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Oracle vai relançar programa para acelerar startups na América Latina

O Oracle planeja o relançamento de seu programa de aceleração de startups, com a nova identidade de ‘Oracle for Growth’, na América Latina no próximo ano. A informação foi compartilhada por executivos da companhia durante um encontro com a imprensa no Oracle Data & AI, evento realizado nesta quarta-feira (13), em São Paulo.

O relançamento da iniciativa deve acontecer no início de 2024. Uma data específica ainda não foi estabelecida, no entanto.

O primeiro objetivo do programa é ajudar as startups participantes com investimentos em tecnologia, conhecimento e pessoas, auxiliando as organizações escolhidas a operacionalizar seus negócios através de MVPs.

“Queremos ajudar essas startups na melhor usabilidade da tecnologia para ver se elas têm aderência ao mercado”, disse Leandro Vieira, vice-presidente do segmento de ‘HighTech Companies’ da Oracle para a América Latina. “Com toda a ajuda no lado técnico, mas também na visão de negócio”.

Leia também: Larry Ellison: “nuvens não devem ser jardins murados”

Na sequência, explicou o executivo, a empresa deverá auxiliar as startups a chegarem ao mercado, conectando as escolhidas ao seu ecossistema de clientes – buscando conectar organizações cujas demandas sejam complementares.

O programa também terá uma curadoria “restrita” de startups, e o objetivo não é abrir um leque muito amplo. O foco será em organizações que tenham soluções que se combinem às da própria Oracle, em especial àquelas do segmento B2B e de SaaS. “Nós buscamos a conexão com a tecnologia”, pontuou Alexandre Maioral, presidente da Oracle no Brasil.

Exemplo dessa dinâmica é a Maritaca. Fundada em Campinas (SP), em 2022, a startup desenvolve uma plataforma similar ao conhecido ChatGPT, da OpenAI, mas capaz de compreender as minúcias do português brasileiro. A startup foi uma das participantes do Data & AI e trabalhou junto à gigante do setor de tecnologia para operacionalizar seu negócio, além de ter sua IA generativa treinada na Oracle Cloud Infrastructure (OCI).

Quanto aos modelos de investimento do programa, Vieira esclareceu que a Oracle não deverá, “neste primeiro momento”, investir em equity nas companhias. “Pode, em algum momento, chegar no equity, mas não é um objetivo do primeiro passo do programa”, disse o vice-presidente da empresa.

América Latina continua acelerando na nuvem

O desempenho da Oracle no mercado de nuvem também foi pauta do encontro. Nesta semana, a companhia anunciou seus resultados para o segundo trimestre do ano fiscal de 2024, mostrando uma desaceleração da unidade de infraestrutura em nuvem. A empresa registrou um crescimento de 25% no trimestre, contra 30% do período anterior.

Questionado pelo IT Forum, Maioral indicou que a realidade não é a mesma do mercado brasileiro, que continua em ascensão. Há três anos, a América Latina foi a primeira região da companhia a fazer a virada de receita de infraestrutura local para a nuvem. Hoje, a nuvem representa mais de 70% dos negócios latino-americanos da organização.

Os investimentos continuarão acelerados na região. Nesta quarta-feira (13), a companhia revelou a abertura de sua segunda região de nuvem no Chile. Com isso, sete das 48 regiões de nuvem pública da organização estão na América Latina: duas no Brasil, duas no México, duas no Chile e uma na Colômbia.

O presidente da companhia no Brasil também indicou que ainda “cabem” mais regiões no Brasil. Sobre o crescimento da organização no país, antecipou ainda que Oracle Database@Azure, conexão entre OCI e Azure anunciada em setembro, estará disponível no mercado nacional no “primeiro semestre” de 2024.

Com a Database@Azure, a empresa está hospedando seu hardware Exadata, que contém servidores para bancos de dados e armazenamento, dentro dos data centers do serviço de nuvem pública Azure, da Microsoft. Com elas, organizações poderão armazenar dados do banco de dados Oracle dentro da Azure, sem prejuízo de velocidade ou latência.

O papel da Oracle e o mercado de IA

Durante o encontro, a companhia discutiu ainda o seu papel como provedora de tecnologia em meio à aceleração do mercado de inteligência artificial no mundo. De acordo com Maioral, o “trunfo” da organização é seu stack de tecnologia completo, com infraestrutura para clientes, mas também expertise no armazenamento e processamento de dados. “A Oracle nasceu de dados”, afirmou o presidente da Oracle Brasil.

Nas discussões com clientes sobre o tema, Maioral relatou que muitas das conversas têm girado em torno da preocupação com a governança de dados, e na capacidade da Oracle de auxiliar organizações a habilitá-los para a IA. “A gente sabe muito bem fazer a estruturação e o cuidado dos dados”, relatou. “Não ter dados, ou ter dados desorganizados, vai treinar LLMs erradas”.

Presente na discussão, Gisselle Ruiz Lanza, diretora geral da Intel para a América Latina, traçou um panorama sobre o papel mais amplo do Brasil no segmento. Ela compara o desempenho do país no mercado de IA com a adoção de nuvem: “O Brasil começou a aceleração da adoção em nuvem um pouco depois, mas quando você olha a adoção atual e a previsão para os próximos anos, é um dos principais países no crescimento”, indicou.

Em sua avaliação, o cenário de IA deverá ser igual no mercado nacional. Alguns desafios permanecem como barreiras – como a falta de talento, acesso ao capital e custo. Mas a executiva se diz otimista. “Vamos ver, nos próximos anos, uma aceleração e crescimento que serão muito interessantes na América Latina e Brasil, vendo a adoção de tecnologias emergentes pelo país nos últimos anos”.

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