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Relatório de diversidade da Brasscom mostra avanços, mas o gap ainda é grande

Na última semana, a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom) divulgou o “Relatório de Diversidade de Gênero no Setor TIC” do 1º semestre de 2024. Os resultados revelam que, apesar de ainda ter uma representatividade baixa do público feminino no setor, cerca de 39%, o cenário mostra uma melhoria contínua: nos últimos cinco anos, a participação de mulheres em posições de diretoria e gerência no segmento cresceu 1,6 ponto percentual, alcançando 35,6%.

Na área de operações de TIC e P&D o crescimento foi elevado com um aumento de 4,6 pontos percentuais, atingindo 28,1%. Esse avanço supera significativamente o mercado nacional, que registrou um aumento de apenas 0,1 ponto percentual.

Em relação a salários, a pesquisa mostra que ainda há uma disparidade entre homens e mulheres, com o público masculino recebendo, em média, 37,1% a mais. Essa diferença pode ser explicada, em parte, pela maior concentração de homens em níveis mais altos da hierarquia, que tendem a oferecer remunerações mais altas. Outros fatores estruturais contribuem para essa desigualdade, como preconceitos inconscientes, acesso desigual a oportunidades de promoção e desafios para equilibrar vida pessoal e carreira afetam de forma desproporcional as mulheres.

“Apesar de o salário médio em TIC ser duas vezes e meia maior do que a média do salário nacional, também há um gap entre homens e mulheres. Por isso é tão importante um movimento de trazer mulheres não apenas para o setor de TIC, mas também criar as condições para que elas ocupem efetivamente os cargos de liderança nas empresas”, relata Affonso Nina, presidente da Brasscom.

Diversidade e negros

Além disso, de acordo com o relatório, a presença de negros também deu um passo à frente, com um crescimento de 6,5% nas contratações durante o período analisado. Destaca-se também o aumento de 7,3% na contratação de mulheres negras, superando a marca de 6% observada na contratação de homens negros. Apesar de números que mostram avanços, a representatividade de negros no setor representa apenas 31,3%.

“O setor de TIC está mostrando que a diversidade é um motor de inovação e progresso. Os avanços demonstrados no relatório, especialmente a crescente presença de mulheres em cargos de liderança e a maior contratação de negros no setor de TIC, são notícias positivas, mas ainda há muito, muito mesmo, a ser feito nessas frentes e em várias outras, quando falamos em aumento da diversidade no setor”, completa Nina.

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