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Quais as consequências de ciberameaças ao sistema de Saúde?

O mercado de saúde é um dos setores mais atrativos para os hackers. O alerta é da empresa de segurança Trend Micro. E para endossar a questão basta lembrar que um dos maiores ataques aconteceu justamente no segmento no ano passado, quando o ransomware WannaCry afetou organizações em mais de cempaíses.

De acordo com o Trend Micro’s Securing Connected Hospitals report, o ransomware infectou o National Health System do Reino Unido, impedindo seus hospitais e outros departamentos de acessar dados de pacientes. Esta não é a primeira vez que o segmento da saúde é atingido por um ataque desta magnitude, e provavelmente não será a última.

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“Conforme os hospitais e outras instituições de saúde adotam novas tecnologias, os pacientes recebem um tratamento melhor – mas a vulnerabilidade aos ataques aumenta”, aponta o relatório da Trend Micro. “Quanto mais conectado, mais atrativo é o alvo, pois ele tende a se tornar mais lucrativo para o invasor”.

Áreas de maior risco

Um ataque baseado em infecção de sistemas pode ter um impacto significativo em uma instituição de saúde e, consequentemente, em seus pacientes. As três áreas de maior risco em termos de atividade digital maliciosa neste segmento incluem:

Atividades cotidianas em hospitais: escalonamento de pessoal, inventário, folha de pagamento e atividades administrativas podem ser gravemente ameaçadas em um ciberataque. Quanto mais automatizadas estas atividades, maior o risco;

Privacidade PII: um dos elementos mais atrativos no segmento para os hackers é a chamada Informação Pessoalmente Identificável (PII em inglês), que pode conter dados financeiros, informação médica e outros dados confidenciais;

Saúde do paciente: uma interrupção em atividades cotidianas ou o comprometimento de PII pode afetar a capacidade do hospital de oferecer cuidados à saúde do paciente e de garantir seu bem-estar.

Dispositivos conectados expostos

Como aponta o relatório, um dos problemas mais comuns são os dispositivos conectados, que podem servir como porta de entrada para hackers e programas maliciosos.

Instituições de saúde hoje têm mais sistemas de saúde conectados do que em qualquer outra época, incluindo recursos como:

  • Recepção e postos de enfermagem: e-mail, relatório eletrônico de saúde (EHR em inglês) e outros sistemas administrativos
  • Pronto-socorro e centro cirúrgico: diagnóstico, cirurgia, monitoramento e diagnóstico por imagem
  • Salas de reunião: vídeo conferência, VoIP e outros recursos de comunicação

No entanto, quando essas áreas ficam expostas e acessíveis via web, elas colocam o atendimento ao paciente em risco. Algumas das situações que podem levar a essa exposição incluem:

Acesso direto a serviços e sistemas: configuração incorreta de estrutura de rede e sistemas, que podem incluir o uso de senhas fracas ou padrão, o que facilita o acesso indevido à rede e suas plataformas;

Requisitos de conectividade: quase todos os aparelhos hoje em dia precisam de uma conexão para operar plenamente, mas isso acaba gerando mais vulnerabilidades;

Acesso remoto: acesso de profissionais remotos ou equipes externas de suporte, outra brecha para invasões.

Shodan

Um outro fator de risco relevante aqui é o Shodan. Ele é uma search engine que permite ao usuário descobrir dispositivos conectados, e serve como uma boa ferramenta para empesas identificarem vulnerabilidades desprotegidas e eventuais ativos guardados em seus sistemas.

Por outro lado, o Shodan também traz vantagens para hackers, que podem usar de seus recursos para conseguir informações sobre os aparelhos conectados e seus sistemas e buscar oportunidades para atividades maliciosas.

“É por isso que o Shodan é considerado o Search Engine mais perigoso do mundo”, como destacado nas notas do estudo da Trend Micro.

Portas abertas

Muito embora a conectividade seja essencial para as funções avançadas dos dispositivos e aplicativos atuais, ela é também fonte de risco para eles.

Uma questão importante levantada pela Trend Micro é o problema de portas expostas. Pesquisadores identificaram diversas portas expostas e visíveis nas empresas de saúde avaliadas, incluindo algumas que podem oferecer sérios riscos:

  • Network Time Protocol (NTP): um dos protocolos mais antigos ainda em uso. Como as conexões NTP entre servidores e computadores raramente são criptografadas, os hackers podem usar protocolos NTP para ataques em intermediários que podem impedir a atualização de sistemas
  • Teletype Network (Telnet): outro tipo de conexão raramente criptografada, em que os dados são enviados em arquivos de texto, que permite interceptação
  • File Transfer Protocol (FTP): este protocolo popular é padrão em muitos servidores e permite que hackers o utilizem para explorar servidores comprometidos, os quais servem de ponto de acesso para arquivos e de entrada para programas maliciosos que ajudam a ampliar o alcance do ataque.
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Redação
Tags: Segurança da Informaçãosegurança saúde
8 anos ago

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