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Qlik terá estrutura de nuvem para hospedar dados de clientes no Brasil

A Qlik, empresa de soluções de integração de dados e analytics, está se preparando para expandir seus negócios na América Latina. De acordo com Eduardo Kfouri, gerente geral da Qlik para a região, a companhia deverá “em breve” anunciar a oferta da hospedagem de seus serviços de nuvem no Brasil para clientes.

“Em breve, a gente deve anunciar. Está nos planos a opção de hospedar no Brasil”, disse o executivo em entrevista ao IT Forum durante o Qlik Connect 2024, principal evento global da empresa realizado no início deste mês em Orlando, nos Estados Unidos. “Até porque existem limitações regulatórias de alguns segmentos para que sejam hospedados dados no Brasil.”

De acordo com Kfouri, tem crescido entre clientes da companhia a demanda por soluções que tenham residência local de dados, principalmente entre áreas como saúde e governo – sendo essa última um dos pontos de interesse da Qlik no Brasil. “A gente tem uma presença muito grande no governo, é uma participação bastante importante para nossos negócios, principalmente no mundo de analytics“, disse o executivo.

Dos cerca de 40 mil clientes da Qlik globalmente, mais de 7 mil já estão utilizando as soluções da empresa de SaaS. Desde o lançamento do Qlik Sense, solução de visualização de dados e analytics da empresa em nuvem, a organização tem incentivado a migração de clientes através de ofertas especiais para parceiros que ainda utilizam a versão on-premise do produto. A ideia não é forçar a migração de empresas, mas tentar convencê-las das vantagens da cloud.

Nesse contexto, a América Latina é estratégica. A companhia, que tem capital fechado, não abre detalhes sobre seus negócios, mas, segundo Kfouri, tem uma base interessada em serviços de nuvem na América Latina. “Nós, da América Latina toda, e principalmente o Brasil, temos uma característica de inovação. Quando lançamos a versão SaaS do Qlik, o Brasil chegou a ser o segundo país do mundo no número de usuários”, contou.

Ao longo dos últimos anos, a Qlik vem diversificando seu portfólio de serviços para ir além das ferramentas tradicionais de analytics. A estratégia vem, em parte, por conta da comoditização do mercado de software de analytics e BI que se iniciou na década passada, em que a Qlik passou a enfrentar a concorrência de rivais como a Microsoft, com o Power BI, e da Tableau.

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Para buscar segmentos de mercado mais diversificados e rentáveis, a companhia apostou no desenvolvimento interno de tecnologia e em aquisições de startups para agregar novas capacidades ao seu leque de soluções. Entre elas, estavam empresas como a Knarr, RoxAI, Blendr.io, Nodegraph e Big Squid.

Em 2019, a companhia deu um passo significativo no segmento de integração de dados com a aquisição da Attunity. No ano passado, o foco se voltou para a qualidade de dados e governança, com a compra da Talend. Com isso, a Qlik passou a se posicionar como uma oferta completa de dados e analytics.

Mais recentemente, a companhia tem expandido sua atuação com inteligência artificial. Em janeiro, adquiriu a Kyndi, empresa que trabalha com ferramentas de IA e processamento de linguagem natural para pesquisa e análise de dados não estruturados. Durante seu evento global, foi anunciado o Qlik Answers, assistente alimentado por IA generativa que responde às dúvidas de colaboradores a partir de conteúdos não estruturados.

“Nós temos feito muito progresso na oferta de uma solução de fim a fim”, anotou Kfouri. “Principalmente agora, no momento que estamos vivendo em toda parte, inclusive no Brasil, com o avanço da IA, estamos vendo muitas empresas buscando uma fundação para poder criar suas iniciativas de IA de forma confiável.”

Sem abrir números sobre a operação na região, o executivo se mostra otimista em relação ao crescimento da Qlik no mercado latino-americano. Um dos exemplos do bom momento é a autonomia que a região tem ganhado dentro da estrutura corporativa da Qlik. Até o meio do ano passado, a estrutura da Qlik na América Latina operava como um subterritório das Américas. A empresa decidiu, no entanto, elevar a região ao status de independente, ao lado de América do Norte, Ásia-Pacífico e EMEA.

O objetivo da estratégia é dar mais foco à região para escalar seu potencial. “É muito diferente fazer negócios no Brasil, ou em qualquer país da América Latina, e nos Estados Unidos. A empresa entendeu que era o momento de criar uma nova região para ter um crescimento maior”, disse Kfouri.

*O repórter do IT Forum viajou a Orlando a convite da Qlik

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