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Revolução digital fortalece conhecimento de talentos

Os poderes transformadores da inteligência artificial, big data, internet das coisas, tecnologias móveis e blockchain vão gerar uma quarta revolução industrial, de acordo com o coordenador do MBA em Marketing Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Miceli. Segundo ele, a evolução deve aumentar padrão, expectativa e qualidade de vida. No entanto, Miceli ressalta que também pode ter efeitos disruptivos, sobretudo no mercado de trabalho.

“Todo esse processo tem implicações sociais, em organizações e indivíduos. A evolução está ganhando velocidade. Das muitas áreas impactadas, as mais relevantes são sustentabilidade ambiental e empregos e habilidades”, aponta André Miceli.

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O professor da FGV destaca dados do World Economic Forum que mostram que a cada aumento de 1% no PIB global, as emissões de CO2 aumentaram aproximadamente 0,5% e o uso estimado de energia da rede bitcoin, que é responsável pela verificação das transações feitas com a criptomoeda, é de 30.14TWh por ano, o que excede o de 19 outros países europeus.

“Isso significa que a rede consome cinco vezes mais eletricidade do que é produzido pelo maior parque eólico da Europa, o London Array. Nos níveis atuais de consumo de eletricidade, cada transação individual de bitcoin usa quase 300KWh de eletricidade – o suficiente para ferver cerca de 36 mil chaleiras cheias de água”, explica André Miceli.

Em relação ao emprego, o especialista estima que as perdas globais de empregos devido à digitalização variam de 2 milhões a 2 bilhões de postos até 2030. Segundo ele, existe uma grande incerteza, com preocupação também com seu impacto nos salários e nas condições de trabalho.

André Miceli alerta que os ” Millennials” (geração nascida nos anos 90 e também conhecida como “Geração Y”) possuem uma relação diferente com o “ter”, ao contrário das anteriores. Tal fato explica em parte, segundo o professor da FGV, o surgimento cada vez maior de empresas de compartilhamento. A falta destes desejos permitirá uma vida mais barata.

“O escritor Yuval Noah Harari – autor do artigo ‘O Significado da Vida em um Mundo sem Trabalho’ – diz que eles serão “inúteis”, pois não produzem e não querem nada. Essa observação pode ser suficiente para mostrar a necessidade de uma possível renda mínima universal que pode se tornar fundamental para garantir a capacidade a estes, que ficarão incapazes de se empregar. Por fim, a popularização dos mecanismos de realidade virtual e aumentada acabará também por intervir no modo de vida desta classe. Então, é muito provável que muitos deles vivam um ambiente paralelo. Ficarão imersos nas redes sociais e na internet, sempre em uma realidade virtual”, observa o especialista.

Lado positivo da

De acordo com Miceli, um diferencial competitivo fundamental, tanto para indivíduos, quanto para organizações, será a capacidade de as empresas melhorarem o conhecimento de seus funcionários em áreas lógicas como programação e análise de dados. “Somente desta maneira se criará uma geração de talentos que esteja pronta para os desafios que se apresentarão em praticamente todos os segmentos da economia”, analisa o professor da FGV.

Para os governos, o professor da FGV diz que o desafio é igualmente urgente. “O aumento da desigualdade com todos os seus impactos e a deflação salarial ou mesmo a agitação social requerem ação imediata para capacitar a força de trabalho, ajustar as questões ambientais e de segurança fomentando a inovação, o empreendedorismo e a otimização do processo de transformação digital”, orienta Miceli.

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Redação
Tags: revolução digital
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