A Oracle divulgou na última quarta-feira, 10, resultados acima das expectativas para o quarto trimestre de seu ano fiscal, com receita de US$ 19,18 bilhões e lucro ajustado por ação de US$ 2,03, superando as projeções de analistas consultados pela LSEG, que estimavam US$ 19,10 bilhões em receita e US$ 1,96 por ação. Apesar dos números, as ações da empresa recuaram 7% no pregão estendido após o anúncio de que a companhia planeja captar até US$ 40 bilhões adicionais em dívida e emissão de ações para financiar sua expansão em infraestrutura de inteligência artificial.
A receita total cresceu 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido avançou de US$ 3,43 bilhões para US$ 4,22 bilhões no intervalo de um ano. Para o ano fiscal de 2027, a Oracle manteve sua projeção de receita de US$ 90 bilhões e elevou a estimativa de lucro ajustado por ação para US$ 8,05, acima do consenso de US$ 8,01 previsto pelos analistas.
O dado que mais chamou atenção do mercado, porém, não foi o resultado trimestral, mas o volume de capital que a empresa pretende mobilizar. A Oracle já havia captado US$ 43 bilhões em dívida e US$ 5 bilhões em ações ao longo do ano fiscal de 2026. O novo plano adiciona outros US$ 40 bilhões a esse montante, incluindo uma emissão de ações de US$ 20 bilhões já anunciada anteriormente. O desembolso líquido projetado para despesas de capital no ano fiscal de 2027 é de aproximadamente US$ 70 bilhões. A preocupação dos investidores reflete uma dúvida estrutural que paira sobre todo o setor: se a demanda por infraestrutura de IA será suficiente para justificar esse nível de comprometimento de capital.
Os números operacionais sugerem que a aposta tem respaldo contratual. A obrigação de desempenho remanescente da Oracle, métrica que reflete receita futura já contratada mas ainda não reconhecida, atingiu US$ 638 bilhões em 31 de maio, alta de 363% em relação ao ano anterior. Os analistas projetavam US$ 595,67 bilhões. Segundo analistas do Bank of America, mais de 50% desse valor é proveniente de contratos com a OpenAI. A Oracle explicou que parte relevante do crescimento nessa métrica vem de acordos em que o cliente paga antecipadamente pela reserva de capacidade computacional, em alguns casos fornecendo suas próprias GPUs à Oracle para operação nos data centers da empresa. Esse modelo reduz a necessidade de capital próprio da Oracle para a construção de infraestrutura.
A divisão de infraestrutura em nuvem foi o destaque operacional do trimestre, com crescimento de 93% e receita de US$ 5,8 bilhões. O número, embora expressivo, ainda é significativamente menor do que os US$ 37,59 bilhões gerados pela Amazon Web Services no trimestre encerrado em março, indicando o tamanho do gap que a Oracle precisa superar para se estabelecer como alternativa relevante às líderes de mercado em computação em nuvem. A receita total de ofertas em nuvem cresceu 47%, para US$ 9,91 bilhões, levemente abaixo da estimativa de US$ 9,97 bilhões dos analistas.
O CEO da Oracle, Clay Magouyrk, afirmou em teleconferência com analistas que a empresa pretende colocar quase um gigawatt de capacidade computacional em operação apenas no trimestre atual, volume equivalente ao total entregue ao longo de todo o ano fiscal de 2026. Para sustentar esse ritmo, a Oracle fechou financiamento de US$ 16 bilhões para um complexo de data centers em Michigan, em operação estruturada com a Related Digital e a Blackstone. A empresa também contratou Hilary Maxson, executiva da Schneider Electric, para o cargo de diretora financeira.
Para CIOs e responsáveis por estratégia de infraestrutura, os resultados da Oracle têm implicação direta. A combinação de crescimento acelerado em nuvem, contratos antecipados de larga escala e expansão agressiva de capacidade reposiciona a empresa como fornecedora relevante de infraestrutura de IA para grandes organizações, especialmente aquelas que buscam alternativas às três grandes provedoras de nuvem. O modelo de contratos com pagamento antecipado e fornecimento de GPUs pelo cliente, se consolidado, pode se tornar um padrão para acomodar a demanda de empresas que já investiram em equipamentos próprios mas precisam de escala operacional para utilizá-los.
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