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Plano B: o programa criado por um ex-CIO para reinventar trajetórias profissionais

Por mais de duas décadas, Lúcio Eroli construiu uma carreira sólida em tecnologia, liderando transformação digital em grandes empresas como Comgás e Suzano. Nos últimos anos, no entanto, decidiu fazer um movimento incomum: passou a dividir o tempo entre o ambiente corporativo e o consultório. Hoje, além de conselheiro em empresas e mentor de executivos, atua também como terapeuta e criador de uma metodologia própria voltada ao replanejamento de trajetórias profissionais.

Leia também: IA generativa já domina trabalho corporativo, mas falta treinamento 

A origem do Plano B

Batizado de “Plano B”, o programa criado por Eroli propõe uma abordagem integrativa: escuta clínica com base em psicanálise, neurociência e análise comportamental, somada à experiência de mais de 25 anos em cargos de liderança. O objetivo é apoiar profissionais que, embora bem colocados no mercado, se sentem distantes de seus propósitos pessoais e buscam uma segunda via para gerar renda com sentido.

“A tecnologia sozinha não resolve. No fim do dia, tudo passa pelas pessoas. E a maior parte dos profissionais que atendo carrega um vácuo silencioso: estão performando, mas se sentem vazios”, diz. Segundo ele, o distanciamento entre realização e trabalho aparece em diferentes formas: desânimo, ausência de plano de futuro ou mesmo a sensação de que estão apenas “empurrando a vida”.

Os quatro pilares

A metodologia parte de quatro pilares. O primeiro é o resgate do propósito: a motivação que pode ter mudado ao longo dos anos e hoje não se encaixa mais no contexto atual. O segundo é a análise da vida pessoal e relacional, com ferramentas como a “mandala da vida”, que permite enxergar, por exemplo, relações familiares negligenciadas ou espaços de carência emocional. O terceiro pilar identifica habilidades e dons que muitas vezes são ignorados pelo próprio indivíduo. O quarto, por fim, desenha um plano de ação para um novo projeto, que pode coexistir com a atuação principal e evoluir com o tempo.

Casos práticos e resultados

A proposta já foi aplicada em diferentes perfis, de executivos seniores a pequenos empreendedores. Um dos casos citados por Eroli é o de uma gerente da Caixa Econômica Federal que, após constatar que a maioria dos clientes tinha crédito negado por falhas contábeis, decidiu abrir uma contabilidade para atender esse nicho. Em outro exemplo, a filha de um fotógrafo tradicional criou uma nova esteira de serviços digitais com a marca do pai, elevando em 30% o faturamento do negócio.

Do comando à escuta

Eroli diz que a experiência como CIO moldou sua compreensão sobre liderança. “Durante muito tempo, achei que liderar era controlar. Fui um chefe que cobrava e se isolava. Mudei quando percebi que resultados duradouros vêm de times que se sentem ouvidos e conectados com seu papel dentro da empresa.”

A transição de carreira não foi imediata. Antes de abrir o consultório, estudou coaching, neurociência aplicada e psicanálise. Atendeu pacientes por meio de um projeto piloto supervisionado e estruturou uma abordagem que dialoga com o universo corporativo, com escuta clínica adaptada à linguagem de quem vive sob metas e conselhos.

Tecnologia e subjetividade

Hoje, é comum que seus pacientes sejam líderes, diretores e fundadores de empresas. Eroli também criou uma plataforma digital para diagnóstico inicial, voltada a quem não quer se expor em um primeiro momento. “Muita gente demora anos para pedir ajuda. Criamos um caminho mais acessível e anônimo, que pode destravar a reflexão inicial.”

Para 2025, sua meta é ambiciosa: ajudar 300 pessoas a estruturarem seus “planos B”. Ao mesmo tempo, segue atuando como conselheiro em empresas de tecnologia e consumo. E não pretende abrir mão de nenhuma das frentes. “Disseram que eu precisava escolher. Nunca concordei. Minha experiência como executivo potencializa meu trabalho clínico. E minha escuta clínica me torna um executivo melhor.”

No centro de sua abordagem está a convicção de que tecnologia e autoconhecimento não são forças opostas. “Digitalizar processos e expandir o uso de IA é fundamental. Mas nenhuma transformação se sustenta se as pessoas estiverem emocionalmente desconectadas do que fazem.”

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