por competências, e não por setores.

Inspirado no livro Work Without Jobs, o projeto adotou a metodologia Dynamic Jobs para criar frameworks baseados em habilidades, não em cargos. “Deixei de ter cem pessoas no time para ter 3,6 mil horas de dev, 4,5 mil de SAP, 6,6 mil de Salesforce… A capacidade é maior do que cem pessoas”, resume.

Para realizar a iniciativa, foi necessário mapear e avaliar, em uma escala de 1 a 5, os domínios de cada colaborador. Além da classificação das competências, os profissionais foram divididos entre flex, full flow e fixed, sendo os últimos apenas os líderes de cada frente — que também foram reduzidos, de 13 para seis pessoas.

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Os dados alimentam uma ferramenta criada pela equipe, ativa há quase um ano, que permite selecionar profissionais com base no histórico de experiências. “Tiramos as pessoas da zona de conforto. Antes, eram especialistas em manufatura; agora atuam também em projetos de RH e precisam conhecer mais do negócio.”

O engajamento da liderança foi fundamental para superar o desafio e consolidar o novo modelo. Com o tempo, os benefícios surgiram. Cada colaborador passou a ter mais clareza sobre seu desenvolvimento e trajetória profissional. “Um técnico se via como nível três; o gestor, como dois. Com critérios claros, surgem mais oportunidades de evolução.”

O resultado compensou. A satisfação interna da equipe de TI subiu 13 pontos em relação ao ano anterior, segundo a ferramenta global da Electrolux — o maior índice já registrado pela área.

Com a renovação, Moraes reduziu mais de 50% dos investimentos e 30% das despesas, além de abrir espaço no orçamento para inteligência artificial (IA) e dados. No fim de 2024, anunciou à equipe que 2025 seria um ano de estabilidade e aprimoramento. A meta: transformar a TI de área de suporte em área de negócio. “Para 2025, temos três focos: IA, concorrência e cibersegurança acima da média. Estamos estruturando os times para desenvolver skills que ainda não temos nessas áreas.”

*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.

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