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Pentágono testa inteligência artificial que prevê ações inimigas com dias de antecedência

Reprodução/Shutter Stock

O Pentágono revelou que está testando o uso de ferramentas de coleta de dados de ponta combinados com inteligência artificial para antecipar os passos dos inimigos – em dias. Em entrevista coletiva, Glen VanHerck, Comandante do Comando Norte dos Estados Unidos (NORTHCOM) disse que testes estão em andamento para melhorar o uso de dados pelos militares na tomada de decisões estratégicas importantes, de acordo com publicação do site ZDNet.

A terceira parte da iniciativa chamada Global Information Dominance Experiment (GIDE) tem mostrado resultados promissores. A última experiência realizada pelo Pentágono viu 11 comandos dos EUA simularem a tomada de um local crucial como o Canal do Panamá.

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Durante a operação simulada, os dados foram coletados de vários sensores espalhados por todo o mundo, militares ou civis; as informações eram então passadas por um modelo de IA capaz de detectar padrões e alertar ao detectar sinais como um submarino se preparando para sair do porto, exemplificou VanHerck.

“O que vimos é a capacidade de ir além do que chamo de esquerda, da esquerda de ser reativa para realmente ser proativa”, disse VanHerck. “E não estou falando de minutos e horas, estou falando de dias”.

A tecnologia pode reunir informações em tempo real de satélites, radares e sensores submarinos existentes, bem como recursos cibernéticos e inteligentes, e disponibilizá-los por meio da nuvem para que os modelos de IA processem, diz a publicação.

“A capacidade de ver dias de antecedência cria espaço de decisão. Espaço de decisão para mim, como comandante operacional, para potencialmente posicionar forças para criar opções de dissuasão para fornecer isso ao secretário ou mesmo ao presidente”, disse ele.

As informações coletadas pela tecnologia já estão disponíveis, mas atualmente leva horas ou dias para que os analistas decifrem o montante de dados coletados diariamente, antes de perceberem os padrões de interesse, ressaltou VanHerck.

“Tudo o que estamos fazendo é pegá-la [a informação], compartilhá-la e torná-la disponível mais cedo. Para que nossos principais tomadores de decisão tenham opções em vez de serem reativos, onde podem ser forçados a tomar algum tipo de opção de escalonamento”.

De acordo com VanHerck, os algoritmos são capazes de olhar para o número médio de carros em um estacionamento em locais inimigos ou contar os aviões estacionados em uma rampa e disparar um aviso ao perceber mudanças, podendo até mesmo detectar mísseis sendo preparados para o lançamento.

O uso de ferramentas de automação na guerra é foco claro do Pentágono, no entanto, isso preocupa alguns grupos de defesa que argumentam que os algoritmos podem ser capacitados para informar decisões de vida ou morte e, eventualmente, até mesmo para tomar essas decisões eles próprios, destaca a publicação.

Os experimentos do GIDE, na verdade, foram realizados em conjunto com outros grupos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, incluindo o Projeto Maven, iniciativa que gerou polêmica em 2018. A tecnologia que seria desenvolvida pelo Google, tinha como objetivo desenvolver IA capaz de detectar humanos e objetos em grandes quantidades de vídeos capturados por drones militares. Então, milhares de funcionários da gigante de tecnologia assinaram uma petição pedindo que a empresa se retirasse, citando o medo de se envolver em uma iniciativa que contribuiria para a identificação de alvos potenciais, de acordo com o site ZDNet.

Os funcionários citaram VanHerck que, por sua vez, fez questão de abordar as preocupações sobre o uso de IA em testes GIDE. “Os humanos ainda tomam todas as decisões sobre o que estou falando”, disse ele. “Não temos máquinas para tomar decisões. (…) Não estamos contando com computadores para nos levar a criar opções de dissuasão ou opções de derrota”.

De acordo com o VanHerck, as capacidades do software testadas no GIDE já estão disponíveis e prontas para serem utilizadas em comandos de combatentes. Para melhorar ainda mais o impacto da tecnologia, ele continuou, também será necessária a colaboração com aliados e parceiros internacionais, que devem ser trazidos para participar do que poderia ser uma troca global de inteligência em tempo real.

(Com informações de ZDNet)

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Published by
Rafael Romer
Tags: cibersegurançainteligência artificialPentágono
5 anos ago

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