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Open Insurance: Susep está otimista com implementação no Brasil

Imagem: Shutterstock

A primeira fase de implementação do Open Insurance no Brasil começou na semana passada e a sua implementação total deverá acontecer até meados de 2023 – quando as seguradoras poderão utilizar dados pessoais e públicos dos clientes que as autorizarem. Com similar ao Open Banking, a expectativa do mercado é que as empresas possam oferecer serviços e produtos personalizados. Por outro lado, os clientes que dividem suas informações esperam por preços mais competitivos.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) é o órgão responsável por essa implementação no Brasil. Para sanar as principais dúvidas, a instituição respondeu perguntas ao IT Forum. Confira:

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IT Forum: O que é o Open Insurance?

Susep: O Open Insurance, ou Sistema de Seguros Abertos, é o ambiente de compartilhamento padronizado de dados e serviços por meio de abertura e integração de sistemas no âmbito dos mercados de seguros, previdência complementar aberta e capitalização. Tal ambiente possibilitará o compartilhamento de dados públicos das empresas do setor referente a canais de atendimentos e produtos e também permitirá que os consumidores de produtos e serviços de seguros, previdência complementar aberta e capitalização, caso consintam, possam compartilhar suas informações entre diferentes sociedades autorizadas/credenciadas pela Susep, de forma segura, ágil, precisa e conveniente. Adicionalmente, o ecossistema abre a possibilidade de realização de serviços relacionados a seguros de forma padronizada. Para entregar esses benefícios ao consumidor, o Open Insurance operacionaliza e padroniza o compartilhamento de dados e serviços por meio de abertura e integração de sistemas, com privacidade e segurança. Mais informações sobre o Open Insurance podem ser encontradas no site da Susep.

IT Forum: Como é feita a segurança dos dados dos usuários?

Susep: Neste primeiro momento, ainda estaremos na fase 1 onde apenas dados públicos das empresas participantes serão compartilhados. A possibilidade de compartilhamento de dados pessoais se iniciará em setembro de 2022. Um dos principais cuidados foi que, nas definições de segurança e tecnologia a serem observados na implementação, foram definidos os mesmos padrões utilizados no Open Banking. Tais padrões são vistos como referência na implementação de compartilhamento de dados via APIs e estão sendo adotados também em outros países do mundo, objetivando um sistema seguro e adequado ao tipo de informação transacionado. Entre os cuidados estão a necessidade de certificações específicas de tecnologia, a exigência que apenas empresas autorizadas/credenciadas pela Susep possam fazer parte do sistema entre outros.

IT Forum: Como funcionará a estrutura de governança do Open Insurance?

Susep: No dia 02 de agosto último foi eleito o Conselho Deliberativo da estrutura inicial responsável pela governança do processo de implementação do Open Insurance. A atuação da estrutura inicial de governança baseia-se em um tripé de sustentação (níveis estratégico, administrativo e operacional) e são pautados em alguns princípios básicos: a representatividade e a pluralidade das sociedades, respeitadas suas peculiaridades (segmentos); o acesso não discriminatório das sociedades participantes; a mitigação de conflitos de interesses; e, por fim, a sustentabilidade do Open Insurance, assim como sua integração ao Open Banking, convergindo para a formação do Open Finance.

IT Forum: Como as empresas deverão estar preparadas tecnologicamente para o uso dos dados?

Susep: Considerando a característica do nosso setor, onde naturalmente há um uso intenso de dados, já é uma realidade o uso intenso de tecnologias de informações para a exploração de dados pelos diferentes players. Acreditamos que tal uso será ainda mais intensivo a partir do momento que mais informações estarão acessíveis.

IT Forum: Criam-se outras oportunidades na área de tecnologia, como market places, aplicativos e serviços por meios digitais?

Susep: Sim. Com a implementação do Open Insurance, será possível desenvolver aplicativos que comparem produtos de diversas seguradoras em um só local, para que o cidadão possa fazer escolhas mais conscientes de acordo com o seu perfil. Outras soluções possíveis serão o uso de dados pessoais para definição de produtos mais aderentes ao seu perfil, caso deseje. Novas soluções tecnológicas poderão surgir para atender às necessidades dos consumidores como, por exemplo, agregação de informações relativas à vida financeira em diferentes instituições financeiras, incluindo produtos de seguros, de previdência complementar e capitalização. Além disso, serviços como aviso de sinistros (comunicação de uma ocorrência coberta por seguro), portabilidade de previdência, entre outros, poderão ser feitos de forma mais simples, por meios digitais, até mesmo de forma automatizada, ou seja, sem a necessidade de uma ação por parte do segurado.

IT Forum: Quando o Open Insurance estará 100% implementado no Brasil?

Susep: A última fase de implementação do Open Insurance terá início em dezembro de 2022 e a previsão é de que o Sistema esteja completamente implementado até, no máximo, junho de 2023.

IT Forum: Há previsões do Open Insurance ser integrado ao Open Banking?

Susep: Sim. Um dos objetivos do Open Insurance é ser interoperável com o Open Banking, formando o ecossistema já denominado comumente como Open Finance.

IT Forum: Quais as vantagens para o cliente final do Open Insurance? E para as seguradoras?

Susep: Com a possibilidade de os consumidores compartilharem seus dados de forma ágil, eficiente e segura, as empresas participantes do setor poderão desenvolver produtos cada vez mais inovadores e customizados, para atender às necessidades específicas de cada perfil de cliente. Com isso, espera-se que o mercado de seguros como um todo seja beneficiado pela potencial ampliação do alcance dos serviços securitários e promoção da cidadania financeira viabilizada por esse novo ecossistema.

Para entregar esses benefícios, o Open Insurance operacionaliza e padroniza o compartilhamento de dados e serviços por meio da abertura e integração de sistemas, com privacidade e segurança para os dados compartilhados.

Como exemplos, podemos citar os comparadores de marketplaces, os aplicativos e soluções diversas focadas em inovação e conveniência para os consumidores e a iniciação de serviços relacionados a seguros, previdência e capitalização por meios digitais.

IT Forum: Como o mercado dos corretores será afetado?

Susep: Os corretores de seguros são participantes essenciais ao mercado de seguros, na medida em que agregam valor ao relacionamento entre consumidores e seguradoras, trazendo mais esclarecimentos sobre os diferentes produtos e provendo o assessoramento necessário para a tomada de decisão dos clientes. O mercado de seguros, a exemplo de muitos outros, tem passado por um processo de transformação tecnológica significativa.

Por exemplo, a digitalização da atividade de intermediação e de distribuição é um processo que já vem ocorrendo ao longo do tempo e é importante que os corretores – bem como todos os segmentos do setor de seguros – continuem a buscar formas de se modernizar e se adaptar às inovações, fortalecendo sua eficiência no papel de consultor e representante do consumidor/cliente que é o centro de todo o processo. Isso garante também competitividade dos profissionais e reforça ainda mais sua credibilidade perante os consumidores. Este processo não será diferente no Open Insurance. A inovação tecnológica e de produtos deve ser acompanhada de uma maior sofisticação e eficiência na atividade de assessoramento aos clientes, e nesse ponto o papel dos corretores é fundamental.

Vale lembrar que o processo de compartilhamento de dados de consumidores de mercados de seguros – com sua autorização – já se inicia dentro do próprio Open Banking, que já incluía os segmentos de previdência e capitalização. Ele inova ao permitir uma forma adicional de relacionamento para os corretores, permitindo que acessem seus clientes também por meio das Sociedades Iniciadoras de Serviços de Seguros (SISS) ou seguradoras que realizem serviço de iniciação de movimentação no Open Insurance, seja por meio de um relacionamento direto com essas entidades ou pela própria constituição de novas entidades. Para atuação dos profissionais de forma indireta inclusive já se discute modelos de tecnologia para a inclusão dos corretores no processo, de forma semelhante ao que já ocorre com os correspondentes bancários no Open Banking.

Mesmo com a implementação do Open Insurance, as seguradoras poderão continuar a usar o canal de distribuição proporcionado pela atuação dos corretores, fazendo uso ou não do novo ecossistema. Para que este canal se mantenha competitivo, no entanto, é importante que as seguradoras e corretores sejam capazes de oferecer condições tecnológicas adequadas para assegurar que a experiência do cliente seja estruturada em condições competitivas com outros modelos de distribuição.

IT Forum: É esperado que aumente o número de pessoas buscando por seguros?

Susep: Sim, pois alguns dos objetivos esperados do Open Insurance é proporcionar maior inclusão financeira, a democratização do acesso a produtos de seguros e previdência e aumento da concorrência no mercado, além de propiciar serviços e produtos customizados, de acordo com necessidades específicas de cada cliente. O foco do Open Insurance é no empoderamento do consumidor.

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Published by
Laura Martins
Tags: dadosOpen BankingOpen InsuranceSegurosSusep
4 anos ago

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