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Plano de IA de Trump prioriza poder e velocidade, deixando regulação em segundo plano

O governo Trump publicou nesta quarta-feira (23) seu aguardado Plano de Ação para Inteligência Artificial (IA), documento que marca uma ruptura com a abordagem mais cautelosa da administração Biden. De acordo com análise do TechCrunch, em vez de priorizar freios e contrapesos para mitigar os riscos da tecnologia, o novo plano propõe expansão massiva de infraestrutura, desregulamentação, estímulo à IA aberta e forte viés nacionalista na disputa com a China.

Segundo a reportagem, o plano pretende usar terras federais, inclusive parques e bases militares, para construir data centers e usinas de energia que atendam à crescente demanda da indústria de IA, mesmo durante períodos críticos da rede elétrica.

“Para garantir nosso futuro, precisamos libertar todo o potencial da inovação americana”, declarou Trump. “Rejeitaremos o dogma climático radical e a burocracia.”

Leia também: Trump acelera expansão da IA com energia fóssil e desmonte ambiental

Derrubando barreiras ambientais e regulatórias para acelerar a IA

O plano orienta a remoção de entraves ambientais como o Clean Air Act e o Clean Water Act, e sugere exclusões categóricas para agilizar autorizações. Medidas como o programa FAST-41 serão usadas para acelerar a construção de centros críticos de IA.

Em paralelo, propõe que a FCC avalie leis estaduais sobre IA para garantir que não interfiram com sua autoridade, uma manobra que pode servir para minar regulações locais. Também busca condicionar verbas federais ao alinhamento dos estados com diretrizes federais mais permissivas.

IA sem “viés ideológico”

O plano também promove uma ofensiva contra o que chama de “IA enviesada”, ao eliminar referências a desinformação, diversidade e mudanças climáticas nos frameworks de avaliação de risco federal. A Casa Branca pretende, inclusive, vincular contratos públicos à neutralidade ideológica dos modelos de IA, proposta juridicamente delicada, segundo especialistas ouvidos pela TechCrunch.

Para Eugene Volokh, professor de direito constitucional, uma ordem que exija neutralidade absoluta pode violar a Primeira Emenda, mas diretrizes com flexibilidade de interpretação seriam mais viáveis embora de difícil implementação.

IA aberta e nacionalismo computacional

O plano defende o incentivo à IA de código aberto como forma de promover valores americanos e combater o avanço de modelos chineses, como os desenvolvidos pela DeepSeek e Alibaba. Com isso, Trump quer garantir que pesquisadores e startups tenham acesso a clusters de computação de alto desempenho, antes restritos às grandes empresas.

Meta, Hugging Face e AI2 estão entre as organizações que podem se beneficiar da iniciativa, caso consigam alinhar seus modelos à nova agenda federal.

Segurança nacional no centro da estratégia

“Segurança nacional” é mencionada 23 vezes no plano, mais do que “empregos”, “ciência” ou “data centers”. A estratégia inclui a integração total de IA nas áreas de defesa, espionagem e emergência, com foco em manter a liderança militar e tecnológica dos EUA.

O Departamento de Defesa deverá construir centros próprios de IA, realizar hackathons para testar vulnerabilidades e treinar soldados com IA no campo de batalha. Ao mesmo tempo, o plano exige monitoramento de projetos de IA no exterior, especialmente na China, e o bloqueio de tecnologias “adversárias”.

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