All Rights ReservedView Non-AMP Version
IT Forum
  • Homepage
  • Notícias
Notícias

O que o Brasil pode aprender com Portugal quando falamos de CivicTechs?

Em uma era marcada por transformações aceleradas, o mapeamento de tendências é a arte de observar criticamente o presente para projetar o que será o futuro. Essa perspectiva ganha ainda mais importância quando se fala em soluções criativas de tecnologia que desburocratizam na prática, ou seja, resolvem problemas complexos que impactam no nosso dia-a-dia como consumidores.

Nada melhor do que comprar em um clique a sua lista mensal de supermercado, encomendar algo para comer ou até programar uma viagem. Tudo isso sem sair de casa. São mudanças interessantes as que estamos vivendo. Mas tudo isso ganha contornos ainda mais empolgantes quando notamos as mudanças e os benefícios que a tecnologia pode trazer para o engajamento cívico da população. E por isso é importante entender o impacto das CivicTechs e suas ações.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Podemos chamar assim as startups que criam uma “tecnologia cívica” que são soluções tecnológicas para melhorar o relacionamento entre pessoas e governo, dando às pessoas mais voz para participar das decisões públicas e/ou para melhorar a prestação de serviços. Nas CivicTechs, os idealizadores emprestam seus talentos, muitas vezes até voluntariamente, para tornar estas interações entre população e governo mais ágeis e precisas.

Em muitas partes do mundo, elas já recebem atenção; no Brasil, esse conceito é relativamente novo, mas as startups já apresentam os primeiros resultados e, como negócios, também estão ganhando reconhecimento. Serviços eficientes, que tenham impacto social, melhorem a qualidade de vida das pessoas com soluções escaláveis, sustentáveis e com custo acessível: é esse o filão das CivicTechs. Em comparação com as GovTechs, que reúnem uma ampla gama de tecnologias fornecidas aos governos para aumentar a eficiência de suas operações internas, as CivicTechs têm seu foco um pouco mais “aberto”: informando, engajando e conectando os cidadãos com seus governos e uns aos outros para, em geral, melhorar o bem público.

Se no Brasil ainda estamos entendendo como esse tipo de tecnologia pode otimizar a vida dos brasileiros, em Portugal a desburocratização de processos já é uma realidade. Há cerca de 15 anos, Portugal era um país praticamente amarrado a uma crise de desenvolvimento, aumento de dívidas e altas taxas de desemprego. Atualmente, o País está entre as economias que mostram maior ascensão no mundo e é classificado como um dos campeões na simplificação de processos, na aproximação com instituições de ensino e no fortalecimento do ecossistema de inovação.

Hoje, o processo para abrir novos negócios leva 6,5 dias em Portugal; no Brasil, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o processo leva, aproximadamente, 18,5 dias – segundo dados da pesquisa Doing Business, do Banco Mundial. Para atrair empreendedores do mundo tudo, o governo português criou uma estratégia nacional que conta com uma série de incentivos para quem tem boas ideias para viabilizar negócios inovadores. Entre eles estão a concessão de uma espécie de bolsa com um apoio financeiro mensal para os primeiros passos do empreendedor, ajuda financeira para os primeiros passos do negócio e vistos especiais de residência no país, porta de entrada para o mercado da União Europeia.

O programa ‘Simplex’, criado em 2006, tem sido o principal responsável pela agenda de modernização administrativa em Portugal. Ele é um pacote de medidas do governo português para desenvolver a gestão pública e combater burocracias. Por meio dele, por exemplo, pode-se renovar automaticamente o RG e a carteira de motorista. Essas são duas de 119 medidas previstas no programa de simplificação administrativa. Outros processos, como concessão de vistos e escrituras de residências também englobam o programa português, que foi inspirado no Poupatempo de São Paulo.

O Simplex é um exemplo que é possível apanhar um problema, dissecar seus desdobramentos, chegar a uma solução clara e usar as ferramentas tech para levar aquela solução até os habitantes de uma cidade ou país. É bonito ver as ações das CivicTechs – e apreciar startups com vocação para nos levar a viver nosso melhor como povo hoje e no futuro.

*Por Letícia Piccolotto, fundadora do BrazilLAB e presidente executiva da Fundação Brava, responsável pelo Portal Meu Município

Next Seu emprego vai desaparecer? »
Previous « Novas regras de gestão de dados e o impacto para as empresas
Share
Published by
Ana Gabriela De Callis
Tags: civictechsengajamento cívicotecnologia
7 anos ago

    Related Post

  • HPE une rede e segurança e mira fim da gestão fragmentada
  • Consumidores ainda resistem a delegar pagamentos a agentes de IA, indica Forrester
  • Anthropic alerta governo Trump sobre riscos cibernéticos expostos por modelos avançados de IA

Recent Posts

  • Notícias

Empresas não sabem como comprar IA, e esse é o maior obstáculo da adoção, diz executivo da HPE

A maioria das empresas que hoje investe em inteligência artificial não sabe exatamente quem deve…

15 horas ago
  • Notícias

Datamint capta R$ 25 milhões em rodada seed liderada pela Headline

A Datamint, startup brasileira de inteligência artificial (IA) voltada à gestão de ativos em operações…

15 horas ago
  • Notícias

Consumidores ainda resistem a delegar pagamentos a agentes de IA, indica Forrester

Os consumidores ainda não estão preparados para permitir que agentes de inteligência artificial (IA) realizem…

16 horas ago
  • Notícias

Anthropic alerta governo Trump sobre riscos cibernéticos expostos por modelos avançados de IA

A Anthropic intensificou seus alertas ao governo dos Estados Unidos sobre os riscos cibernéticos associados…

17 horas ago
  • Notícias

HPE une rede e segurança e mira fim da gestão fragmentada

Por anos, equipes de TI operaram segurança e rede como disciplinas separadas, com ferramentas distintas,…

17 horas ago
  • Notícias

Gwynne Shotwell afasta pressão por IPO e diz que SpaceX mantém foco no longo prazo

A presidente e COO da SpaceX, Gwynne Shotwell, afirmou que a abertura de capital da…

18 horas ago
All Rights ReservedView Non-AMP Version
  • L